Dados da prefeitura mostram que somente renovação de frota de ônibus não seria suficiente para reduções significativas de emissões de poluentes

Imagem realizada neste dia 26.02.18, no Terminal Sacomã. Ainda há vários ônibus mais antigos de tecnologia Euro III circulando na cidade. Clique na foto para ampliar

Em balanço das ações de 2017, prefeitura de São Paulo diz à Câmara que inclusão de 1026 ônibus Euro V no lugar de Euro III possibilitou reduções entre 2,34% e 9,6%

ADAMO BAZANI

A simples renovação da frota de ônibus da cidade de São Paulo sem a mudança de tecnologia empregada nos veículos não será suficiente para diminuir de forma significativa a poluição gerada pelos coletivos e nem para cumprir a lei 16.802, de 17 de janeiro de 2018, que impõe novas metas de reduções de emissões.

É o que mostra um balanço publicado nesta terça-feira, 27 de fevereiro de 2018, pela prefeitura e enviado à Câmara Municipal de São Paulo com o resumo das ações de 2017 frente ao Plano de Metas 2017-2021.

Segundo o relatório, a inclusão de 1026 ônibus novos com tecnologia de motor a diesel Euro V no lugar dos modelos mais antigos Euro III (vendidos pelas montadoras até o março de 2013) conseguiu reduzir as emissões de CO2 – Gás Carbônico em apenas 2,34%; em 8,05% as emissões de  NOx – Óxidos de Nitrogênio e em 9,63% de Materiais Particulados, todas substância cancerígenas e que provocam os problemas de saúde que por ano resultam em 4 mil mortes prematuras relacionadas à poluição atmosférica de acordo com o estudo do professor Paulo Saldiva da USP.

Estas reduções de emissões em 2017 são insuficientes para alcançar as novas metas estipuladas por lei e que devem fazer parte dos editais da licitação do sistema de transportes municipais por ônibus que até o dia 05 de março está em fase de recebimento das sugestões da população.

As reduções de emissões de poluição pelos ônibus de São Paulo devem ser de acordo com o tipo de poluente em prazos de 10 anos e 20 anos

Em 10 anos, as reduções de CO2 (gás carbônico) devem ser de 50% e, 100% em 20 anos. Já as reduções de MP (materiais particulados) devem ser de 90% em 10 anos, e de 95% em 20 anos. As emissões de Óxidos de Nitrogênio devem ser de 80% em 10 anos e 95% em 20 anos.

Além disso, se não houver mudança de tecnologia dos ônibus, o percentual de reduções deve ser menos significativo ainda, isso porque haverá um número menor de veículos Euro III para serem trocados e uma uniformização de veículos Euro V, com emissões cada vez mais uniformes.

Em torno de 50% da frota dos 14,4 mil ônibus em São Paulo são de tecnologia Euro III ainda.

As metas da nova lei não estipulam o tipo de ônibus menos poluente que os modelos a diesel, dando liberdade aos empresários escolherem os veículos desde que cumpram as reduções que serão sobre os índices apurados em 2016, quando a frota de ônibus Euro III (mais poluente) respondia por 60% do total de coletivos municipais.

Os empresários de ônibus dizem que podem aderir aos modelos menos poluentes que os movidos a diesel, mas querem uma remuneração maior porque alegam que estes veículos têm custo de aquisição mais alto e necessitam de adequações e investimentos na infraestrutura de terminais e garagens, como, por exemplo, implantação de estações de recarga de baterias para os ônibus elétricos.

Entre as soluções tecnológicas disponíveis por fabricantes no Brasil estão:

– Trólebus: fabricante Eletra. Tração elétrica, depende de redes de fios, sendo restrito a algumas áreas da cidade, mas entre as tecnologias alternativas ao diesel é considerada a mais  barata e de amplo conhecimento no sistema.

– Ônibus elétricos a bateria: fabricantes Eletra e BYD. Tração elétrica, depende de infraestrutura de recarga nos terminais e garagens. Há dúvidas sobre viabilidade técnica e econômica.

– Ônibus híbridos: fabricantes Eletra e Volvo. Tração mista entre elétrica e a combustão. Não depende de infraestrutura externa, mas reduções de emissões são menores. Empresários dizem que custo de aquisição é maior e, em Curitiba, os operadores dizem que é necessária remuneração diferenciada.

– Ônibus a etanol: fabricante Scania. Dos 40 veículos com esta tecnologia, apenas nove estão em circulação. Empresários reclamaram de custo por quilômetro e de necessidade de manutenção mais rigorosa.

– Ônibus a Gás Natural: fabricante Scania. Nos anos 1990, São Paulo teve uma frota destes veículos, mas operadores reclamavam de distribuição do combustível e do desempenho. Fabricante diz que soluções tecnológicas e malha de 15 mil km de dutos solucionaram estes problemas.

Com exceção dos trólebus, os donos de empresas de ônibus dizem ter dúvidas quanto à eficiência e operação dos demais modelos alternativos ao diesel. Além disso, argumentam que não existem modelos homologados de micro-ônibus e midibus (micrões) que não dependam exclusivamente de óleo diesel, isso porque, quanto menor o ônibus, proporcionalmente o veículo será mais caro se forem de modelos com novas tecnologias.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Ismael de Jesus Silva Mendes disse:

    Acrescente a tudo isso o Ecofrota que foi testado pela gestão Haddad e foi cancelada pelo atual prefeito sob o pretexto de que esse sistema é muito caro e a prefeitura não tem recursos financeiros suficiente para mantê-lo.

  2. Elvis disse:

    Vão usar esta informação para não renovarem a frota.

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