Ônibus: Mercedes-Benz cresce acima da média do mercado, mas acredita em recuperação plena em cinco anos para todo o setor

Mercado de rodoviários é o que tem maior crescimento, mas em volume, ninguém alcança os urbanos. Mercedes-Benz respondeu entre janeiro e abril por 82,2% do segmento – CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

Enquanto emplacamentos de todos as marcas somaram alta de 46% no primeiro quadrimestre, fabricante de São Bernardo do Campo registrou alta de 95% das vendas

ADAMO BAZANI

Um ano de oportunidades.

É assim que a direção da Mercedes-Benz do Brasil classifica 2018.  Com algumas cautelas, de olho principalmente no cenário político, ciente de que todo o crescimento até agora é sobre uma base retraída, mas com otimismo tendo como base as previsões dos principais indicadores: crescimento do PIB – Produto Interno Bruto de até 2,6%;  taxa básica de juros de 6,25% e inflação que deve ficar em torno de 3,5% a 4,5%.

Não bastassem os indicadores macroeconômicos, há fatores específicos de cada segmento de ônibus que podem contribuir para um ano positivo.

O diretor de Vendas e Marketing de Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Walter Barbosa, conversou com o Diário do Transporte sobre mercado.

O executivo acredita que neste ano, o mercado de ônibus deve crescer em torno de 20%. Mas este crescimento ocorre sobre números extremamente retraídos, por causa da crise econômica entre o final de 2013 e o segundo semestre de 2017.

Os resultados vão ser positivos, mas para recuperar o patamar considerado habitual do mercado de ônibus, ainda vai demorar cerca de cinco anos, segundo Barbosa

“Tínhamos, antes de 2016, uma média de em torno de 26 mil a 30 mil unidades/ano. No ano de 2016, atingiu-se o patamar mais baixo dos últimos 20 anos e deu um mercado total de 10.300 unidades. No ano de 2017, esse mercado já sobe para 11.400 unidades e esse ano estimamos, como disse anteriormente, algo em torno de 13, 14 mil. Então, o pior momento acho que já foi. O nosso país é cíclico, então a cada cinco, oito anos, sempre tem uma variação ou para mais ou para menos do nosso mercado. Acho que agora a gente entra em um ciclo crescente de novo e nos próximos cinco anos, a gente deve atingir um patamar na casa de 20 a 22 mil carros [ônibus] por ano. O que eu acredito ser bastante factível e sustentável”. – disse Walter Barbosa.

Diretor de vendas e Marketing da Mercedes-Benz, Walter Barbosa, analisa número de mercado.

O volume de 26 a 30 mil do pré-crise também não pode ser considerado um parâmetro. Isso porque, estes números foram acima da média habitual do mercado, por diversos fatores, como as aquisições de ônibus escolares, pelo Programa Caminho da Escola, que representaram 10 mil unidades, o PSI – Programa de Sustentação de Investimento, cujos juros eram de 2,5% ao ano, e, também, renovações antecipadas que as empresas fizeram para escapar dos preços maiores dos ônibus com tecnologia de redução de poluição Euro V, que entrou em vigor em 2013. Até março de 2013, as montadoras podiam vender os modelos Euro III, mais poluentes, porém, mais baratos.

MAIS QUE O MERCADO:

Não apenas as estimativas são positivas. Os números já consolidados mostram resultados bastante favoráveis.

A Mercedes-Benz diz que seu crescimento no primeiro quadrimestre de 2018, em relação à semelhante período de 2017, foi maior do que a média registrada em todo o mercado.

Enquanto, segundo dados do Renavam, as vendas de ônibus subiram no acumulado do ano, entre janeiro e abril, 46%, com 3.593 unidades, a Mercedes-Benz diz que registrou crescimento de 95% nas vendas, respondendo por uma fatia de 62% do mercado geral acima de 8 toneladas, com 2.217 unidades.

ANÁLISE DOS SEGMENTOS:      

Cada segmento teve um desempenho diferente, na média geral do mercado, com destaque para os ônibus rodoviários, cujas vendas cresceram 181% no primeiro quadrimestre de 2018 em relação ao mesmo período de 2017.

O mercado de ônibus urbanos teve expansão de 73% entre janeiro e abril de 2018, o de ônibus de fretamento cresceu 91% no período. Já as vendas de micro-ônibus cresceram 60% e as de ônibus escolares ficaram 67% mais baixas entre janeiro e abril de 2018 na comparação com o primeiro quadrimestre de 2017.

Além dos aspectos macroeconômicos, cada segmento deve ter sua conjuntura específica analisada.

No caso dos rodoviários, há uma recuperação de demanda e a antecipação de renovação de frota por causa do início, em julho, da obrigatoriedade de os veículos saírem de fábrica com plataformas elevatórias para que o usuário de cadeira de rodas tenha plena acessibilidade. A obrigatoriedade deveria entrar em vigor em 2015, mas pressões de empresas de ônibus atrasaram a implantação da norma. Com a plataforma, os ônibus devem ficar em torno de 15% a 30% mais caros e as viações querem escapar dos preços maiores.

Já no caso dos urbanos, há a recuperação de demanda em alguns sistemas e o período eleitoral, que influencia nas renovações. A maior parte dos transportes por ônibus urbanos no país é gerenciada pelos municípios e operada por empresas privadas. As eleições são estaduais, mas a qualidade dos transportes pode novamente influenciar o humor do eleitor. E, como há candidatos indicados por prefeitos e vereadores (isso quando não são eles mesmos que estão se candidatando), os empresários são “estimulados” a comprar ônibus novos.

Em relação aos ônibus fretados, a leitura feita pelo mercado é que a procura maior por veículos novos ocorre por causa do aquecimento de algumas atividades econômicas. Apesar da importância do turismo para o fretamento eventual, a demanda maior de veículos é para o fretamento contínuo, o que é feito para as indústrias e serviços. Se a indústria produz mais, contrata mais e vai precisar de mais ônibus para transportar seus funcionários.

Outra característica positiva é que este movimento dos fretados não tem ocorrido apenas para renovação da frota atual, mas para a expansão do total da frota.

Sobre os micro-ônibus, o segmento reúne alguns dos fatores do que ocorre com os urbanos e de fretamento. No caso dos urbanos, destaque para a renovação de frota de sistemas locais de alimentação de ônibus maiores e de trens e metrô.

Os ônibus escolares, apesar da queda no quadrimestre têm uma boa perspectiva. A licitação do Programa Caminho da Escola, do Governo Federal, que autorizou a compra de uma grande quantidade de ônibus.

No entanto, Walter Barbosa, faz uma ressalva.

“Não é que vai vender estes 8,5 mil ônibus de uma vez. Os veículos foram licitados e as prefeituras e estados agora podem se habilitar para comprá-los. Na prática, são efetivadas vendas entre 60% e 70% do volume total licitado e as compras devem ocorrer entre este segundo semestre e o primeiro semestre de 2019. É um volume bom, que vai dar em torno de 2,5 mil a 3 mil escolares por ano” – disse o diretor de vendas de ônibus da Mercedes-Benz. A marca foi habilitada para vender 1,6 mil ônibus escolares.

O Programa Caminho da Escola foi lançado em 2007 pelo Governo Federal para facilitar o acesso de estudantes em regiões rurais e distantes dos grandes e médios centros urbanos, sem infraestrutura. Tanto é que os micro-ônibus e ônibus médios são mais robustos, com eixos, molas e ângulos de carroceria diferenciados para passarem por vias de terra e até corredeiras.

Nesta licitação de 2017, entraram neste mercado mais dois tipos de ônibus escolares para o Programa. Um de dimensões intermediárias, que será fornecido pela Mercedes-Benz, e outro para uma versão urbana do Caminho da Escola. A outra fornecedora será a MAN – Volkswagen, que vai comercializar duas versões de rurais e o urbano do Caminho da Escola.

Desde 2007, foram comercializados 50 mil ônibus escolares no âmbito do Programa, mas tem muita criança ainda sendo transportada de maneira insegura pelo Brasil. A demanda ainda é grande, isso sem contar as frotas que já foram compradas e precisam ser renovadas.

“Uma questão que o debatemos com o Governo Federal e que deve mudar, é que não existe uma lei ainda que exija uma renovação de frota para o Caminho da Escola ou uma idade máxima permitida, como ocorre com os sistemas urbanos” – disse Walter Barbosa.

Na apresentação, o executivo disse que a Mercedes-Benz teve aumento de participação em todos os segmentos.

A marca só não lidera entre os micro-ônibus, segmento no qual tem participação de 24,3%.

O segmento de urbanos é o destaque para a Mercedes-Benz, com 82,2% do mercado. A Mercedes-Benz diz que respondeu no primeiro quadrimestre de 2018, por 69,6% do mercado de escolares, por 69,1% do mercado de ônibus de fretamento e entre os rodoviários, responde por 48,5% do mercado.

A Mercedes-Benz, sabendo da expansão deste segmento, tem investido na divulgação dos produtos e em aperfeiçoamentos dos modelos. Nesta terça-feira, 08 de maio de 2018, a fabricante apresentou um pacote tecnológico, renovando as linhas dos rodoviários O500 RS (dois eixos), O500 RSD (três eixos) e O500 RSDD (quatro eixos), que promete reduzir em até 8% o consumo de combustível. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/05/08/mercedes-benz-renova-linha-de-onibus-rodoviarios-com-pacote-tecnologico-que-pode-reduzir-em-ate-8-o-consumo-de-oleo-diesel/

OUÇA A ENTREVISTA: 

Diário do Transporte:  A gente viu na apresentação que a Mercedes está classificando 2018 como um ano de oportunidades. Por quê?

Walter Barbosa: Nós temos, ano de 2018, uma série de indicadores positivos para o nosso país. Quando a gente olha o cenário macroeconômico a gente tem um PIB positivo de 2,5%, nós temos uma taxa de juros hoje bastante atrativa para uma renovação, para os empresários, de 6,25% ao ano. Se você lembrar em dezembro de 2016, essa taxa estava a 14,25%. Então, acho que os indicadores econômicos são favoráveis. Nós temos um ano eleitoral, nós temos uma demanda crescente, principalmente no segmento de rodoviário e nós temos também a plataforma elevatória que passa a ser obrigatória a partir de 1° de julho no segmento rodoviário. Essa somatória de indicadores está contribuindo significativamente para o crescimento do nosso mercado, que hoje corresponde a 46% de crescimento.

Quando a gente olha o mercado de janeiro a abril, foram emplacadas 3.593 unidades. Então, acredito que até o final do ano a gente deva ter um mercado aproximado de 13 mil a 14 mil unidades, representado algo em torno de 15% a 20% de crescimento.

Diário do Transporte: Isso no mercado. E em relação à Mercedes Benz, qual é a estimativa do crescimento da marca?

Walter Barbosa: Quando a gente olha os números de janeiro a abril, de novo, a Mercedes Benz acumula uma participação de mercado de 62%. É uma excelente participação de mercado. Isso dá um crescimento para a marca, nesse período, de 95%.

É importante ressaltar: o mercado cresce 46% e a Mercedes cresceu 95% nesse mesmo período.

Diário do Transporte: Para o final do ano, tem uma estimativa de quanto a Mercedes deve fechar?

Walter Barbosa: Acredito que, o nosso objetivo, sem dúvida nenhuma, é ter 50% de participação de mercado. A gente hoje está com 62%, mas o nosso grande target é fechar com metade do segmento.

Diário do Transporte: Em relação aos segmentos de ônibus. Qual mais tem se destacado agora no primeiro semestre e qual no segundo semestre promete?

Walter Barbosa: O segmento que mais se destacou no primeiro semestre foi o rodoviário e teve um crescimento muito expressivo de praticamente 180% de crescimento e isso tem muito a ver com a antecipação das compras, com a necessidade de renovação e também por conta da plataforma elevatória. Obviamente, houve uma antecipação de compra para o primeiro semestre. Segundo semestre o volume de rodoviário deve ser um pouco menor, mas ainda assim, acredito que deva chegar a um patamar de 1.600 carros até o final do ano no segmento rodoviário puro. Quando eu falo rodoviário puro, de motores traseiros, veículos​ R, RS, RSD é DD.4×2, 6×2 e 8×2.

Outro segmento que se destacou bastante nesse primeiro semestre é o urbano e ele tem a ver, basicamente, com a questão da taxa de juros mais atrativa. Tem a ver também com os compromissos contratuais de cada um dos municípios e também com as eleições. Normalmente, com as eleições, as empresas de ônibus acabam antecipando as suas compras.

Diário do Transporte: São crescimentos expressivos, tanto do mercado como um todo, da Mercedes Benz, só que é um crescimento, claro, valoroso, mas sobre uma base bastante retraída, que vem de três anos no mínimo de retração. Para recuperar os patamares anteriores à crise brasileira, deve demorar quanto?

Walter Barbosa: Em 2016, nós atingimos um patamar de mercado total. Tínhamos, antes de 2016, uma média de em torno de 26 mil a 30 mil unidades/ano. No ano de 2016, atingiu-se o patamar mais baixo dos últimos 20 anos e deu um mercado total de 10.300 unidades. No ano de 2017, esse mercado já sobe para 11.400 unidades e esse ano estimamos, como disse anteriormente, algo em torno de 13, 14 mil. Então, o pior momento acho que já foi. O nosso país é cíclico, então a cada cinco, oito anos, sempre tem uma variação ou para mais ou para menos do nosso mercado. Acho que agora a gente entra em um ciclo crescente de novo e nos próximos cinco anos, a gente deve atingir um patamar na casa de 20 a 22 mil carros por ano. O que eu acredito ser bastante factível e sustentável.

Diário do Transporte: A gente fala em recuperação de crescimento. As empresas voltaram a respirar um pouco e, nesse momento de crescimento e recuperação, economia é fundamental. A Mercedes Benz apresentou hoje um pacote que vai gerar economia de custos de manutenção, mas principalmente combustível. Qual é esse pacote?

Walter Barbosa: Esse pacote a gente está chamando de Full Efficiency. Na verdade, é uma série de tecnologias que a gente está implementado nos veículos rodoviários, tanto o RS, RSD e DD, que são os 4×2, 6×2 e 8×2 e por que focado principalmente no rodoviário? Porque hoje o consumo de combustível em uma empresa rodoviária representa algo em torno de 25% a 30% de todo o custo operacional. Então, a gente entende que a nossa contribuição é extremamente necessária para a redução do custo operacional das empresas. Então, a gente lançou uma série de tecnologias, dentre elas, um novo mapeamento e um novo hardware da caixa automatizada de oito velocidades, a GO-240. Isso vai proporcionar menos trocas de marcha, melhor aproveitamento do torque e trocas mais suaves. Além da economia de combustível, o motorista e o passageiro vão sentir melhor conforto por conta das trocas mais suaves.

Além disso, nós temos a tecnologia do desligamento automático do veículo. Toda vez que o veículo ficar parado com o motor ligado, depois de quatro minutos, podendo ser alterado para dez minutos a programação, esse veículo desliga para evitar o desperdício de combustível e também a emissão de poluentes. Além dessas tecnologias, nós temos um novo compressor de ar, mais eficiente, onde a grande novidade é uma válvula de alívio que vai incorporada no cabeçote do compressor de ar, que vai proporcionar que ele trabalhe livre no momento em que ele estiver com a pressão máxima de carregamento. Isso também vai proporcionar menor consumo de combustível, menos ruído e maior durabilidade desse componente. Outra novidade que estamos trazendo aqui é o Visctronic, um controle variável de rotação para a hélice do sistema de arrefecimento. Então isso é muito interessante, porque você consegue otimizar a performance do sistema de ventilação, mediante a variação de temperatura do motor. Para cada temperatura do motor, uma vez que o rodoviário não trabalha 100% do tempo em temperatura máxima, você tem uma rotação diferente, variável, da hélice. Isso certamente proporcionará menor consumo de combustível, menos ruído e mais durabilidade dos componentes, dentre eles, as correias. Quando a gente soma todo esse pacote de eficiência, a gente consegue trazer uma economia significativa de 2% a 8%. E ainda tem um ponto importante, que vale ressaltar: mais um item que a gente incluiu são os motores high-torque para a série 360 cv. Esses motores tinham 1.600 Nm de torque, que agora passou a ter 1.850 Nm. Um aumento muito significativo de torque e vai permitir que o motorista, com a rotação mais baixa, consiga manter a capacidade de subida em rampa na operação rodoviária. Isso naturalmente vai proporcionar economia de combustível. Basicamente, são essas as grandes tecnologias que nós estamos apresentando agora.

Diário do Transporte: Que já foram testadas por um cliente importante aqui da Mercedes, não é?

Walter Barbosa: Sim. Todas essas tecnologias estão disponíveis nos nossos carros de demonstração. Esses carros de demonstração, a gente disponibilizou para vários clientes do segmento rodoviário e, além disso, a gente também testou isso, aprovou e certificou os resultados junto com a engenharia.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

2 comentários em Ônibus: Mercedes-Benz cresce acima da média do mercado, mas acredita em recuperação plena em cinco anos para todo o setor

  1. Vai entender a caio qcaio quase parando por falta de chassis

  2. Não dá para entender a caio induscar ta faltando chassis pra produção

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