Empresa de ônibus de Brasília dá oportunidade para refugiado sírio
Publicado em: 14 de janeiro de 2018
Segundo imigrante, após ser acolhido por colegas e viação, nem se sentiu mais que estava numa terra até então nova
ADAMO BAZANI
A questão dos refugiados em todo o mundo ainda é marcada pelo preconceito.
Ultranacionalistas e pessoas desinformadas ainda propagam discursos de ódio com ideias como as que pregam que os refugiados tiram emprego, renda e significam ameaça à segurança dos países que os acolheram.
Mas instituições e empresas com visão humana de fato entendem que vários destes milhões de homens, mulheres e crianças espalhados por todo o mundo têm muito a oferecer para os cidadãos que os acolhem.
E nesta corrente de humanidade, as histórias de uma empresa de ônibus de Brasília e de um refugiado dos conflitos na Síria se encontram.
Formado em Engenharia Elétrica na Síria, Ahmed é hoje eletricista na Expresso São José se diz grato pelo emprego em si, mas também pelo acolhimento e amizades.
“Inicialmente, a vaga era para ser lavador de ônibus. Só que eles acharam que eu tinha mais qualificações do que as necessárias para esse cargo, e preferiram me colocar na manutenção elétrica … Achei um desafio para mim, mas eles contaram comigo, e diziam ‘a gente acredita em você, e você vai conseguir” – disse Ahmed ao portal da ACNUR, a Agência da ONU para refugiados.
A oportunidade a Ahmed veio por outra corrente do bem.
O diretor da Expresso São José, Adriel Lopes, viu uma matéria jornalística sobre refugiados e procurou o IMDH – Instituto Migrações e Direitos Humanos, instituição parceira da ACNUR.
A freira Rosita Milesi, diretora do IMDH, indicou Ahmed.
O engenheiro sírio chegou ao Brasil em 2014 e trabalhou por um mês como garçom, no Rio de Janeiro. O imigrante decidiu se mudar para Brasília, onde conheceu o instituto.
O início não foi fácil, mas a força de vontade fez a diferença positiva.
A conversa com a técnica em segurança do trabalho da Expresso São José, Ana Amélia Costa, se dava pelo aplicativo Google Tradutor.
A força de vontade de Ahmed em aprender um novo idioma motivou a profissional a estudar inglês e também crescer.
Hoje, Ahmed fala muito bem o português.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Amigos, bom dia.
Concordo com a oportunidade.
Mas não concordo em colocar um engenheiro elétrico para exercer a função de eletricista.
Ele tem qualificação para ser melhor aproveitado.
Questão polêmica, mas …
Att,
Paulo Gil
Precisa ver se o curso de engenharia da Síria é aceito aqui como graduação.
Também era a vaga disponível no momento, segundo a empresa, que tem planos profissionais
Não é questão do curso ser aceito aqui, até onde eu sei, nenhum curso de graduação fora do Brasil é aceito automaticamente aqui, é necessário fazer uma convalidação e isso é bastante burocrático e caro ($$).
Ele tem que pegar o histórico, grade curricular, descrição de cada matéria cursada lá na Síria, depois fazer a tradução juramentada, submeter ao processo de convalidação em uma Universidade Federal que faz isso e esperar pela aprovação, detalhe, até mesmo a Universidade Federal cobra por isso, sendo aprovada ou não. Se a grade curricular for muito diferente ela não é aprovada.
Obrigado pelas informações.
Mas será que como refugiado e num País em conflito, na prática, ele conseguiria pegar o histórico, grade curricular, descrição de cada matéria cursada lá na Síria, depois fazer a tradução juramentada? Acho que ele não teria facilidade dadas estas condições