Teresina anuncia pioneirismo no uso de tecnologia ‘blockchain’ no transporte público

Foto: Marcelo Cardoso / GP1 - Teresina

Projeto denominado “Observatório da Mobilidade: blockchain para a co-gestão do transporte público” foi selecionado pelo Fundo Europeu para o Clima e receberá  investimento de 300 mil euros

ALEXANDRE PELEGI

A prefeitura de Teresina divulgou em seu site, nesta semana, que a capital do Piauí será pioneira mundial no uso da tecnologia Blockchain para gestão do transporte público.

O sistema blockchain, em tradução “cadeia de dados”, é uma forma de validar informações e transações, como se fosse um grande “livro de registro”, informa a prefeitura.

Na nota publicada no site oficial do município, a prefeitura diz que, por meio desse sistema, “a capital piauiense armazenará de maneira digital, segura, eficiente, em único lugar e acessível à população, todas as informações relativas ao transporte coletivo, como cumprimento de ordens de serviço e relatórios de viagens, dentre outras. O objetivo é melhorar os serviços e aproximar a sociedade de processos de tomada de decisão na gestão pública, proporcionando uma comunicação confiável e direta”.

A iniciativa de aplicar a tecnologia blockchain no transporte público foi desenvolvida pela Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação (Semplan) e Agenda 2030, em parceria com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito e a Organização dos Estados Americanos (OEA), por meio de sua Escola de Governo Aberto, e com a Fundação Hyperledger.

O projeto, denominado “Observatório da Mobilidade: blockchain para a co-gestão do transporte público”, foi selecionado pelo Fundo Europeu para o Clima e receberá o investimento de 300 mil euros. Como se trata de uma estratégia inédita de urbanismo, a proposta pode se beneficiar do apoio das agências implementadoras do programa Euroclima+, assim como dos fundos da União Europeia, informa a prefeitura.

A coordenadora da Agenda 2030 em Teresina, Gabriela Uchoa, afirma que a Prefeitura de Teresina “tem feito todo o investimento na parte de infraestrutura, como construção de terminais e corredores, então a gente precisa saber se a operação do sistema deles está adequada e como é que a gente faz o controle da operação. A administração municipal já faz esse monitoramento, mas buscamos algo mais tecnologicamente evoluído. Então elaboramos uma proposta que pudesse melhorar o transporte público na sua gestão”.

“Esse projeto inovador de Teresina que sistematiza essa gestão da operação e faz ela transparente, aberta para população, num sistema que é o blockchain, que não pode ser modificado, alterado. Qualquer modificação que é feita é rastreada. A ideia é que se crie um comitê de co-gestão e monitoramento desses dados e validação deles e toda essa parte de funcionamento que envolve o transporte coletivo seja monitorado através do sistema blockchain“, explicou a coordenadora da Agenda 2030.

A intenção da prefeitura é transformar Teresina em “cidade inteligente, do futuro e sustentável”.

A aposta da administração municipal é que o blockchain no transporte público trará para o município “o aumento da confiabilidade entre os envolvidos no sistema de transporte e melhora do serviço; o compartilhamento de responsabilidades pelo bom funcionamento do transporte público e aumento de sua eficiência; além da priorização de que o transporte público tenha impacto na redução da emissão de gases de efeito estufa”.

FUNCIONAMENTO DO BLOCKCHAIN

No site da Prefeitura há uma explicação sobre o funcionamento da tecnologia inovadora:

Blockchain refere-se a registros digitais distribuídos. Uma de suas características é o seu mecanismo de gerar acordo ou consenso acerca de uma nova transação. Cada nova informação gerada sobre um tema aparece como um novo “bloco” em uma cadeia de informações. A incorporação do bloco à cadeia é a forma como se validam as transações. A validação de informação é feita pelos participantes de uma rede por meio de votação, assinatura digital ou similar.

Isso significa que nenhuma informação pode ser alterada sem que todos os envolvidos que compõem a rede tenham conhecimento desta alteração. Incorporar o blockchain a temas complexos como a gestão de sistemas urbanos, por exemplo, significa aumentar a transparência e, consequentemente, a eficácia da operação destes sistemas.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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