Parceria BYD/ADL vende 37 ônibus 100% elétricos de dois andares para Londres

Parceria da chinesa BYD com a encarroçadora inglesa Alexander Dennis Limited (ADL) conquistou a maior parte do primeiro pedido de compra de ônibus double-decker 100% elétricos feito pela TfL

ALEXANDRE PELEGI

A parceria da BYD com a Alexander Dennis Limited (ADL) conquistou a maior parte do primeiro pedido de compra de ônibus double-decker (dois andares) totalmente elétricos para a cidade de Londres realizado pela Transport for London (TfL) .

Serão trinta e sete veículos modelo BYD ADL Enviro400EV que começarão a rodar pelas ruas da capital do Reino Unido no segundo trimestre de 2019 operados pela Metroline, concessionária do sistema da TfL.

A Transport for London é o órgão responsável do governo local para a maioria dos aspectos do sistema de transporte na Grande Londres. Seu papel é o de implementar a estratégia de transportes e fazer a gestão de serviços de transporte em toda a metrópole inglesa.

O veículo BYD ADL Enviro400EV combina a tecnologia elétrica e baterias de fosfato de ferro-lítio da BYD com a carroçaria elegante e interior focado no passageiro, desenvolvida pela ADL, líder de mercado dos ônibus double-decker do Reino Unido. O modelo representa um novo conceito, projetado nas instalações da ADL na Escócia e no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da BYD em Shenzhen, China.

Os 37 ônibus vendidos à TfL serão montados na Inglaterra pela ADL, assim como todos os produtos da parceria BYD/ADL. Os ônibus elétricos de 10,8 m de comprimento incluirão carroceria de estilo City da ADL com uma escadaria envidraçada, e serão construídos de acordo com as especificações abrangentes da TfL.

Os veículos usarão a moderna tecnologia de baterias da BYD que lhes permite rodar o dia todo com uma única carga, usando eletricidade eficiente fora do horário de pico.

Os double-decker ficarão baseados na Garagem Holloway, no norte de Londres, e servirão a route (linha) 43, que atravessa o coração da cidade, ligando a London Bridge, no sul, até a Frinet Barnet, no norte. A Holloway tem uma ligação histórica com a cidade. Ela foi inaugurada em 1907 como uma garagem para bondes, depois passando para os trólebus e, mais tarde ainda, para os ônibus a diesel.

Em outubro de 2015 a BYD já havia fornecido à Metroline cinco ônibus double-decker de fabricação chinesa – os primeiros do mundo. Utilizados como pilotos, os veículos tiveram um bom desempenho na route 98 da TfL, que abrange toda a extensão da Oxford Street. Estima-se que eles tenham rodado mais de 100.000 milhas (cerca de 160 mil km), deixando de emitir 140 toneladas de poluentes.

O chefe executivo da operadora Metroline, Jaspal Singh, afirma que os 37 novos BYD ADL Enviro400EV têm credenciais ambientais impressionantes, e trarão benefícios significativos para os londrinos”. Já para Isbrand Ho, diretor administrativo da BYD Europe, a parceria BYD/ADL “fez progressos tremendos nas licitações das rotas da TfL em toda a capital com os ônibus de 10,8 e 12m. Mas com 6,800 veículos de dois andares nas ruas de Londres, a eletrificação total é a chave para se alcançar o impacto máximo de benefícios para qualidade do ar”.

Colin Robertson, executivo-chefe da ADL, afirma que até agora “os ônibus de um andar Enviro200EV rodaram mais de 1,5 milhões de milhas oferecendo um transporte com emissão zero no Reino Unido. Este novo contrato para ônibus de dois andares leva a colaboração BYD ADL a um nível totalmente novo em todos os sentidos.

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Modelo BYD/ADL Enviro400EV single deck

BYD/ADL ATUAM NA “REVOLUÇÃO ELÉTRICA” EM LONDRES

A parceria BYD e ADL já vendeu 30 modelos BYD ADL Enviro 200EV de 10,8 metros para a operadora Go-Ahead London, com entregas previstas até 2019. Com essa compra a operadora passou a contar com um total de 95 ônibus elétricos BYD. Dos 30 novos modelos anunciados, 11 unidades já entraram em circulação na rota 153 em fevereiro de 2018. Os outros 19 veículos operarão a rota 214 a partir de agosto de 2019.

Em junho de 2017 outro operador da Transport for London, a London United (parte da RATP Dev), já encomendara 36 ônibus elétricos BYD ADL.

AÇÕES EFETIVAS PARA REDUZIR EMISSÕES

Em toda a Europa há pressões intensas para o cumprimento de metas ambientais, o que levou o governo britânico a acelerar sua renovação da frota no resto da Inglaterra, com destaque para cidades de Londres e Manchester. O transporte em Londres é o responsável por 40% das emissões de óxido de nitrogênio na área metropolitana da cidade.

Nem mesmo os tradicionais ônibus de dois andares, tradição do país, escaparam à modernização. O que parecia ser um problema insolúvel para a transformação dos tradicionais “double-decker” em veículos elétricos, hoje já foi superado pelos técnicos – o peso excessivo das baterias. A ponto de já se ver os ônibus de dois andares, que tanto encantaram o ex-prefeito paulistano Jânio Quadros, circulando na versão elétrica pelas ruas da capital inglesa. Veja abaixo a versão lançada pelo então prefeito Jânio:

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O exemplo de inovação em transporte público mais limpo, no entanto, vai além da tecnologia. O programa de renovação funciona à base de subsídios provenientes de um fundo especial. O fundo é formado com recursos públicos, como, por exemplo, pelo famoso pedágio urbano de Londres, além de dinheiro proveniente da cobrança de taxas e multas por infrações ambientais.

O quanto vai de subsídio para cada tipo de veículo é função diretamente proporcional à quantidade de poluentes que ele emite – quanto mais limpos são os ônibus, mais recursos eles recebem do governo.

À semelhança do Brasil, o transporte em ônibus na capital britânica é operado por empresas privadas, escolhidas em processo licitatório. Além de subsidiar o estímulo à substituição da frota por modelos menos poluentes, o governo londrino subsidia também o preço das tarifas.

Dados do Departamento de Transportes da Inglaterra dão conta que apenas nos quatro primeiros anos do programa já foram concedidos em todo o país 86 milhões de libras (quase R$ 500 milhões) em subsídios para estimular as trocas por ônibus com baixa emissão de dióxido de carbono. Estes recursos permitiram que fossem adquiridos 1,2 mil veículos mais limpos, o que redundou na redução de 28 mil toneladas de dióxido de carbono/ano. Para o segundo semestre de 2016 foram anunciados mais 30 milhões de libras (cerca de R$ 150 milhões) para a troca por veículos mais limpos. Recentemente o governo londrino ofereceu mais 100 milhões de libras (cerca de R$ 500 milhões), não apenas para o programa de ônibus com baixa emissão, como também para táxis.

O programa, que atingiu já a marca de 9,5 mil veículos, começou em 2009 com o uso de tipos de diesel menos poluentes. Na sequência vieram os ônibus híbridos. Atualmente, cerca de 28% dos ônibus do transporte público da capital inglesa são híbridos, e a meta é elevar este percentual para no mínimo 35% em 2019. Em 2016, o Reino Unido estabeleceu novas metas com vistas a um transporte público livre de poluentes.

O sucesso do programa de renovação da frota de ônibus levou Londres à liderança no ranking das cidades que aderiram ao programa, com 48% dos ônibus operando já com energias alternativas.

DADOS DA TRANSPORT FOR LONDON:

A rede de ônibus de Londres transporta 2,3 bilhões de passageiros por ano – mais do que o resto de toda a Inglaterra.

A capital inglesa possui Zonas de Ônibus de Baixa Emissão, onde a TfL determina que a operação seja feita com o uso exclusivo de ônibus com motores de tecnologia avançada e sistemas de escape que atendam ou ultrapassem os mais altos padrões de emissões Euro VI.

A primeira zona foi introduzida em março de 2017, seguida por uma segunda Zona de Ônibus de Baixa Emissão entre Brixton Road e Streatham High Road em dezembro de 2017.

São no total 12 zonas, programadas para serem concluídas até 2019. Elas formam uma parte central dos planos de longo alcance da prefeitura que visam a uma drástica limpeza do ar tóxico de Londres.

No centro da capital inglesa os ônibus elétricos funcionam atualmente em 4 linhas (routes):

507 – Waterloo station / Victoria bus station

521 – Waterloo station / London Bridge station

360 – Elephant & Castle / Prince Consort Road

153 – Finsbury Park Interchange and Finsbury Park

Nas rotas 507 e 521 os ônibus elétricos têm painéis que informam em tempo real quanto tempo resta até a próxima parada, bem como atualizações de status online em outras partes da rede. A maioria dos ônibus elétricos nessas rotas tem portas USB úteis para que o usuário possa carregar seu ceular.

A rota RV1 – Covent Garden / Tower Gateway station é toda com ônibus a hidrogênio.

Outras rotas fora do centro de Londres também operam com ônibus elétricos, incluindo:

98 – Willesden bus garage / Red Lion Square

108 – Stratford International station / Lewisham station

312 – South Croydon bus garage / Norwood Junction station

H98 – School Road / Wood End Green Road

(Fonte: site da TfL)

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Diego Fontanna disse:

    Só no Brasil que temos que andar em ônibus ligados a redes e que vive dando panes de energia, a metra e a ambiental deveriam fazer parcerias com a Byd ja que não tem engenheiros capacitados para elaborar tal tecnologia.

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