BYD e CPFL firmam acordo com prefeitura de Campinas. Parceria vai definir área livre de poluição para o transporte coletivo

Modelo visa atender às exigências da nova concessão do sistema de transporte da cidade, que prevê utilizar ônibus não poluentes no centro e nos corredores de BRT

ALEXANDRE PELEGI

Conforme informamos nesta terça-feira, dia 13 de março, a prefeitura de Campinas assinou hoje, quarta-feira, dia 14 de março, um acordo de cooperação técnica para o desenvolvimento de um modelo de mobilidade elétrica para o sistema de transporte público urbano da cidade.

O acordo foi assinado entre a Emdec – empresa municipal que gerencia o sistema de transporte público, a CPFL Energia e a BYD do Brasil.

Com a meta da prefeitura de criar uma “Área Branca”, o acordo de cooperação técnica vai buscar soluções sustentáveis para a região central da cidade, principalmente definir um modelo de negócios para a nova concessão do transporte coletivo, que dividirá a cidade em seis áreas, mais a Área Branca.

A “Área Branca” abrange a região central e os corredores do BRT, onde a circulação será exclusiva para ônibus não poluentes, como células de hidrogênio, elétricos ou híbridos.

O prefeito Jonas Donizette destacou que “estamos vivenciando um momento de substituição do combustível fóssil por fontes de energia limpa; e a adoção de ônibus não poluente representa um novo modelo de cidade que está sendo criado”. Para o prefeito de Campinas, o acordo de cooperação técnica representa “a oportunidade de colocar no papel algo que funcione para a vida das pessoas e, inclusive, pode servir de modelo para outras cidades brasileiras”.

A cidade de Campinas possui 13 ônibus elétricos em sua frota produzidos pela BYD, um dos parceiros do acordo. A empresa chinesa inaugurou sua fábrica de chassi em Campinas no dia 06 de abril de 2017. Já em julho de 2014, a prefeitura iniciou os testes com o ônibus elétrico da empresa. No dia da inauguração o prefeito de Campinas, Jonas Donizette, citou a nova licitação dos transportes, afirmando que a prefeitura havia colocado como meta a inclusão de 150 ônibus elétricos na região central até 2020. Confira:

https://diariodotransporte.com.br/2017/04/07/fabrica-de-onibus-eletricos-da-byd-campinas-ja-nasce-com-encomendas-diz-empresa/

O secretário Carlos José Barreiro já havia afirmado em entrevista ao Diário do Transporte, em maio de 2017, que a licitação exigirá veículos não poluentes na região central e nos corredores do BRT. Barreiro confirmou hoje que o acordo com a BYD e a CPFL é justamente para garantir e viabilizar esse modelo.

O acordo define que a BYD, fabricante de ônibus elétrico, em conjunto com a CPFL, distribuidora de energia, farão em parceria com a prefeitura o levantamento do custo de implantação da Área Branca (área livre de poluição) em Campinas.

O estudo definirá itens como a demanda que o sistema consegue atender, os veículos que serão utilizados, a necessidade de pontos de recarga para os veículos elétricos, além dos investimentos necessários (e as fontes possíveis de captação).

A nova concessão do sistema de transporte público de Campinas, cuja primeira audiência pública será na próxima quarta-feira, dia 21 de março às 9:00 hrs, no Salão Vermelho do Paço Municipal, ordenará o transporte por regiões geográficas. A divisão da operação entre os concessionários será orientada por corredores.

A expectativa da prefeitura é de que o número de empresas deverá ser maior – atualmente cinco empresas operam em quatro áreas de concessão: VB Transportes e Turismo Ltda. (opera em duas áreas); Consórcio Concicamp – integrado pela empresas Itajaí Transportes Coletivos Ltda., Expresso Campinas Ltda., Onicamp Transporte Coletivo e o Consórcio Urbcamp.

Ainda sobre a licitação, o secretário Barreiro afirmou nesta quarta-feira que licitação vai exigir indicadores de qualidade para medir o desempenho da concessão.

A Emdec prevê ainda criar a Rede Estrutural, ligando os eixos de transporte do BRT com a Área Branca, utilizando também veículos com zero emissão de poluentes.

Além disso, o edital propõe estabelecer limite de velocidade ao perfil da via, em sua maioria 50 km/h. Outras propostas, como a ampliação da rede noturna (com linhas funcionando 24 horas) e a requalificação da frota, farão parte do novo edital da licitação.

A requalificação da frota prevê o investimento em modernas tecnologias, como Wi-Fi a bordo dos ônibus, circuito fechado de monitoramento por câmeras e sistemas  de localização dos veículos.

Outra exigência prevista no edital diz respeito à acessibilidade em todos os ônibus da frota; ônibus articulados com piso baixo; câmbio automático; motorização silenciosa e ar-condicionado.

O prazo de concessão é de 15 anos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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