Com atrasos e suspeitas de sobrepreço, Transoceânica de Niterói tem mais um aditivo

Parte da área que deve ser beneficiada com sistema de ônibus

Já são ao menos sete aditivos. Anunciado em 2014, sistema de ônibus rápidos deveria estar em pleno funcionamento em 2016

ADAMO BAZANI

A prefeitura de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, publicou mais um aditivo ao contrato das obras de implantação da Transoceânica, sistema de corredores de ônibus, ciclovias e vias para carros entre a região da Praia de Charitas e o Corpo de Bombeiros em Cafubá.

O aditivo é de R$ 12,7 milhões (R$12.727.139,52 – doze milhões setecentos e vinte e sete mil cento e trinta e nove reais e cinquenta e dois centavos), que equivalem, segundo publicação  no Diário Oficial da União desta segunda-feira, a “4,09% do valor total atualizado” da obra.

Já foram ao menos sete aditivos celebrados, que somam 22,28% do valor total do contrato atualizado. Além disso, houve um reajuste de preços de R$ 3,2 milhões (R$3.208.511,88 – três milhões duzentos e oito mil quinhentos e onze reais e oitenta e oito centavos).

Desta vez, o aditivo, segundo a publicação oficial se refere à “inclusão dos serviços de construção de ciclovia por ruas paralelas a Estrada Francisco da Cruz Nunes”

No início deste ano, o TCE – Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro , por meio de um relatório técnico, apontou suspeitas de sobrepeço no Transoceânica na ordem de R$ 11,5 milhões, dos quais R$ 11 milhões nas obras e R$ 4,6 milhões nos aditivos.

A prefeitura de Niterói diz que todos os procedimentos são regulares e que respondeu aos questionamentos do TCE.

Os aditivos mudam valores e prazos também.

No ano passado, o Diário do Transporte já havia noticiado que em um dos aditivos, a prefeitura de Niterói estipulou nova previsão de entrega para novembro de 2018.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/05/28/transoceanica-corredor-de-onibus-de-niteroi-tem-novos-prazos-de-entrega/

Conforme publicado pelo Diário de Transporte, (leia: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/25/transoceanica-corredor-de-onibus-de-niteroi-fica-mais-caro/), quando da assinatura do contrato das obras do BRT Transoceânica, em setembro de 2014, a previsão era que a obra completa estaria concluída em setembro de 2016. O prazo foi adiado diversas vezes.

O prefeito anunciou a obra como sendo o primeiro BHLS da América do Sul. BHLS é a sigla em inglês para Bus with High Level of Service, ou “ônibus de serviço de alto nível”. Um sistema como esse existe no Reino Unido, transporta 3,6 milhões de pessoas por ano entre Cambridge, St Ives e Huntingdon.

Prevista para ser realizada em parceria com o governo federal, a obra que estava avaliada inicialmente em R$ 310,9 milhões, deve ter 9,3 quilômetros de extensão, entre a região da Praia de Charitas e o Corpo de Bombeiros em Cafubá, com 13 estações e dois túneis. Também estão previstos 16 km de ciclovias. O prazo de execução da obra foi anunciado como sendo de 24 meses. A capacidade do BRT (ou BHLS, ou ainda BHS como agora é chamado) está prevista para transportar 80 mil passageiros por dia.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Com atrasos e suspeitas de sobrepreço, Transoceânica de Niterói tem mais um aditivo

  1. O corpo de bombeiros fica em itaipu, e não em cafuba

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