ANÁLISE – Ônibus em São Paulo perdem passageiros em 2017: Foram 52,3 milhões de registros a menos

Como não houve expansão significativa do Metrô para os extremos da cidade, boa parte desta demanda foi para o carro ou se deslocou menos. Em termos percentuais, redução foi de 1,8%

ADAMO BAZANI

As catracas dos ônibus e dos terminais do sistema municipal de São Paulo “giraram” em 2017, 52,3 milhões de vezes menos do que em 2016.

É o que mostram dados dos indicadores da SPTrans – São Paulo Transporte, empresa comandada pela prefeitura que faz a gestão do sistema.

Em 2017, os validadores registraram 2,86 bilhões de passagens, entre pagas e gratuidades, e, em 2016, foram 2,91 bilhões.

Em termos percentuais, a diferença não é tão grande: 1,8%, mas a variação negativa pode ser mais uma oportunidade para debater como as pessoas estão se deslocando na maior cidade da América Latina.

Em 2017, em torno de 13 milhões de pessoas em todo o País, devido à crise econômica, estavam desempregadas. Com isso, a demanda dos ônibus naturalmente cai. É menos gente indo para o trabalho e usando ônibus todo o dia. Por mais que o trabalhador saia para procurar emprego, o número de deslocamentos é menor que no dia a dia empregado.

Mas toda a queda de demanda de ônibus deve ser acompanhada de preocupação quando não há uma expansão efetiva da malha metroferroviária.

E foi o que aconteceu mais uma vez na capital paulista. Em 2017, foram poucas as inaugurações de estações do Metrô. As mais recentes ocorreram em 6 setembro na linha 5-Lilás: estações Borba Gato, Brooklin e Alto da Boa Vista.

E não foram estações nos extremos da cidade. Assim, boa parte da demanda destas estações ainda precisa pegar o ônibus para fazer seus deslocamentos diários.

Como as obras de Metrô são caras e lentas e também pelo fato que não é possível levar metrô para todos os cantos da cidade, o ônibus precisa atrair mais pessoas, principalmente as que estão nos automóveis, para que haja uma melhoria no trânsito e nas condições do ar: a cidade não suporta tanto carro e cada ônibus comum, em 13,2 metros de comprimento, pode tirar até 60 carros das ruas que ocupam 250 metros, levando em conta que a média de ocupação em cada automóvel é de 1,3 pessoa.

Mas o ônibus só atrai pessoas se for rápido, confiável, confortável, moderno e com tarifas módicas.

E aí começam os problemas. Sem corredores, faixas ou qualquer outra prioridade no espaço urbano, fica difícil competir com o carro e oferecer estes atributos.

Os modelos mais novos são confortáveis: os veículos já vêm com ar-condicionado, tomada USB para carregar celulares e wi-fi (apesar de não funcionar em todo o lugar). Mas todos estes benefícios são anulados caso a pessoa fica muito tempo dentro do ônibus, presa no trânsito, igual a pessoa que está em sua individualidade no carro.

A tarifa de ônibus em São Paulo, se não fossem os subsídios, de acordo com relatório da SPTrans, seria de R$ 6,66. Neste ano, a tarifa custando R$ 4 deve necessitar de subsídios de R$ 2,7 bilhões. Há R$ 2,3 bilhões reservados no Orçamento.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/12/29/raio-x-transportes-sao-paulo-caixa-preta-transportes-onibus/

Apesar de realmente o valor da tarifa não ser baixo, pelo que oferece o sistema de São Paulo, também não é exorbitante. Pelo Bilhete Único é possível pegar quatro ônibus em três horas pagando uma tarifa. É possível integrar dois ônibus com o Metrô e CPTM pagando R$ 6,96.

Algumas linhas da cidade de São Paulo possuem mais de 100 km de extensão.

Nos municípios vizinhos da Grande São Paulo, há cidades cujas tarifas são de R$ 4,50, com integrações e extensões bem menores, mas ressaltando, muitas, sem subsídios.

Isso quando não é o sistema metropolitano da EMTU, cuja boa parte da frota é de categoria inferior aos ônibus da capital, o percurso muitas vezes menor e a tarifa bem maior.

O Plano Plurianual da prefeitura prevê 72 km de corredores de ônibus até 2020, com aumento de 7% da demanda de ônibus neste mesmo período.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/07/11/novo-plano-de-metas-mobilidade-onibus/

Mas, com recursos públicos ainda limitados, não há uma certeza sobre as datas de estes corredores de fato estarem em funcionamento. A prefeitura busca, inclusive, financiamento internacional.

Entretanto, não bastam ser corredores e só. Os espaços devem ser qualificados, sempre que possível do tipo BRT (com pré-embarque – pagamento de tarifa antes do embarque) e áreas de ultrapassagem para não se formarem enormes filas de ônibus nas paradas.

Dados da SPTrans, divulgados pela GloboNews no início do ano, mostram que a velocidade média dos corredores de ônibus em 2017 foi a pior nos últimos quatro anos:  22,43 km/h. Em 2016, os ônibus empreenderam 23,38 km/h.; em 2015 a velocidade foi de  24,02 km/h e; em 2014, de 23,42 km/h.

Além das manutenções viárias e obras, motivos alegados à época pela SPTrans, um fato não pode ser negado: dos cerca de 130 km de corredores que a cidade tem, apenas 8 km são de BRT, correspondendo ao Expresso Tiradentes, entre Terminal Mercado e Terminal Sacomã.

A licitação dos transportes, que recebe sugestões da população até o próximo dia 3 de fevereiro, pretende incentivar, com remuneração maior, as empresas de ônibus que atraírem mais passageiros. É o Bônus por Produtividade Econômica: Ao final do ano, a empresa que conseguiu atrair mais passageiros e trouxer mais receita para o sistema ou que conseguiu reduzir custos sem comprometer os serviços vai ganhar um bônus: 50% destes ganhos ficam com a prefeitura e outros 50% vão diretamente para a empresa que obteve os resultados positivos.

Relembre os detalhes da licitação:

https://diariodotransporte.com.br/2017/12/21/licitacao-dos-onibus-em-sao-paulo-ouca-a-integra-da-entrevista-e-entenda-os-principais-pontos/

O objetivo é estimular as empresas a oferecerem serviços melhores. É uma lógica de mercado. Vende mais quem capricha mais no seu produto.

A ideia é boa sim, mas, na prática, estes resultados não dependem apenas das empresas.

A infraestrutura na cidade ainda é precária para ônibus.

Quando se fala em infraestrutura para ônibus, logo se pensa em corredor, que é essencial. Mas e a periferia?

Aí o abandono é grande: ruas estreitas, esburacadas e com o trânsito desorganizado.

Ações simples, como disciplinar e fiscalizar (não proibir) os estacionamentos nas ruas de periferia, por exemplo, já poderiam fazer toda a diferença.  Todos os dias, parte da frota dos 14,4 mil ônibus de São Paulo atrasa porque o motorista não consegue fazer uma curva num bairro porque tem um carro parado bem na esquina, tirando todo o ângulo necessário para o ônibus.

Ônibus em buraco também anda mais devagar.

No meio disso tudo fica o passageiro que, pelo modelo de licitação, vai ser obrigado a fazer mais baldeações por causa da “racionalização do sistema”.

E muitas vezes, no meio do caminho mesmo. Ou esperando o ônibus do bairro chegar ao terminal de integração, cujo motorista tenta a todo o custo fazer a curva sem levar o carro parado na esquina, ou aguardando o ônibus grande, troncal, que apesar de poder levar até 200 passageiros de uma só vez, sem corredor, tem de dar espaço para o carro só com o motorista passar.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

12 comentários em ANÁLISE – Ônibus em São Paulo perdem passageiros em 2017: Foram 52,3 milhões de registros a menos

  1. Francisco das chagas do nascimento // 26 de janeiro de 2018 às 19:54 // Responder

    É verdade, com a facilidade de se comprar um carro, os passageiros deram preferência seu próprio veículo.

  2. Gláucio oliveira // 26 de janeiro de 2018 às 20:54 // Responder

    E isso com várias linhas extintas e seccionadas que se sobrepunham. E muitas estupidez da sptrans. Você tá no início da corifeu Azevedo marques no Butanta e quer ir na usp que é do lado ou na praça Panamericana que é próximo não tem bus direto. O tempo que se perde na baldeaçao é o tempo de chegar. Se você tiver na rua augusta e quiser ir na mesma altura da brigadeiro Luiz António tipo al. Lorena de bus tem que pegar até 3 bus. Se for andando chega 1º. Você não tem uma das várias linhas da augusta que entra na paulista e nem todos que usam carro tem o b. Único. Aí se vai pagar 2 bus fica + caro que uber. E na licitação vão fazer que nem as linhas noturnas que foram criadas. Na minha região do cpo. Lpo tinha praça ramos noturno. Quando criaram as noturnas sou obrigado a ir para o terminal pinheiros que só para ir la e voltar quando sai do itinerário normal é 20 minutos se o outro para praça ramos sair imediatamente. Esses absurdos que ajudam a perder passageiros

    • Disse tudo Glaucio…a SPTrans nunca se preoculpou com o passageiros…mas sim com lucro das empresas….extingui-se muitas linhas, prejudicando muitos passageiros que assim como eu abandonei o onibus e uso carro particular, poia vou sentado, chego mais rapido e mais barato…

    • Glaucio Oliveira, bom dia.

      Perfeito seu comentário.

      Mas como criador da linha 7725 (antes da existência da Linha 4 Amarela do Metro), na carta que eu enviei a fiscalizadora, a sugestão inicial foi:

      Terminal Vila Yara – Metro Vila Madalena, via USP, passando pelas principais vias cujo itinerário eu sugeri numa cópia do guia da cidade e com microbuzinhos fazendo uma linha rápida VAPT VUPT.

      Porém, segundo informações da fiscalizadora, o Terminal Vila Yara não comportava mais uma linha e foi criada a 7725, Rio Pequeno – Metro Vila Madalena Via USP, com alguns lerdos buzões de motor traseiro dentre alguns cabritinhos da extinta OAK TREE.

      Apesar de não ter como base o Terminal Vila Yara a linha seguiu o itinerário que eu sugeri e deu certo.

      Porém, após algum tempo o itinerário foi convertido para o ziguezagcarangujeado, 21/21 (ou +), e depois passado mais algum tempo passou a ser Rio Pequeno – Terminal Lapa, via USP.

      Lembrando que agora ela vai quase até o Jardim Adalgiza.

      https://www.onilinhas.com.br/sao-paulo/itinerario/linha-7725/

      Observo que depois que era virou ziguezaguezarnguejado, nem eu o criador da 7725, uso mais a linha, pois conseguiram deixar ela inviável ao passageiro, e mais prático ir a pé.

      Quanto a ir do início da Corifeu até a USP, o problema é que a fiscalizadora insiste em manter a 8012 e a 8022 até o Terminal Buta e fazer com que a 7411, 702-U, passem em frente a estação do Butantã do metro 4; isto deixa todas estas linhas LERDAS.

      Mas não há que faça a fiscalizadora otimizar isso, seria muito mais prático os passageiro caminharem até a Avenida Waldemar Ferreira e o buzão seguir em linha reta, mas a fiscalizadora não gosta de LINHA RETA.

      Quanto ao acesso à Praça Panamericana concordo com você, pois não há um buzão que ligue os Terminais Vila Yara e Pinheiros, via Praça Panamericana.

      Mas infelizmente como isto é fácil de resolver, a fiscalizadora não gosta, preferiram escrever 36000 páginas.

      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKk

      Abçs,

      Paulo Gil

  3. E não deve melhorar tão logo. Eu pesquisei varias das linhas proposta nesse edital. Ele é muito parecido com do Haddad (nos itinerários). Aqui no extremo leste, vi que algumas linhas que se sobrepõe rumo ao T.Dom Pedro serão encurtadas ou extintas, mas sem que haja modificação no viário. Desse jeito ficará difícil ir de ônibus ao trabalho e inviável para voltar, pois até as pessoas chegarem na periferia já passaram as 2 horas. As sobreposição são necessárias até quando há opção de alta demanda, vide a 4310. Caso isso se confirme a opção será se apertar ainda mais nos trens e metrôs. Ou comprar uma moto.

    • Urashima, boa tarde.

      Lembrando que as “novas” linhas terão até 3 anos para ser implantadas; se é que haverá novas linhas.

      Eu duvido, pois a fiscalizadora ama linhas ziguezagueadas caranguejadas, 21/21, sobrepostas e do tipo Penha – Lapa.

      É mais do mesmo.

      Abçs,

      Paulo Gil

  4. Amigos, boa tarde.

    Óbvio que se todo o buzão de Sampa fosse igual ao Expresso Tiradentes, tudo seria diferente.

    Mas infelizmente não é; afinal a fiscalizadora NÃO gosta de fazer linhas RETAS, ela SÓ gosta de fazer linhas ziguezagueadas caranguejadas, 21/21 e do tipo Penha – Lapa; bem como um edital de licitação para consulta pública com apenas 36000 páginas.

    E agora para piorar o buzão de Sampa é “CINQUENTINHA” (velocidade máxima 50 Km/h), assim não há quem aguente.

    Portanto não é Corredor, BRT, BRS, pagamento antecipado e o escambal que fará o buzão de Sampa ter aumento de demanda.

    Observo que com relação ao pagamento antecipado, nem isso a fiscalizadora sabe fazer, no embarque do Expresso Tiradentes no metro Vila Prudente, não há pré portas, permitindo com que haja a possibilidade de embarque irregular, algo inadimissível.

    A queda de demanda no buzão de Sampa além de aumentar a cada dia ela só tem um ÚNICO motivo.

    O BUZÃO DE SAMPA NÃO FUNCIONA, OU SEJA NÃO ATENDE AO MERCADO, NÃO OFERECE O QUE O PASSAGEIRO NECESSITA.

    O que o passageiro precisa é se deslocar do Ponto A até o Ponto B no menor tempo possível e em linha RETA só isso.

    Lembrando que a tarifa do buzão NUNCA será nem razoável, até por conta das taxas que o puuuuuuuuuuuuuuder cobra das empresas e pelo Barsil ser burrocrático, corrupto e inflacionado, portanto esta questão de tarifa nem deve ser mais tratada, ELA FAZ PARTE DO “CU$TO” Barsil (basta rever a entrevista que o Sr. Eike Batista concedeu há alguns meses atrás) .

    Se o produto “Buzão de Sampa” funcionasse, o consumidor, passageiro ou cliente; pagaria mesmo que fosse os R$ 6,66 pois valeria o quanto pesa.

    Lembrando que ninguém paga preço de Filet Mignon pelo Músculo ou do Camarão pelo Bagre.

    E tem mais, precisa considerar também neste pequeno edital de 36000 páginas que apesar de todo o atraso e do desperdício do dinheiro do contribuinte, os Aerotrens em breve deverão rodar (assim espero).

    E com mais “trilhos”, ai é que o buzão vai a óbito de vez.

    ACOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORDA SAMPA.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

    • Complementando:

      Levanto uma questão para reflexões de todos.

      Alguém acha que depois do início da operação da Linha 4 Amarela do Metro, ainda deve existir a linha 8705 Parque Continental – Anhangabaú ???

      Só a título de informação, esta linha foi criada pela CMTC na década de 70, operada pelos Monika’s Scania Vabis novinhos com bancos azuis macios.

      A linha existe há 48 anos, mesmo depois do ínicio da operação do Metro 4 Amarelo.

      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, NADA evolui no buzão de Sampa.

      Claro que não né (respondendo a pergunta).

      Basta a 8019 até Terminal Buta, ai vamos de Metro 4 até a República.

      Neste embalo pode retirar também a ressuscitada Vila Gomes Circular e tantas outras que tem por Sampa desnecessariamente.

      Isto otimizaria a linha 8019, diminuiria o fluxo de buzão na Corifeu, na Votal Brasil e no Corredor Rebouças; , otimizando tudo, mas …

      Só que ao invés de otimizar, a fiscalizadora criou recentemente uma linha, Metro Buta – Praça Ramos, total absurdo.

      Sem contar que o ponto inicial é na faixa do buzão na Avenida Afrânio Peixoto atrapalhado o próprio buzão e cometendo uma infração de trânsito, estacionar em local proibido.

      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

      Pensando bem, acho que o problema do buzão de Sampa é a existência da fiscalizadora, afinal ela só complica não simplifica.

      36000 páginas …

      ACORDA SAMPA, MUDA BARSIL.

      Att,

      Paulo Gil

  5. Gláucio oliveira // 28 de janeiro de 2018 às 09:11 // Responder

    De fato a 8700 23 Butanta pç. Ramos é o suprassumo da incoerência da sptrans. Você cria uma linha sobreposta a 2 do mesmo consórcio. A 7411 e 702u. Aí anda menos de 1 km sobrepõe a 8705 e a 8707 e + 500 m a linha 8700 10. A 7545.7903.702c … Sobre a integração com o metro no Butanta teria que ser bem + baixo valor ou de graça e o governo estadual subsidiar. Senão é o que acontece com a 3459 que vem de itaim paulista pq.dom Pedro que vem sobrepondo a cptm e metro em 02h lotados e superartic.que não dão conta por causa do valor da integração

  6. Bom dia , gostaria de deixar minha opinião , a quantidade de passageiros não caiu , mas as fraudes sim Aumentaram , não tem um controle sobre a gratuidade , bilhete unico especial vencido que não passa na catraca e desce sem pagar , pessoas que não tem idade para descer pela frente com o uso do RG mas assim os fazem , sem contar as caronas que aumentam a cada dia.
    Não seria o fim do problema mas ajudaria muito se o validador e a catraca fossem mais a frente do ónibus do lado do motorista assim não teria espaço na frente para os espertinho dar o golpe .

  7. A tese do nosso prefeito e menos ônibus mais conforto para os que usam carros, mais não se preocupem, ele vai dar um jeito de continuar a remunerar muito bem os donos das empresas de ônibus, pois a para eles empresários em geral que esse governo trabalha e não para a população, há esqueci prefeito cade o rapidão.

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