Empresas de Porto Alegre ainda não começaram a instalar GPS nos ônibus

Foto: divulgação

Processo deveria ter começado em 2017, segundo decreto municipal assinado em setembro daquele ano; prazo final expira no fim de 2018

ALEXANDRE PELEGI

Com informações do jornal GaúchaZH

Um decreto da prefeitura de Porto Alegre, de setembro de 2017, determina a instalação de GPS nos ônibus urbanos de Porto Alegre.

Até agora, no entanto, seis meses após a formalização da exigência, as empresas não se começaram a equipar a frota com o dispositivo.

O decreto do prefeito Nelson Marchezan exigia que a instalação começasse dentro de dois meses após a publicação, ou seja, a partir de novembro, o que não aconteceu.

Além do prazo de início, o decreto municipal estipulou um prazo de término: toda a frota deverá estar esquipada com GPS até 31 de dezembro deste ano.

Matéria do jornal GauchaZH, desta terça-feira, 17 de abril, informa que a possibilidade de as empresas cumprirem o prazo está na dependência do ritmo do grupo de trabalho formado pelas empresas que operam o transporte coletivo e a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

Gustavo Simionovschi, diretor-executivo da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), que representa consórcios Vialeste, Mais, Mob e Viva Sul, explicou à reportagem do jornal gaúcho que o grupo compartilha os resultados dos testes já realizados com fornecedores conhecidos no mercado. Ainda não houve definição de qual empresa será contratada.

Simionovschi explica ao GaúchaZH os passos que o grupo de trabalho definiu para atender à exigência de instalação do GPS:

Vamos criar um projeto que diga o que o produto tem que ter para atender a cidade. O edital especifica necessidade de ter um projeto, e o órgão gestor reconhece essa necessidade. A partir daí, vamos orçar no mercado os produtos que atenderiam e vamos buscar financiamento”.

DINHEIRO PODE SER PROBLEMA

O custo pode ser outro fator que poderá inviabilizar a instalação do GPS. Segundo o diretor-executivo da ATP, as empresas se dedicaram em investir em equipamentos de segurança e de controle das gratuidades, instalando sistema de reconhecimento facial e câmeras, exigências que também constam no decreto municipal de setembro de 2017. Simionovschi relata que, atualmente, as empresas não dispõem de recursos próprios, nem financiamento assegurado para a instalação dos equipamentos de GPS.

A Carris, estatal do transporte público de Porto Alegre, que integra o grupo de trabalho junto com a ATP, afirma que “aguarda definição do sistema que será utilizado pelas concessionárias“.

Da parte da EPTC, o gerente de Planejamento de Transportes, Flávio Tumelero atesta que as empresas estão se reunindo constantemente com o órgão gestor.

GPS COMEÇOU COM POLÊMICA

A implantação do sistema de GPS nos ônibus foi tema de polêmica no governo do prefeito Nelson Marchezan em agosto de 2017.

O então diretor técnico da Procempa – Companhia de Processamento de Dados do Município de Porto Alegre, Michel Costa, conhecido como homem de confiança do prefeito Marchezan, era sócio da Safeconecta, empresa encarregada de testes de GPS na Carris. Costa era também presidente do Conselho de Administração da estatal de transporte público.

Após a informação vir à tona, Costa pediu demissão.

OBJETIVOS DO GPS

Os dados do GPS serão utilizados para a criação do Sistema de Supervisão e Controle Operacional (SSCO). Esses dados são essenciais para que a EPTC possa fiscalizar e controlar a operação do sistema de transporte coletivo na capital gaúcha, informando frequência das linhas, atrasos, intervalo entre ônibus, entre outros dados. No caso da empresa pública, isso também vai facilitar a fiscalização.

Outra finalidade é viabilizar o Serviço de Informação ao Usuário (SIU), que poderá ser acessado por aplicativo ou no computador. Essa base de dados é essencial para a criação de aplicativos de transporte, que permitem ao usuário saber a situação e horários dos ônibus e das linhas que utiliza.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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