Deputados do Acre realizam audiência pública para debater aumento da tarifa de ônibus da capital Rio Branco

Foto: jornal Acre 24 Horas

Presidente da Comissão de Serviço Público da Assembleia questiona gastos apresentados pelas empresas de transporte

ALEXANDRE PELEGI

O presidente da Comissão de Serviço Público da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Eber Machado, informou ontem, terça-feira (22), que não foi atendido em sua solicitação para acessar as planilhas das empresas de transporte de passageiros da capital Rio Branco.

Essas planilhas orientaram a decisão do Conselho Municipal de Transportes Públicos, que indicou que a passagem dos ônibus da capital acreana deve ser reajustada para R$ 4,03. Atualmente, a tarifa é de R$ 3,50. O valor proposto inicialmente pelas empresas era de R$ 4,50.

O deputado informou, no entanto, que conseguiu cópias dos documentos que apresentam as despesas do setor, mas sem os devidos comprovantes de pagamento.

Esse é o primeiro ano em que o Conselho Municipal de Transportes Públicos terá poder de decidir o valor da tarifa sem a intervenção dos vereadores. Isso ocorre agora graças à decisão da Câmara, de dezembro de 2017, que aprovou projeto de lei que designa essa função ao conselho.

Alguns deputados, no entanto, questionam o aumento.

O presidente da Comissão de Serviço Pública da Aleac, deputado Eber Machado, disse em plenário: “Já tivemos o anúncio da previsão do valor da passagem de ônibus que passará a custar R$ 4,03. Recebi muitas mensagens e até áudios de membros do conselho tarifário que não participaram da decisão. Na verdade, essa reunião se resumiu em 4 ou 5 participantes que decidiram. Não sou especialistas na área, mas solicitamos as planilhas e não recebemos. Aprovamos o requerimento para realizar a audiência pública para debater esse aumento da passagem”.

O parlamentar se refere à audiência pública que será realizada nesta quarta-feira, dia 23 de maio, às 15 horas, para esclarecer as planilhas das empresas de transporte.

O parlamentar questiona os comprovantes de pagamentos do setor, como o valor de R$ 2,2 milhões de combustível por mês; gastos com peças de reposição, R$ 413 mil; gastos de R$ 247 mil de aluguel de veículo de apoio; gasto com aluguel de sala no Terminal Urbano para o setor da bilhetagem, por R$ 60 mil mensais.

O deputado também questiona o pagamento de ISS no valor de R$ 577 mil. “Que ISS é esse se as empresas têm mais de 9 milhões de isenção por ano? Se tiver comprovação que eles estão corretos, nós voltamos a tribuna com a mesma firmeza para fazer as correções necessárias”, afirmou o parlamentar.

Para a audiência pública na Aleac estão convidados todos os integrantes do Conselho Tarifário, representantes das Empresas, Rbtrans (Superintendência de Trânsito de Rio Branco) e a sociedade.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rogerio Belda disse:

    Não é uma resposta – É uma indagação que me acompanha: Porque tarifa dos transportes coletivos urbanos é um tema socialmente tão explosivo? Uma pista parece estar no dito popular dos parisienses sobre a “servidão urbana”: METRÔ+BOULOT+DODO ( em uma tradução canhestra: transporte – trampo – travesseiro )

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