Federação dos Petroleiros recomenda suspensão da greve após aumento de multa diária pelo TST

CUT recomendou sindicatos a suspenderem movimento. Foto: Roberto Parizotti/ Secom CUT (arquivo)

Sansão subiu de R$ 500 mil por dia para R$ 2 milhões

ADAMO BAZANI

A Federação Única dos Petroleiros – FUP orientou a categoria a suspender a greve.

A decisão da entidade sindical ocorre depois de o TST – Tribunal Superior do Trabalho atender em parte ação da AGU – Advocacia Geral da União e elevar a multa diária de R$ 500 mil para R$ 2 milhões.

A AGU queria que a multa fosse de R$ 5 milhões.

A advogada geral, Grace Mendonça, em seu pedido, disse que a FUP menosprezou a justiça ao não acatar a primeira decisão do TST que proibia a greve e determinava a multa de R$ 500 mil.

“… menosprezo das entidades sindicais não somente pelo ordenamento jurídico, na medida em que a deflagração do movimento paredista é flagrantemente ilegal, mas também pelo cumprimento de decisão emanada pelo Poder Judiciário (…) Causa perplexidade que, com o desrespeito a uma ordem judicial, as entidades sindicais simplesmente desafiem o Poder Judiciário ensejando insegurança jurídica e pondo à prova a própria credibilidade de um Poder do Estado “.

A volta ao trabalho, entretanto, deve ser gradual e os sindicatos em cada estado vão se portar de maneira diferente. Na quarta-feira os Petroleiros tinham iniciaram uma greve que deveria ser de 72 horas

Em nota, a FUP criticou a decisão do TST, mas pediu que os sindicatos peçam aos trabalhadores para retomarem as atividades.

A decisão do TST é claramente para criminalizar e inviabilizar os movimentos sociais e sindicais. Diante disso, a FUP orienta os sindicatos a suspenderem a greve. Um recuo momentâneo e necessário para a construção da greve por tempo indeterminado, que foi aprovada nacionalmente pela categoria. Essa grave violação dos direitos sindicais será amplamente denunciada.

Estamos diante de mais um desdobramento do golpe que fragiliza cada vez mais as instituições e o Estado Democrático de Direito. O enfrentamento é de classe e precisa da união de toda a sociedade.

A pauta pela mudança da política de preços da Petrobrás é de todos os brasileiros, pois diz respeito à luta histórica contra a exploração do país, que desde os tempos de colônia vem tendo seus bens minerais espoliados pelas nações imperialistas. É assim que ocorre ainda hoje com o nosso petróleo. E por isso, a população está pagando preços absurdos pelo gás de cozinha e pelos combustíveis.

Os petroleiros saem da greve de cabeça erguida, pois cumpriram um capítulo importante dessa luta, ao desmascarar os interesses privados e internacionais que pautam a gestão da Petrobrás.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.

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