Como “nasciam” os ônibus e caminhões nos primeiros anos de Mercedes-Benz no Brasil
Publicado em: 10 de junho de 2018
Vídeo histórico mostra a exaltação pelo rodoviarismo e as linhas de produção do Monobloco O-321 e dos caminhões 312
ADAMO BAZANI
A partir dos anos 1950, mais intensamente nos anos 1960, com a influência de multinacionais, o Brasil passou a adotar uma política rodoviarista.
O processo ajudou a alavancar o desenvolvimento industrial e a urbanização, em especial na Capital Paulista, e nos municípios da região do ABC.
O aspecto negativo foi o sucateamento das ferrovias. Mas isso ocorreu por uma opção apontada como equivocada do governo brasileiro, à época.
Isso porque, os países onde estão as sedes das multinacionais automotivas, têm amplas e fortes redes ferroviárias.
A expansão das rodovias e dos automóveis não precisava necessariamente anular a continuidade do crescimento das ferrovias.
A indústria de carros, caminhões e ônibus queria desde os primeiros anos de instalação no Brasil mostrar sua força, contribuição para a modernização das cidades e sua tecnologia. E, claro, a exaltação do modelo rodoviarista não podia faltar.
O vídeo do início dos 1960, produzido pela Jean Manzon Filmes S.A., sobre a Mercedes-Benz , mostra de maneira bem clara esta “nova ordem” econômica, urbanística e de marketing.
Imagens bem produzidas mostram a linha de dois modelos de caminhões e do pioneiro ônibus Monobloco da Mercedes-Benz no Brasil, o confortável, para os padrões da época, Monobloco O-321, ou popularmente chamado de “bicudinho” ou “Super B”.
A planta da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, foi inaugurada oficialmente em 28 de setembro de 1956 com a presença do presidente Juscelino Kubitschek.
Veja matérias históricas:
Passando a imagem de que a indústria automotiva trazia para o Brasil o “melhor do mundo”, o vídeo diz que os modelos de ônibus e caminhões produzidos na planta de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, tinham a mesma qualidade dos veículos pesados fabricados na Alemanha.
O movimento de prensas, pistões e máquinas das linhas de produção parecem ser harmônicos com a música de fundo, assim como a partida de ônibus e caminhões perfilados, como se a música fosse feita para a máquina e vice-e-versa.
O Brasil é um país de grandes dimensões, hoje predominantemente urbano, mas ainda com locais sem a mínima infraestrutura de fato. Se atualmente é assim, imagine nos anos 1960, quando ainda a porção urbana do Brasil era minoria.
O misto de necessidade de veículos que tinham de se dar bem nas ruas, avenidas e rodovias, precisando entregar conforto e desempenho, mas também que precisam ser eficientes nas más condições de estradas de terra e áreas de construção pesada, foi atendido pela Mercedes-Benz pelos seus campos de testes.
As imagens mostram caminhões e ônibus, em alta velocidade, em pistas de testes bem pavimentadas, como se fossem autódromos, mas, também um campo especial de provas onde os caminhões mais robustos enfrentavam terrenos irregulares, morros e obstáculos naturais, quase “subindo paredes naturais”.
A narração foi feita em inglês. Era um vídeo internacional que servia não só de propaganda da empresa, mas do País.
Ao final, a narração ainda cita outras montadoras importantes como FNM e Willys Overland do Brasil, com uma imagem que não deixava dúvidas: São Paulo já tinha crescido, mas se expandiria ainda mais.
É um material histórico que vale a pena ser regatado.
Só pedimos a honestidade de nossos leitores em compartilhar todo o link da matéria, com o texto e vídeo juntos. Valoriza e incentiva nosso trabalho de pesquisa. Imagens são muito legais, com informações junto, são ainda melhores.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

