Em volta às aulas, estudantes da UFABC relatam problema com Passe Livre de Santo André

Estudantes também afirmam que não conseguem ficar na universidade após o horário das aulas para fazer atividades extracurriculares, por limitação do Passe Livre. Foto: Adamo Bazani

Cartão parou de funcionar e estudantes tiveram que comparecer à Aesa para realizar desbloqueio

JESSICA MARQUES

No início desta primeira semana de junho de 2018, os estudantes da UFABC retornaram às aulas, após um período de férias, pois na universidade, os cursos são quadrimestrais. Os alunos que utilizam os ônibus municipais de Santo André tiveram uma surpresa desagradável ao passar pela catraca do ônibus: o Passe Livre não funcionou.

O cartão sempre é bloqueado no período de férias e volta a funcionar automaticamente, contudo, neste mês, os alunos tiveram que comparecer à Aesa (Associação das Empresas do Sistema de Transportes de Santo André) para voltarem a ter acesso ao benefício.

A Aesa fica na Avenida Industrial, 600, Bairro Jardim, em Santo André. Nas dependências do Grand Plaza Shopping, há pouco mais de 1,5 km do campus do Bairro Bangu da UFABC.

“A Aesa já tem as datas da UFABC, para o início e final dos três quadrimestres do ano. Quando vira o ano, a gente tem que fazer um recadastramento, pagar um valor e o cartão passa a funcionar. Sempre foi assim: acabou o primeiro quadrimestre, o cartão bloqueia; começou o segundo quadrimestre, o cartão volta a funcionar. Sempre foi assim e essa foi a primeira vez que começou o segundo quadrimestre e o cartão não tinha voltado a funcionar. A gente precisou ir lá pedir para eles arrumarem isso. Sempre foi automático” – explicou o estudante Lucas Carollo de Almeida, 23 anos.

O aluno afirmou ainda que não houve mudança de turno neste quadrimestre, com relação aos primeiros quatro meses letivos do ano. “Só temos que ir lá [na Aesa] para mostrar a grade se tivermos aula em mais de um turno, necessitando então de uma extensão do horário ou até cotas duplas” – disse Almeida.

Como o estudante não teve nenhuma alteração de horários de aula, não imaginou que teria problemas. “Fui usar o cartão normalmente, esperando que fosse o Passe Livre. Eis que os cartões estão travados. Eles não liberam e não avisaram que iriam bloquear” – contou.

O aluno e outros colegas conseguiram a liberação do benefício após comparecerem à Aesa para informar que o cartão não estava funcionando. Alguns estudantes ainda não conseguiram resolver o problema, pois o atendimento só funciona em horário comercial. Com isso, seguem pagando a tarifa cheia, de R$ 4,20.

Em nota, a Prefeitura de Santo André, por meio da Aesa, informou que “não houve bloqueio do benefício dos estudantes, o que ocorreu foi o início de um novo quadrimestre dos estudantes da UFABC”.

Quando questionada sobre os desbloqueios automáticos do benefício, a Aesa informou que “os cartões são desbloqueados automaticamente, mas cada aluno da UFABC possui uma grade diferenciada, então é responsabilidade do aluno se dirigir à Aesa comprovar a atual situação dele. Não necessariamente os dias de aulas que o aluno tinha no quadrimestre passado ele terá esse quadrimestre”.

RENOVAÇÃO ANUAL

Apenas no fim de cada ano há a necessidade de comparecimento à Aesa para recadastramento do Passe Livre. “Como a UFABC abre uma vigência anual, os alunos têm necessidade de se recadastrar no início do ano apenas pelo PORTAL CADES” – informou a Aesa.

O valor da taxa de renovação é de 5 tarifas vigentes, que deve ser paga no ato do cadastro ou via boleto no momento do recadastramento.

LIMITAÇÕES DO PASSE LIVRE

Além do problema pontual que os alunos enfrentaram neste mês, uma grande reivindicação é que o Passe Livre não seja tão limitado. Segundo a presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFABC, Sara Lorena dos Santos, quando os alunos precisam fazer atividades extracurriculares, precisam pagar outra passagem.

Sara contou que o período de utilização do Passe Livre é de duas horas antes e duas horas após a aula. A presidente do DCE considera a limitação prejudicial para os alunos.

“Quando se trata das exatas, os experimentos, os laboratórios, exigem que você fique lá um tempo maior. Que você se dedique mais. Para isso a gente tem uma estrutura pensando nesse fator. Por outro ponto de vista, também existem as pessoas que não têm computadores em casa. Então, não tem como a pessoa se dedicar estando em casa. Eu sou uma dessas pessoas. Então, para poder utilizar a estrutura da UFABC, eu precisaria ficar lá muito mais do que esse limite que o Passe Livre impõe para a gente” – disse.

Com isso, os estudantes não conseguem ficar na universidade após o horário das aulas para fazer atividades extracurriculares, estudos ou desenvolvimento de projetos em grupo.

O limite mensal do Passe Livre funciona avaliando a quantidade de aula que nós teremos. Na visão de Sara, a limitação dos dias de utilização do benefício já evitaria o uso indevido para fins de lazer, por exemplo, uma vez que o cartão não funciona aos fins de semana e feriados.

LEVANTAMENTO

Frente a essas dificuldades, o DCE realizou uma pesquisa e constatou que 77,6% dos alunos que participaram do levantamento não conseguiram o Passe Livre após o período letivo, para a realização de outras atividades voltadas à universidade.

Os alunos também ressaltaram que o Passe Livre não é válido para dias de reposição de aulas. Quando for o caso, é preciso que a passagem seja paga do próprio bolso.

Outro problema é que alguns estudantes têm matérias nos períodos matutino e noturno. Neste caso, muitos relataram, na pesquisa, não terem conseguido obter cotas duplas ou passe integral. Por esse motivo, acabam tendo que pagar a ida ou a volta para a universidade, mesmo se decidirem passar o dia todo na UFABC, pois o benefício é limitado a apenas um período.

Sobre essa demanda dos estudantes, a Aesa informou que “os créditos eletrônicos gratuitos serão concedidos aos estudantes em quantidade suficiente para suprir a necessidade, devidamente comprovada, de locomoção diária de ida e volta do estabelecimento de ensino, nos dias letivos de cada mês, no transporte coletivo municipal”.

A associação esclareceu ainda que não existe nenhum tipo de subsídio às empresas de ônibus para o Passe Livre Estudantil em Santo André.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

2 comentários em Em volta às aulas, estudantes da UFABC relatam problema com Passe Livre de Santo André

  1. Esse sistema de limitação horária se é ruim para a graduação, é pior ainda para os mestrandos e doutorandos, por estarem no campus independentemente se há disciplina ou não. A AESA absolutamente ignora o que é um stricto sensu.

  2. Valdir Antônio horacio // 6 de junho de 2018 às 20:25 // Responder

    Tem que tirar sr ronam Maria pintor à frente aesa parece um caixa dois cande prefeito Paulo serra tem que tirar consórcio união santo andre urgente

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