HISTÓRIA: Volvo ECB Concept, um ônibus conceito de 1995 que ainda é novidade para o Brasil

Design do ônibus é um dos pontos que chamava a atenção

Veículo elétrico-híbrido, com acessibilidade, silencioso …  fatores que ainda não são realidade do transporte urbano no Brasil em 2018

ADAMO BAZANI

Veículos-conceito. O nome já diz. São modelos que incorporam conceitos de modernização sobre diversos aspectos: design, desempenho, emissões, conforto e segurança. É o pensar no futuro já estudando no presente.

Os veículos-conceito são bem famosos no mercado de carros de passeio, em especial nos principais salões de automóvel do mundo.

Mas entre os ônibus também há exemplos de conceitos que se tornaram famosos e que ajudaram e muito no desenvolvimento da indústria.

Um deles é o sueco Volvo ECB Concept, de 1995.

O veículo já trazia soluções que ainda não fazem parte de toda a realidade dos transportes nas cidades brasileiras.

Com carroceria mais leve devido ao emprego maior de materiais como fibra e alumínio, o ônibus tinha um motor elétrico: não emitia nenhum poluente e o nível de ruído era baixo.

Hoje, principalmente no Brasil, mesmo com o desenvolvimento de novos modelos, as indústrias, operadores e poder público não entram em consenso em questões como viabilizar carregamento de baterias em grandes frotas e, em especial, como financiar os investimentos em frota mais limpa, que requer infraestrutura e o custo de aquisição é maior.

O ônibus Volvo ECB – Environmental Concept Bus – tinha turbinas semelhantes às usadas nos caças da Força Aérea da Suécia, que geravam energia para as baterias e motor elétrico.

O modelo-conceito tinha já na época sistema de “ajoelhamento”, com a suspensão baixando o ônibus na hora do embarque e desembarque. Isso já existe na indústria, mas também não está presente em todos os modelos, principalmente nos urbanos.

O veículo para o transporte urbano ou intermunicipal  custou US$ 7 milhões na época e foram necessários 18 meses para a fabricação.

Por dentro, conceitos da aviação, como vidros que não se estilhaçam e iluminação melhor distribuída.

Em 1997, o ônibus esteve no Brasil, em Curitiba, onde circulou em algumas linhas, e em São Paulo para uma exposição.

O leitor Leandro Machado de Castro esteve no Museu da Volvo, sede da fabricante, em Gotemburgo, na Suécia, em junho de 2017.

O modernista ônibus está preservado e Leandro compartilha as imagens que fez com os leitores do Diário do Transporte.

Design não pensa apenas em estética, mas testou conceitos de aerodinâmica.
Foto: Leandro Machado de Castro – Texto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – mantenha os créditos

Motorista fica posicionado ao meio da parte dianteira, com cabine isolada

Interior foi projetado para ser funcional, com corredor mais largo, sem, para isso, usar poltronas estreitas e desconfortáveis. Muito pelo contrário, ergonomia dos assentos foi um dos pontos levados em conta no ECB

Interior com requinte para o transporte urbano. Telão serve de entretenimento, mas também com possibilidade de uso com informações sobre o trajeto

Acessibilidade, com piso baixo, foi a solução proposta pelo modelo

Além de telão, display eletrônico para informação aos passageiros

Não apenas o piso baixo com rampa, integral neste ônibus, mas largura das portas facilita também a acessibilidade Foto: Leandro Machado de Castro – Texto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – mantenha os créditos

Na capital paranaense, a RPCTV, filiada da TV Globo, fez uma reportagem sobre o modelo e havia a previsão de que ônibus deste tipo estariam em circulação dentro de um período de 20 ou 30 anos … Passados 21 anos, a capital paranaense teve de fazer acordo com as empresas para renovarem a frota, que estava sem novos ônibus desde 2013, e ainda discute motor central X motor dianteiro em ônibus biarticulados, ambos movidos com o arcaico diesel.

O diretor de marketing da Volvo do Brasil na época, Oswaldo Shimitt, disse que também esperava que em 20 ou 30 anos, as condições das vias brasileiras poderiam receber este modelo diferenciado … mas em 2018, ainda tem ônibus que quebra o feixe de mola na rua, e não é somente em locais afastados, mas nas grandes capitais.

O diretor também disse que em 20 ou 30 anos era bem provável que os postos de combustíveis em vez de colocarem diesel nos ônibus teriam de dar uma carga de energia elétrica…. Mas em 2018, o Brasil discute quando entrará a norma Euro 6 para os motores a diesel.

Acompanhe o vídeo, mas seja honesto, compartilhe este link do texto, que tem o do vídeo. Fizemos uma pesquisa para trazer os dados. Imagem é legal, com informação é muito melhor.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

4 comentários em HISTÓRIA: Volvo ECB Concept, um ônibus conceito de 1995 que ainda é novidade para o Brasil

  1. Dizer que um motor à Reação como este que equipa o ônibus não polui é brincadeira né? Não tem nenhum tipo de pós tratamento de gases, e inúmeras vezes mais ruidoso e em marcha lenta gasta muito mais combustível que um ciclo Diesel. No mais dizer que por exemplo um Marcopolo atual articulado com câmbio automático de 6 marchas é barulhento é porque não andou em um desses.

  2. Nem mesmo os corredores onde esses veículos poderiam operar são respeitados, como convencer as empresas a colocar veículos tão caros em circulação.
    https://globoplay.globo.com/v/6739042/?glbapp=g1MobApp%20android-4.31.0&gaclientid=cf6fe98704f40228

  3. Então vamos deixar como está, com ‘caminhônibus’ toscos e poluentes levando gente como gado em vias esburacadas, pois assim é mais rentável para frotistas e políticos… ‘Laissez Faire!’

  4. SDTConsultoria em Transportes // 21 de maio de 2018 às 15:33 // Responder

    Cultura é a forma com que fazemos aquilo que divulgamos. Divulgamos a necessidade de produzirmos meio/ métodos de produzirmos veículos menos poluentes desde 1.998. Neste ano avaliamos o B20 e a mistura MAD11. B20 significa adicionarmos ao diesel 20% de ESTER DE SOJA , MAD11 significa usarmos 11% de alcool ao diesel. Pois bem em 1.998 os grupos de trabalho composto pelos empresários de transporte urbano de Curitiba, o órgão gerenciador do sistema , 03 montadoras ( Volvo, Mercedes e Scânia ) , Ocepar, Ministério Ciência e Tecnologia, Bosch, Tecpar, Texaco,Castrol… ( espero não estar esquecendo de alguém ) desenvolveram todo um trabalho de avaliação técnica do impacto destas misturas em relação ao desempenho , opacidade e o impacto nas tarifas. Os resultados foram apresentados de forma oficial e pasmem é VIÁVEL. Na época não haveria necessidade de grandes alterações sob o ponto de vista construtivos, hoje usamos 5% de biodiesel… De novo cultura é a forma como FAZEMOS aquilo que divulgamos… Quando o nosso Brasil ( Políticos nos âmbitos municipal, estadual e federal – Legislativo e Executivo ), sairem do circuito e permitirem que gente séria conduzam os processos e que haja uma linha de crédito específica para isto….

Deixe uma resposta para SDTConsultoria em Transportes Cancelar resposta

%d blogueiros gostam disto: