Mais de 50 mil pessoas morrem no Brasil por causa da poluição, diz novo relatório da OMS
Publicado em: 2 de maio de 2018
Dados nacionais, do Iema, mostram que Santa Gertrudes é a cidade com maior concentração de materiais particulados
ADAMO BAZANI
Com agências
A poluição do ar foi responsável, em 2016, pela morte de 51.826 pessoas no Brasil, segundo o mais recente relatório da OMS – Organização Mundial da Saúde, divulgado nesta primeira semana de maio de 2018.
O levantamento leva em conta a exposição das pessoas aos MPs – Materiais Particulados, classificados em MP 2,5 (2,5 microgramas por metro cúbico) e MP 10 (10 microgramas por metro cúbico).
Quanto mais fino o MP, mais perigoso para a saúde, segundo a OMS, porque as barreiras naturais do corpo humano conseguem filtrar menos estes poluentes. Também quanto mais fino, mais facilmente o MP se propaga na corrente sanguínea.
No mundo, por ano, a poluição matou em 2016 em torno de 7 milhões de pessoas.
Os MPs estão presentes na poeira fina, muitas vezes imperceptíveis ao olho nu, e se originam em queima de combustíveis de automóveis, atividades industriais, com a suspensão da poeira do solo e na queima de biomassa.
Para se ter uma ideia, de acordo com a OMS, baseada nos levantamentos do Iema – Instituto de Energia e Meio Ambiente, a cidade com maior concentração hoje de MPs no ar é Santa Gertrudes, no interior de São Paulo, com 80 microgramas de MP por metro cúbico.
Santa Gertrudes é um polo ceramista e é cercada por canaviais.
As queimais que ocorrem nos canaviais e as atividades industriais são apontadas como causas deste quadro.
Em seguida aparecem Cubatão, como 49 microgramas de MP por metro cúbico, e Rio Claro, com 46 microgramas de MP por metro cúbico. Rio Claro fica a 12 km de Santa Gertrudes.
Cidades da região metropolitana de São Paulo, segundo o levantamento, como São Bernardo do Campo e Diadema, tiveram melhora nas condições do ar, mas ainda as concentrações de poluentes estão acima dos limites considerados toleráveis pela OMS.
No mundo, a cidade com maior concentração de MP no ar é Nova Déli, na Índia, com 292 microgramas de MP por metro cúbico, Varanasi, também na índia, com 260 microgramas de MP por metro cúbico, e Riade, na Arábia Saudita.
No Brasil, são monitorados 885 locais. No mundo, o monitoramento cobre mais de 4 mil pontos, desde vilarejos com menos de cem pessoas até regiões metropolitanas com mais de dez milhões de habitantes.
A OMS também aponta a mobilidade urbana como um fator relacionado ao combate à poluição e melhoria de qualidade de vida.

Corredores de ônibus eletrificados podem auxiliar na redução da poluição e, consequentemente, das mortes pela má qualidade do ar.
E no mundo todo, as premissas básicas são:
– Incentivo ao transporte coletivo, em especial aos que utilizem energias não dependentes do petróleo ou de queimas de plantações, como redes metroferroviárias e ampliação nas frotas de ônibus elétricos e trólebus. Corredores de ônibus eletrificados estão entre as opções.
– Ampliação dos deslocamentos não motorizados, como a pé e por bicicletas, com melhores condições. Daí os investimentos necessários em melhores calçadas e ciclovias.
– Readequação da oferta de serviços básicos, empregos e moradias, reduzindo a necessidade de deslocamentos. Emprego mais perto das casas das pessoas.
– Planos Diretores de Urbanização que incentivem adensamentos ao longo de eixos de transportes coletivos.
– Contribuição do transporte individual no financiamento do transporte público coletivo e desestímulo ao uso do carro para atividades cotidianas.
Os materiais particulados são diretamente relacionados a problemas de saúde como câncer do pulmão, acidente vascular cerebral, isquemia cerebral, pneumonia e outras infecções do sistema respiratório.
Toda a população mundial é vítima da poluição, mas idosos e crianças são mais sensíveis.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


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