Linhas da Zona Oeste do Rio têm ônibus em situação precária
Publicado em: 22 de abril de 2018
Há ônibus rodando com pneus carecas, bancos soltos ou quebrados, além de elevadores para cadeirantes com defeitos
ALEXANDRE PELEGI
Matéria do jornal carioca Extra deste domingo, dia 22 de abril, traz a situação precária em que circulam alguns ônibus no Rio de Janeiro.
A situação é mais grave em bairros da Zona Oeste da cidade, nas linhas operadas pelo Consórcio Santa Cruz, que atende a área 5 do Rio de Janeiro.
A reportagem do jornal percorreu algumas linhas em bairros da região, onde encontrou ônibus rodando com pneus carecas, bancos soltos ou quebrados, elevadores para cadeirantes com defeitos e muita sujeira.
Apesar da frota da cidade do Rio ter uma média de vida útil de 5,3 anos, de acordo com dados da prefeitura, os veículos carecem de problemas de conservação. O tempo máximo de vida útil de um ônibus, segundo o contrato assinado com os consórcios em 2010, é de oito anos.
No levantamento realizado pelo Extra na frota de 7.160 ônibus da capital fluminense, 132 deles já deveriam ter sido retirados das ruas por já terem mais de oito anos de uso. Apesar disso, veículos “dentro da validade”, segundo a reportagem, circulam com graves problemas mecânicos e falta de manutenção.
São os casos que a matéria detectou num giro pela região.
O jornal cita o caso de um ônibus da linha 885, em Santa Cruz, fabricado em 2011 e que fica sem circular ao menos três vezes por mês devido a problemas mecânicos. Outro caso, na linha 892, no mesmo bairro, o ônibus apresentava bancos soltos e sem encosto. O bairro Santa Cruz, extenso e populoso bairro da Zona Oeste do Rio, é o mais distante da região central da cidade.
O jornal relata outros casos de ônibus com problemas similares em linhas da região operada pelo Consórcio Santa Cruz, como no bairro de Campo Grande, situações que interferem na regularidade do serviço, provocando longas esperas nos pontos. Assim como Santa Cruz, o bairro Campo Grande é extenso, e caracterizado como o de maior população na cidade.
O jornal Extra ouviu tanto a Prefeitura do Rio de Janeiro, como o Consórcio Santa Cruz, responsável pelas linhas citadas pela reportagem.
A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Transportes, informou que o consórcio que atende as linhas da Zona Oeste já foi autuado 16 vezes por má conservação da frota nos últimos meses.
O Consórcio Santa Cruz, por sua vez, respondeu em nota informando que as empresas que operam as linhas citadas “estão entre as que mais sofrem com a pior crise econômica já enfrentada pelo setor de transporte por ônibus do Rio”, e por conta disso têm perdido a capacidade de investir na frota por não conseguirem repor os custos básicos.
HISTÓRICO DE CRISE:
A situação dos ônibus no Rio de Janeiro é crítica já há alguns anos. Um dos fatores da crise tem origem na Operação Lava-Jato, que redundou nas operações Cadeia Velha e Ponto Final. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público desmontaram o esquema de pagamentos de propina no transporte público durante o mandato do ex-governador preso Sérgio Cabral (2011 a 2016), escândalo que ficou conhecido como a “caixinha da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro)”.
Outro fator é o congelamento da tarifa, que desde 2017 levou o preço das passagens de ônibus no Rio de Janeiro para os tribunais. A questão das tarifas tem sido seguidamente apontada pelo Rio Ônibus, sindicato patronal, como a principal razão pelo fechamento de oito viações desde 2015. Destas, 4 empresas (50%) pertenciam ao Consórcio Santa Cruz, foco da matéria do jornal Extra:
2017: São Silvestre (Consórcio Intersul); Transportes Santa Maria (Consórcio BRT)
2016: Auto Viação Bangu (Consórcio Santa Cruz); Algarve (Consórcio Santa Cruz);
2015: Translitorânea (Consórcio Intersul); Rio Rotas (Consórcio Santa Cruz); Andorinha (Consórcio Santa Cruz); Via Rio (Consórcio Internorte)
Histórico sobre valor das passagens no Rio
No início do ano, o valor da tarifa era de R$ 3,80. Por uma determinação judicial, o valor foi para R$ 3,60 em agosto e, em novembro, baixou para R$ 3,40.
No dia 5 de fevereiro de 2018, a juíza Roseli Nalin, da 15ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, atendeu ação de consórcios de empresas de ônibus e determinou que o valor da tarifa municipal voltasse a R$ 3,60.
Três dias depois, uma nova decisão da Justiça determinou que o valor R$ 0,20 novamente. Entretanto, antes de ser cumprida, a decisão foi suspensa. Atualmente, o valor da passagem é de R$ 3,60 para todos os coletivos da cidade.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Ten que acabar com esse porcaria de consorcio e devolver as pinturas originais de cada empresa !!!!