Empresários de ônibus divulgam carta cobrando políticas efetivas de fortalecimento do transporte coletivo
Publicado em: 25 de março de 2018
Documento assinado pela NTU alerta para os riscos à sobrevivência do setor, e informa que 30% das empresas de ônibus urbanos estão à beira do colapso
ALEXANDRE PELEGI
Os empresários do transporte público por ônibus de todo o país reuniram-se em Brasília nesta quinta-feira, dia 22 de março, com o objetivo de avaliar a grave crise econômico-financeira enfrentada pelo setor e acentuada a partir de 2013.
Da reunião nasceu a Carta de Brasília, assinada por todos os empresários, representados pela NTU – Associação Nacional dos Transportadores Urbanos.
O documento cita as promessas do Governo Federal feitas após os movimentos de junho de 2013, por um Pacto Nacional pela Mobilidade. Segundo a Carta de Brasília, tais promessas “ficaram no discurso e no papel, o que jogou por terra a maioria dos projetos de melhoria de uma infraestrutura urbana que é totalmente inadequada ao transporte coletivo de qualidade”.
O tom da carta é de alerta, ao mesmo tempo em que cobra “políticas efetivas de fortalecimento do transporte coletivo, financiamento adequado e investimentos dos governos federal, estaduais e municipais em projetos de melhoria da infraestrutura viária”.
Segundo nota da NTU, “os empresários de grandes empresas do setor exigiram que o governo tome medidas urgentes para garantir a prestação dos serviços com qualidade e preços acessíveis”.
Os empresários, após “avaliar a grave crise pela qual passa o setor e buscar caminhos para superá-la”, alertam as autoridades públicas “sobre os grandes problemas que colocam em risco a própria continuidade da participação da iniciativa privada na prestação desse serviço público essencial para grande parte da população brasileira”.
O documento cita o descumprimento dos contratos de concessão e o adiamento de reajustes tarifários acordados, o que têm agravado o desequilíbrio financeiro do setor.
A NTU afirma que 10% das empresas de transporte coletivo fecharam as portas entre 2014 e 2016, e 30% do segmento, cerca de 600 empresas, enfrentam alto grau de endividamento e risco de insolvência. “O problema atinge especialmente as pequenas e médias empresas e afeta a qualidade do serviço ofertado”, informa a entidade representativa dos empresários.
A Carta de Brasília, além de analisar a situação de crise do setor, propõe ao final do documento ações e medidas para fortalecer o setor, como o cumprimento rigoroso dos contratos de concessão ou permissão, respeitando os direitos e deveres das duas partes; o financiamento de parte dos custos operacionais do transporte coletivo pelo transporte individual; a retomada dos investimentos na infraestrutura urbana e a priorização do espaço urbano destinados ao transporte coletivo, entre outros.
Otávio Cunha, presidente executivo da NTU, esclarece:
“Todas as propostas estão alinhadas com a percepção do setor de que é impossível continuar ofertando um serviço sem a contrapartida dos governos federal, estaduais e municipais que, ao invés de estimular a melhoria desse transporte essencial para mais de 80% da população brasileira que se desloca por meio do ônibus, tem contribuído para a degradação do serviço”.
A Carta de Brasília será amplamente distribuída junto a autoridades do Executivo federal, estadual e municipal.
Leia a Carta de Brasília na íntegra:

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Deveria existir psicanalista também para transporte público porque as opiniões e, pior, os comportamentos, são esquizofrênicos, seja por parte dos governos, dos usuários e mesmo dos empresários. É uma função a ser inventada. Aliás não é para menos: Se todo mundo em uma cidade usasse somente automóveis para circular na cidade, o espaço necessário para vias seria superior ao tamanho da cidade. Que coisa mais maluca! E no entanto é esse desejo, discretamente, o mais difundido. É ou não, esquizofrênico? Mas para não ficar muito ofensivo, poderíamos classificar com o termo filosófico de aporético. Rogerio Belda