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Suzantur retoma transporte coletivo em São Carlos

Expectativa da Suzantur é que frota chegue a 126 veículos. Foto: Fábio Barbano

Operação será a partir da meia-noite desta quinta-feira, 8 de março, a pedido da própria Prefeitura

JESSICA SILVA PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

A Suzantur (Transportadora Turística Suzano Ltda.) retoma a gestão do transporte coletivo de São Carlos a partir da meia-noite desta quinta-feira, 8 de março. De acordo com informações da empresa, a medida foi tomada a pedido da própria Prefeitura.

A decisão foi divulgada nesta quarta-feira, 7 de março, em coletiva realizada no Paço Municipal. Estiveram presentes o dono da Suzantur, Claudinei Brogliato, e o Secretário de Transporte e Trânsito, Antonio Clovis Pinto Ferraz.

Até o momento, a Prefeitura estava operando o sistema de transporte coletivo em São Carlos. Conforme informado pela Suzantur, por meio de nota, as condições de operação estavam precárias.

“Após 44 dias sob intervenção judicial (desde o dia 23 de janeiro de 2018), Claudinei Brogliato e diretores da empresa tiveram acesso às dependências da garagem da Suzantur em São Carlos, localizada à Avenida Heitor José Reali, 200, Distrito Industrial Miguel Abdelnur, quando puderam avaliar que a precária situação dos ônibus está muito pior do que o esperado. Dos 84 veículos que ficaram sob a responsabilidade da Prefeitura, 34 estão parados no pátio da empresa sem condições de uso, com problemas mecânicos, de funilaria e elétrica” – diz trecho da nota.

Prevendo que assumiria as linhas, a Suzantur levou para São Carlos 42 ônibus, que já vão circular nesta quinta-feira, 8 de março. Os que já estão operando na cidade vão continuar rodando, desde que em condições de funcionamento.

Ainda de acordo com a empresa, os ônibus que estão com defeito serão consertados. “Portanto, a situação do transporte público da cidade já terá uma melhora imediata e deverá, nos próximos dias, ser regularizada com uma frota que pode chegar a 126 veículos” – garantiu a empresa, também por meio de nota.

Na noite desta quarta-feira, 7 de março, a Suzantur já iniciou a recuperação de alguns ônibus que estão no pátio, com defeito.

HISTÓRICO

A Suzantur e a Prefeitura de São Carlos mostraram interesse em acabar com a intervenção da empresa no transporte coletivo da cidade já nesta terça-feira, 6 de março. A tentativa de acordo foi manifestada em uma audiência de conciliação na Vara da Fazenda Pública.

No dia 23 de janeiro de 2018, a prefeitura de São Carlos iniciou a intervenção no serviço de transporte público da cidade, operado pela Suzantur, que também presta serviços em Mauá e Santo André, no ABC Paulista.

No decreto de 22 de janeiro de 2018, publicado no diário oficial do dia 23, a prefeitura disse que “reconhece situação de estado de emergência, caminhando para estado de calamidade pública, na prestação dos serviços de transporte coletivo urbano no município de São Carlos, assim, intervém no serviço, e assume a operação e consequentemente a empresa, com todo o seu ativo, veículos, equipamentos, para fins de dar continuidade do serviço, o qual tem data de paralisação anunciada como definitiva, a ocorrer no dia 26 de janeiro de 2018.”

Como demonstrou o texto do Decreto, a intervenção na Suzantur significa que a prefeitura assumiu a operação e os ativos da empresa de transporte, passando a utilizar os veículos e equipamentos para dar continuidade ao serviço.

A empresa de Claudinei Brogliato anunciou que ia paralisar os serviços no dia 26 de janeiro, o que teria motivado a intervenção, segundo a Prefeitura.

No dia 15 de janeiro, a Prefeitura divulgou nota dizendo que suspeita que a Suzantur teria manipulado os números de passageiros transportados para sonegar parte do ISSQN – Imposto sobre Serviços sobre Qualquer Natureza.

Em seu site, a administração municipal disse que instaurou “processo administrativo para fins de fiscalização e apuração de eventual fraude de informações na prestação de serviços e sonegação no recolhimento do ISSQN pela empresa Transportadora Turística Suzano LTDA.”

Na página oficial, a Prefeitura diz ter constatado diferenças significativas se comparados os meses de maio de 2016, quando o sistema ainda era operada pela Athenas Paulista, que foi descredenciada, e maio de 2017, já com a atuação da Suzantur.

A relação entre Suzantur e Prefeitura de São Carlos, que começou com mútuos elogios, não é nada amistosa agora.

A empresa diz que até julho do ano passado, a cidade devia R$ 4 milhões (sem correção) por cinco meses de subsídios referentes a gratuidades não repassados.

A Suzantur assumiu o serviço de transporte coletivo em São Carlos em agosto de 2016. Tratava-se de um contrato emergencial de seis meses, que foi considerado irregular pelo Tribunal de Contas do Estado – TCE, não podendo, portanto, ser prorrogado.

Desde 31 de janeiro de 2017, a empresa prestava serviços sem contrato.

Em maio de 2017, o Ministério Público do Estado de São Paulo processou o ex-prefeito Paulo Altomani (PSDB), o ex-secretário de transporte e trânsito, Márcio Marino, e a Suzantur apontando irregularidades na contratação emergencial.

Relembre:

MP diz que contratação da Suzantur em São Carlos foi irregular e processa ex prefeito e ex secretário

Em julho de 2017, a empresa de ônibus moveu uma ação na Justiça contra a prefeitura, solicitando o pagamento referente a cinco meses do subsídio. O valor já atingia R$ 4 milhões (hoje está, segundo a empresa, na casa dos R$ 9 milhões). Em setembro do mesmo ano, para pressionar a prefeitura, a Suzantur afirmou que poderia paralisar os serviços caso o repasse da verba do subsídio não fosse feito.

A prefeitura de São Carlos, no mês de outubro ainda de 2017, publicou o Decreto n° 262, autorizando a contratação de outra empresa para substituir a Suzantur. O contrato, também emergencial, valeria por um período de seis meses.

Mesmo com o Decreto da Prefeitura, não houve contratação de nenhuma empresa para assumir a operação do transporte coletivo na cidade.

A prefeitura de São Carlos moveu contra a Suzantur uma ação direta de inconstitucionalidade para suspender o pagamento de subsídios.

Em novembro de 2017, o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu liminar suspendendo temporariamente o pagamento mensal de R$ 797 mil em subsídios, previsto em contrato referente às gratuidades e descontos nas passagens para idosos, pessoas com deficiência e estudantes.

A prefeitura usou no processo a conclusão Tribunal de Contas do Estado TCE, que considerou o contrato irregular.

Como a Suzantur operava sem contrato, a prefeitura entende que não havia mais contrato para seguir, inclusive a obrigatoriedade de subsídios.

O desembargador Ferreira Rodrigues considerou inconstitucional o pagamento de subsídios na situação atual dos transportes da cidade.

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