Greve na Grande Belém continua

Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará

Paralisação entra em seu 5º dia, apesar de decisão judicial que impõe multa e a obrigatoriedade de funcionamento de 80% da frota

ALEXANDRE PELEGI

Os rodoviários de Belém, Ananindeua e Marituba decidiram, em reunião no começo da noite deste domingo (22), continuar a greve.

Na ocasião os trabalhadores desmentiram os boatos que circulam nas redes sociais, de que os ônibus irão circular sem cobrar as passagens, com os passageiros entrando e saindo dos coletivos pela porta traseira, sem passar pela catraca.

A greve, que começou na quinta-feira (19), atinge um milhão de pessoas e 12 mil rodoviários estão parados.

Segundo afirmações do Sindicato das Empresas de Transporte de Belém, várias empresas estão com as garagens bloqueadas.

Na reunião deste domingo os rodoviários reafirmaram que estão abertos ao diálogo, tanto com as empresas, como com a Justiça.

Uma decisão judicial impõe multa e a obrigatoriedade de funcionamento de 80% da frota.

A determinação foi expedida pela desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Francisca Oliveira Formigosa, e estabelece multa de R$ 20 mil por cada ônibus circulando sem cobrador, assim como R$ 100 mil por dia sem trabalho.

PRESIDENTE DO SINDICATO BALEADO

No sábado (21), em protesto dos rodoviários na rodovia BR-316, a polícia militar agiu para dispersar a manifestação em Ananindeua.

Huellem Ferreira, presidente do Sindicato dos Rodoviários de Ananindeua e Marituba, foi atingido por balas de borracha e ficou ferido, sendo encaminhado para a UPA da Cidade Nova.

A Rotam (Rondas Ostensivas Táticas Motorizadas) usou balas de borracha para conter a manifestação, além de bombas de efeito moral. Alguns rodoviários foram detidos.

DESEMBARGADOR QUER MULTA AO SINDICATO

O desembargador do Trabalho, Gabriel Napoleão Velloso Filho, afirmou que protocolará uma representação em caráter de urgência para cobrar multa dos sindicatos dos rodoviários de Belém, Ananindeua e Marituba.

O valor, segundo o desembargador, é de R$ 5.923.437,30 por dia. A representação será encaminhada ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

A propositura da ação civil pública deve-se a “gravíssimos prejuízos ao interesse coletivo dos cidadãos da região metropolitana de Belém” e a desobediência da categoria à Justiça.

Como base de cálculo da indenização por dano moral coletivo, o desembargador estima o valor de uma passagem de ônibus diária desde o início da greve, “uma vez que todo morador foi atingido, direta ou indiretamente, pela paralisação”.

Por este cálculo, e ao longo de cinco dias de paralisação, a multa proposta atingirá R$ 29.617.186,50 nesta segunda-feira (23).

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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