Price diz agora que tarifa de ônibus do Rio de Janeiro deveria ser de R$ 3,38 e não de R$ 4,05

Vereadores ouvem secretário de transportes e representantes da PwC – Foto Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal do Rio de Janeiro

Valores se referem ao final de 2015. Agora, por mais R$ 2,5 milhões, consultoria vai calcular tarifa atualizada

ADAMO BAZANI

O vai e vem das tarifas de ônibus do Rio de Janeiro não se limita mais aos discursos da equipe do prefeito Marcelo Crivella e às diferentes decisões judiciais.

A PricewaterhouseCoopers -PwC, empresa contratada pela prefeitura para fazer os cálculos dos custos do sistema e da tarifa, corrigiu nesta terça-feira, 13 de março de 2018, o valor que tinha divulgado como ideal para a passagem municipal.

Segundo a consultoria, em 2015, o valor deveria ter sido de R$ 3,38 e não de R$ 4,05, como tinha divulgado anteriormente. O valor para este ano de 2018 teria como base a correção sobre 2015.

Os dados foram divulgados na CPI dos Transportes

O representante da PwC, Ronaldo Matos, tentou justificar dizendo que os cálculos anteriores foram feitos sobre dados não auditados, cujos técnicos da consultoria não tinham interesse de ser verdadeiros ou não.

“Fizemos as nossas análises de custeio. Custo de ônibus, custo de combustível, de diesel, lubrificante, peças. No início de fevereiro, eu entreguei o relatório com a tarifa média de R$ 3,38. Essa foi a conclusão do trabalho da Price naquele momento”, disse Ronaldo Matos.

No final de 2015, o valor da tarifa era de R$ 3,40 e o estudo que concluiu como ideais os R$ 3,38 teve como base o preço da passagem já praticado.

O secretário de Transportes, Rubens Teixeira, tentou justificar e disse que o valor de R$ 4,05 foi somente uma estimativa.

“Não foi a Price, que não tem absolutamente nada a ver com isso, devo dizer, foi o cálculo feito com a formula paramétrica para se ter uma ideia, uma estimativa. Dentro do que se pode fazer foi a atualização da onde se chegou a esse valor. Mas é apenas uma estimativa, na busca de um numero de equilíbrio que pudesse ser colocado na mesa. Então foi exatamente isso”, disse o secretário.

Será feito um novo contrato com a empresa PwC, agora no valor de R$ 2,5 milhões, para atualizar os valores, com base nos dados fornecidos pela empresas de ônibus referentes aos custos do sistema em 2017.

Em nota, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro diz que os vereadores integrantes da CPI se surpreenderam com a revelação.

O vereador Tarcísio Motta (PSOL) alertou que existe determinação do Tribunal de Contas do Município para que os balanços das empresas de ônibus sejam auditados e que há 18 itens de demonstrações contábeis não averiguados nos balanços das empresas. E reforçou que a “ausência de transparência obriga a PwC a recorrer a estimativas e analogias para calcular o valor da tarifa”.

De acordo com o presidente da Comissão, vereador Alexandre Isquierdo (DEM), “o valor da passagem foi uma surpresa, porque tinha sido amplamente divulgado na mídia que a tarifa seria de R$ 4, 05 e, no entanto, o relatório da PwC é de R$ 3, 38. Agora aguardaremos a definição do prefeito para sabermos qual o valor da passagem que o carioca vai pagar.”

Os parlamentares da CPI aprovaram enviar uma sugestão ao prefeito para que tenha prudência e não reajuste o valor da tarifa dos ônibus até que a Comissão termine o seu trabalho.

Na próxima quarta-feira (14), os integrantes da CPI realização diligência no Ministério Público Federal, responsável pela operação Ponto Final, e na terça-feira (20), às 10h, a Comissão receberá o presidente do Rio Ônibus, Cláudio Callak. Participaram da reunião os vereadores Rocal (PTB), Dr. Jairinho (PMDB), Eliseu Kessler (PSD), Felipe Michel (PSDB), Italo Ciba(Avante), Jair da Mendes Gomes (PMN), Fernando William (PDT), Reimont (PT) e Val Ceasa (PEN).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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