Empresários de ônibus divulgam carta cobrando políticas efetivas de fortalecimento do transporte coletivo

Carta de Brasília cobra priorização do espaço urbano destinado ao transporte coletivo

Documento assinado pela NTU alerta para os riscos à sobrevivência do setor, e informa que 30% das empresas de ônibus urbanos estão à beira do colapso

ALEXANDRE PELEGI

Os empresários do transporte público por ônibus de todo o país reuniram-se em Brasília nesta quinta-feira, dia 22 de março, com o objetivo de avaliar a grave crise econômico-financeira enfrentada pelo setor e acentuada a partir de 2013.

Da reunião nasceu a Carta de Brasília, assinada por todos os empresários, representados pela NTU – Associação Nacional dos Transportadores Urbanos.

O documento cita as promessas do Governo Federal feitas após os movimentos de junho de 2013, por um Pacto Nacional pela Mobilidade. Segundo a Carta de Brasília, tais promessas “ficaram no discurso e no papel, o que jogou por terra a maioria dos projetos de melhoria de uma infraestrutura urbana que é totalmente inadequada ao transporte coletivo de qualidade”.

O tom da carta é de alerta, ao mesmo tempo em que cobra “políticas efetivas de fortalecimento do transporte coletivo, financiamento adequado e investimentos dos governos federal, estaduais e municipais em projetos de melhoria da infraestrutura viária”.

Segundo nota da NTU, “os empresários de grandes empresas do setor exigiram que o governo tome medidas urgentes para garantir a prestação dos serviços com qualidade e preços acessíveis”.

Os empresários, após “avaliar a grave crise pela qual passa o setor e buscar caminhos para superá-la”, alertam as autoridades públicas “sobre os grandes problemas que colocam em risco a própria continuidade da participação da iniciativa privada na prestação desse serviço público essencial para grande parte da população brasileira”.

O documento cita o descumprimento dos contratos de concessão e o adiamento de reajustes tarifários acordados, o que têm agravado o desequilíbrio financeiro do setor.

A NTU afirma que 10% das empresas de transporte coletivo fecharam as portas entre 2014 e 2016, e 30% do segmento, cerca de 600 empresas, enfrentam alto grau de endividamento e risco de insolvência. “O problema atinge especialmente as pequenas e médias empresas e afeta a qualidade do serviço ofertado”, informa a entidade representativa dos empresários.

A Carta de Brasília, além de analisar a situação de crise do setor, propõe ao final do documento ações e medidas para fortalecer o setor, como o cumprimento rigoroso dos contratos de concessão ou permissão, respeitando os direitos e deveres das duas partes; o financiamento de parte dos custos operacionais do transporte coletivo pelo transporte individual; a retomada dos investimentos na infraestrutura urbana e a priorização do espaço urbano destinados ao transporte coletivo, entre outros.

Otávio Cunha, presidente executivo da NTU, esclarece:

“Todas as propostas estão alinhadas com a percepção do setor de que é impossível continuar ofertando um serviço sem a contrapartida dos governos federal, estaduais e municipais que, ao invés de estimular a melhoria desse transporte essencial para mais de 80% da população brasileira que se desloca por meio do ônibus, tem contribuído para a degradação do serviço”.

A Carta de Brasília será amplamente distribuída junto a autoridades do Executivo federal, estadual e municipal.

Leia a Carta de Brasília na íntegra:


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Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rogerio Belda disse:

    Deveria existir psicanalista também para transporte público porque as opiniões e, pior, os comportamentos, são esquizofrênicos, seja por parte dos governos, dos usuários e mesmo dos empresários. É uma função a ser inventada. Aliás não é para menos: Se todo mundo em uma cidade usasse somente automóveis para circular na cidade, o espaço necessário para vias seria superior ao tamanho da cidade. Que coisa mais maluca! E no entanto é esse desejo, discretamente, o mais difundido. É ou não, esquizofrênico? Mas para não ficar muito ofensivo, poderíamos classificar com o termo filosófico de aporético. Rogerio Belda

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