OPINIÃO: Ônibus limpos a GNV e Biometano em São Paulo e a diversidade tecnológica e energética

OLIMPIO ALVARES

Mais abaixo segue o link de um atual e oportuno artigo científico dos colegas pesquisadores do Instituto de Energia e Ambiente – IEE-USP e do Research Centre for Gas Innovation – RCGI, que apresenta alguns cenários futuros comparativos de emissões da frota de ônibus urbanos de São Paulo, considerando uma eventual possibilidade de penetração gradual nos próximos vinte anos dos ônibus movidos a gás natural (um combustível muito limpo e que proporciona redução dos níveis de ruído) – o que ontem (em 17.01.2018) foi vedado pela lei municipal 16.802/2018 sancionada pelo Prefeito João Dória, dada a forma radicalmente inflexível como ela foi redigida.

A possibilidade de adoção da tecnologia do gás natural nos ônibus urbanos nos próximos anos na frota do Município de São Paulo, pela magnitude dessa frota de cerca de pouco menos de quinze mil ônibus, poderia ser um fator fundamental para o desenvolvimento do mercado do Gás Natural veicular – GNV e dos motores dedicados à queima de gás. Esse é exatamente o caminho potencial virtuoso de transição para o uso do biometano 100% renovável, em substituição ao GNV, daqui a alguns poucos anos.

Note-se, que a diversidade energética e tecnológica está sendo considerada e adotada em muitas grandes cidades de países ambientalmente avançados e ricos, engajadas – no âmbito da iniciativa do grupo de cidades conhecido por C40 – na luta por ar limpo e redução de emissões de CO2 fóssil das frotas de ônibus urbanos, sob o compromisso firmado no “Clean Bus Declaration“.

O tema da diversificação tecnológica e energética nessa área não diz respeito exclusivamente à tecnologia do gás e ao biometano, mas também à possibilidade de adoção dos já consolidados e confiáveis ônibus híbridos, das misturas de biodiesel em maiores teores, de outros biocombustíveis sintéticos e do etanol, em motores convencionais a diesel e de células de combustível (hidrogênio). Afinal, vivemos na Meca da diversidade energética e dos biocombustíveis e isso não poderia ser ignorado em planos de desenvolvimento de mobilidade sustentável, dadas as vantagens competitivas que temos nessas áreas.

Além do aspecto das emissões praticamente nulas de particulado cancerígeno e das emissões reduzidas de CO2 fóssil, essa abertura de horizontes seria extremamente interessante por aqui, sob o aspecto econômico-financeiro e da salutar diversidade tecnológica e energética – algo que pode estar sendo esquecido no caminho trilhado hoje em São Paulo.

Com o agravo da conjuntura econômica atual, estaríamos dispostos a pagar o preço de um descuido como esse?

Link do artigo científico dos pesquisadores do Instituto de Energia e Ambiente – IEE-USP e do Research Centre for Gas Innovation – RCGI:

https://link.springer.com/article/10.1007/s11027-017-9771-y

Olimpio Alvares é engenheiro mecânico pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1981, Diretor da L’Avis Eco-Service, especialista em transporte sustentável, inspeção técnica, emissões veiculares e poluição do ar; concebeu o Projeto do Transporte Sustentável do Estado de São Paulo, o Programa de Inspeção Veicular e o Programa Nacional de Controle de Ruído de Veículos; fundador e Secretário Executivo da Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP; Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades – SOBRATT; é assistente técnico do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental – PROAM; consultor do Banco Mundial, do Banco de Desenvolvimento da América Latina – CAF e do Sindicato dos Transportadores de Passageiros do Estado de São Paulo – SPUrbanuss; é membro titular do Comitê de Mudança do Clima da Prefeitura de São Paulo e coordenador de sua Comissão de Transportes e Energias Renováveis; membro do grupo de trabalho interinstitucional de qualidade do ar da Quarta Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR) do Ministério Público Federal; colaborador do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama, Instituto Saúde e Sustentabilidade, Instituto Mobilize, Clean Air Institute, World Resources Institute – WRI-Cidades, Climate and Clean Air Coalition – CCAC e do International Council on Clean Transportation – ICCT; é ex-gerente da área de controle de emissões veiculares da Cetesb, onde atuou por 26 anos; membro da coordenação da Semana da Virada da Mobilidade.

3 comentários em OPINIÃO: Ônibus limpos a GNV e Biometano em São Paulo e a diversidade tecnológica e energética

  1. SDTConsultoria em Transportes // 19 de Janeiro de 2018 às 11:23 // Responder

    Um profissional com esta experiência , vivência e trânsito livre nestas instituições deveria ao menos ser ouvido e respeitado no que tange aos transporte limpo. Contudo gostaria de ouvi-lo ou saber da sua opinião sobre os elétricos . Já existe algum estudo específico sobre esta transição ? Em termos estruturais das garagens quanto isto representa em termos de investimentos ? Estou analisando com frequência as inovações apresentadas em termos de tecnologia , mas como ficam as estruturas existentes ? Como estes valores serão diluídos ?
    Quando falamos em transportes de passageiros a logística operacional contemplam as tabelas cheias e as tabelas de reforços. as primeiras regularmente variam de 18 – 20 horas de operação ininterruptas , mudando motoristas e cobradores , porém os veículos permanecem em operação , em algumas situações rodam até 500 Km/dia. Iniciam suas operações as 03:00 – 04:00 da manhã e retornam entre 01 e 02 horas da manhã ( tempo necessário para limpeza interna e externa , abastecimento , lubrificação ,inspeção de vala , se não houver intervenções corretivas… Os envolvidos /interessados alegam que estes veículos ( elétricos ) tem autonomia para 08 horas de operação e que necessitam em média de 04 horas para carga das baterias. Para 5 -10 talvez até 20 unidades seria possível viabilizar… mas quantos ônibus temos por garagem ? 250 – 350 – 500 ? É possível efetuarmos trocas ao longo do dia e recarregarmos , sim é possível . Ver menutas e contratos de licitação e o que os empresários recebem em relação ao início e final de operação ? Quem arcará com estas despesas ? Me parece que estamos buscando soluções interessantes e necessárias , mas não leio e nem ouço comentários sobre o todo. Ao longo da minha trajetória já ouvi muitos discursos de políticos de que este é custo do meio ambiente e que os empresários terão que absorver , mas isto está correto ? Em 1.992 quando estive a trabalho no Rio de Janeiro , já tínhamos a opção dos motores a GAZ , por que isto não evoluiu ? Em termos operacionais era complicado a logística a durabilidade dos motores não ultrapassavam 2,5 anos… Penso que o sr. tem uma bagagem invejável e deveria se expor muito mais nos auxiliando em todasa as fase de implantação de novos modelos de transporte … Boa sorte !

  2. Amigos, boa noite.

    Muito inteligente a ilustração do buzão da foto.

    Mas no Barsil, o buzão verde, seja a gás, biogás, bateria, elétrico, biocombustível, xistonizado ou não; só uma coisa é certa.

    Ainda NÃO há um norte prático seja com Lei ou sem Lei.

    AMADURECE BARSIL.

    Att,

    Paulo Gil

  3. Seria muito bom um combustível limpo mas como o petróleo ainda deixa seus Royalties, acho que o meio ambiente vai ter que esperar o amadurecimento de políticos, espero que não seja tarde.

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