Prefeitura do Rio desativa 130 radares que fiscalizam invasão de corredores de ônibus

Motivo seria o fim de contrato dos equipamentos de fiscalização. Prefeitura promete instalar novos radares em 30 dias

ALEXANDRE PELEGI

O corredor exclusivo de ônibus no Rio de Janeiro, criado pelo sistema BRS, virou uma faixa comum. Essa é a conclusão da engenheira de transportes Eva Vider, da Escola Politécnica da UFRJ, em declaração ao jornal O Globo deste domingo, dia 29 de abril. A conclusão de Eva é decorrência da retirada dos radares eletrônicos (“pardais”) que haviam sido instalados para flagrar invasões de veículos no espaço exclusivo reservado aos coletivos.

Criado em 2011 pela prefeitura do Rio de Janeiro, o BRS (sigla para Bus Rapid System) é um sistema de corredores exclusivos para ônibus que distribui o fluxo nas pistas de rolamento. Nas faixas da direita só circulam ônibus e táxis, e nas faixas restantes, à esquerda, os demais veículos.

Logo após o sistema BRS entraR em vigor o tempo das viagens dos cariocas caiu até a metade em várias regiões da cidade. Agora, sete anos depois, todos os “pardais” eletrônicos instalados para coibir e multar as invasões foram desligados pela prefeitura do Rio de Janeiro.

O motivo alegado pela administração municipal é que a desativação de 130 equipamentos se deu em decorrência do término do contrato com a empresa responsável pelo serviço.

A promessa é que novos pardais serão instalados dentro de 30 dias.

De acordo com a matéria do jornal O Globo, estão sem qualquer fiscalização eletrônica os corredores do BRS da Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema; da Rua Barata Ribeiro e da Avenida Nossa Senhora de Copacabana; da Avenida Presidente Vargas, no Centro; das ruas Estácio de Sá, João Paulo I, no Estácio; e Doutor Satamini, Heitor Beltrão e Conde de Bonfim, na Tijuca.

Pessoas ouvidas pela reportagem afirmam que o sistema vive situação de abandono. A percepção é de aumento na bagunça no trânsito, com a faixa do BRS sendo invadida a tempo momento por carros de passeio.

Os pardais, que flagravam invasões, eram usados também para detectar evasões, quando o motorista de um ônibus sai da faixa do BRS.

A engenheira de transportes Eva Vider disse à reportagem que a retirada dos pardais prejudica o monitoramento do trânsito nos corredores. “O resultado disso é uma série de invasões de carros de passeio, o que provoca uma redução da velocidade dos ônibus”, disse.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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