Vendas de ônibus usados caem, mas em ritmo menor que crescimento de vendas de novos

Veículo já foi usado pela empresa rodoviária Expresso Brasileiro, passou pela empresa de fretamento Galo de Ouro, depois para outra companhia de fretados, Galaxy Tur, e agora está como “particular” - Clique na foto para ampliar. O programador contratado pelo site ainda não conseguiu resolver os problemas das fotos cortadas pelo sistema

Tendência é de manutenção de queda, mas renovação da frota também cria mercado maior, principalmente para cidades menores

ADAMO BAZANI

Enquanto as vendas de ônibus novos cresceram expressivos 57,71% em janeiro deste ano em comparação com janeiro de 2017, com 1.115 unidades comercializadas, o mercado de ônibus usados registrou queda, mas não na mesma proporção.

Em janeiro de 2018, a queda foi de 1,17% em comparação com janeiro de 2017, com 3.617 ônibus usados comercializados.

Os números, tanto de novos como de usados, são da Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos, que reúne concessionárias e revendas em todo o País.

Na comparação entre janeiro de 2018 e dezembro de 2017, as vendas de ônibus novos caíram 30,44% e as de ônibus usados tiveram queda de 14,51%

O maior volume de produção e vendas de ônibus novos esperado para este ano deve se refletir em alterações no mercado de usados.

Não necessariamente alta de novos significa queda de ônibus usados no mercado. Isso porque, na maior parte das vezes, os ônibus que já foram dispensados em determinados sistemas pelas empresas não vão para o ferro-velho diretamente, embora a prática seja mais comum no setor de ônibus do que de carros e caminhões.

Em geral, os ônibus usados podem ter os seguintes destinos:

– Serem repassados para sistemas urbanos de transportes menores e com menos exigências em relação às frotas. Isso pode ocorrer entre empresas diferentes ou entre companhias de um mesmo grupo empresarial que atua em várias regiões.

– Serem repassados para linhas rodoviárias de regiões cujas condições de tráfego são mais rigorosas.

– Serem repassados para fretamento.

– Serem adquiridos para transportes rurais, escolares ou dentro de empresas ou indústrias.

– São adquiridos por bandas, igrejas, poder público para fazer consultórios itinerantes e outros serviços.

– Viram ônibus de transporte clandestino

Em alguns países, como no México, de acordo com executivos de montadoras, praticamente não há mercado de alguns tipos de ônibus usados porque ao final da vida útil, os veículos são desmontados e destruídos.

O objetivo é que as empresas não “alimentem” o transporte clandestino que futuramente vai concorrer com elas mesmas.

MARCAS:

O ranking de ônibus usados comercializados em janeiro, de acordo com a Fenabrave, ficou da seguinte maneira:

1°) Mercedes-Benz: 56,43%

2º) Volkswagen: 17,39%

3°) Volare: 12,55%

4º) Scania: 5,11%

5º) Volvo: 2,71%

6º) Agrale: 2,57%

Outros: 3,24%

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

6 comentários em Vendas de ônibus usados caem, mas em ritmo menor que crescimento de vendas de novos

  1. antigamente os onibus quando chegavam ao final da vida util eram reformados e reencarroçados, inclusive os monoblocos que eram totalmente reconstruidos pela INCABASA e voltavam ao estado de zero kilometro
    um exemplo foram os trolebus ACF Bril da CMTC que foram produzidos em 1946\47 nos Estados Unidos e vieram para São Paulo já usados nos anos 50 e rodaram até o ano de 2.000 sendo desativados.
    1 modelo de 1946 está no museu da CMTC e 1 modelo de 1947 que foi o ultimo a ser desativado, já com direção hidraulica adaptada, aparece em exposições publicas em datas comemorativas.

    • Jair, boa noite.

      Nem me lembra do INCABASA, nunca me conformei com esse “monobloco genérico”, nem sei como a MBB autorizou isto.

      Rssssssssssssssssssssssssssss

      Nunca gostei de buzão reencarroçado, em pouco tempo batia tudo.

      Hoje não sei se reencarroçar é viável, afinal tudo hoje é descartável.

      Abçs,

      Paulo Gil

      • Paulo Gil, boa tarde,

        A Incabasa foi um exemplo da criatura que queria se “rebelar” contra o criador, no bom sentido nesse caso.

        Ela inicialmente foi criada para fazer a manutenção e reforma dos monoblocos que dominavam as estradas brasileiras, principalmente no Norte e Nordeste. No entanto, a Incabasa adquiriu tanto know-how, que se quisesse, poderia construir um monobloco(carroceria) do zero.

        Com toda essa tecnologia que ela possuía, ela deu o pulo do gato, oferecendo aos clientes da Mercedes a opção dos monoblocos com pé direito mais alto, permitindo a inclusão de mais assentos. Assim ela “criou” os modelos O-362 S e O-355 S. Esses se diferenciavam por terem um bagageiro maior, melhor ventilação e maior oferta de assentos: enquanto o O-362 original tinha 36 assentos, o O-362 S Incabasa tinha 40 assentos. Já o O-355 tinha 40 assentos na versão original e 44 assentos na versão Incabasa O-355 S. Resultado:foi um enorme sucesso.

        Fez tanto sucesso que a Mercedes comprou 20% da Incabasa e mesmo sendo acionista, a diretoria da Mercedes sentia-se incomodada com esse sucesso e passou a dificultar o fornecimento de peças, motores e plataformas para a Incabasa montar seus monoblocos. Por ser acionista preferencial, a Mercedes não tinha direito a voto e não podia interferir diretamente na gestão do negócio, assim, vendeu seu lote de ações aos outros acionista e retirou-se de vez da Incabasa, mas, antes atrapalhou o quanto pode a vida da Incabasa.

        O quadro societário da Incabasa era uma verdadeira salada de frutas. Tinha desde empresas ligadas ao ramo de transporte rodoviário como a Viação Camurujipe e a Breda, a empresas de comunicação como o Jornal A Tarde e a Ericsson, passando por outras empresas de diversos ramos como a Chocolates Chadler, Concessionária De Nigris(revenda Mercedes), Concessionária Cobape(revenda VW), Concessionária Irmãos Curvello, Manoel Gonçalves Tecidos e um ministro do governo Castelo Branco, o economista Roberto de Oliveira, dentre outros acionistas.

        Abraço.

    • Pois é, mas o reencarroçamento estava fazendo com que as empresas colocassem carrocerias novas em cima de chassis velhos.

      A Incabasa fazia reforma nos monoblocos e dava assistência técnica para a Mercedes aqui no Nordeste.

      • Zé Tros, bom dia.

        Muito obrigado pelos esclarecimentos; eu nem sabia destas qualidades do Incabasa.

        Quero esclarecer uma coisa que eu deveria ter escrito no meu comentário inicial.

        Eu nem tinha ou tenho argumentos para falar sobre a qualidade da Incabasa, simplesmente é uma opinião pessoal e pelo visual que eu não me simpatizo.

        Agora eu entendi o porque daquele vidrão dianteiro, acho que era isto que eu achava esquisito.

        Mas com suas informações aprendi mais uma e pelo visto a MBB tomou um banho com as qualidades e ideias do Incabasa.

        Valeu, seu esclarecimento foi de grande valia para todos os leitores do Diário.

        Abçs,

        Paulo Gil

  2. outro exemplo é o mercedes LP-321 de 1958 que originalmente era encarroçado pela Caio e foi reencarroçado pela própria CMTC modelo Monika , sendo baixado nos anos de 76/78 e está exposto no Museu da CMTC

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