Três empresas de São Luís (MA) não pagam salários e rodoviários retém ônibus nas garagens

Ônibus da Viação Primor (São Luís/MA), que não foi afetada pela paralisação. Foto: Jackson A. Barbosa / Ônibus Brasil)

São Benedito, Autoviária Matos e Marina não pagaram salários e nem forneceram os benefícios que rodoviários têm direito

ALEXANDRE PELEGI

Conforme anunciamos ontem, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Maranhão (STTREMA), que representa motoristas e cobradores de São Luís, havia dado prazo até às 18h desta terça-feira (9) para que os empresários de ônibus quitassem as pendências legais com a categoria. Eles exigiam o pagamento de salários em atraso e o 13º, caso contrário impediriam a circulação dos ônibus.

Na noite de ontem, o STTREMA anunciou que faria hoje a paralisação de ônibus de três empresas em São Luís. De acordo com o Sindicato, os veículos das empresas São Benedito (garagem no Recanto dos Vinhais), Autoviária Matos (garagem no Bairro de Fátima) e Marina (garagem na Vila Flamengo) ficariam retidos nas garagens.

Isaías Castelo Branco, presidente do sindicato que representa os trabalhadores, informou que estas empresas, além de não terem quitado os salários de dezembro, também não cumpriram com os benefícios a que os trabalhadores têm direito – plano de saúde, plano odontológico, ticket alimentação e parte do 13º salário. Há casos de funcionários, segundo o sindicato, que não recebem benefícios há três meses.

Isaías afirmou ainda que tais empresas estão obrigando os funcionários a trabalharem sem a garantia de direitos.

ÚLTIMO REAJUSTE DA TARIFA DE ÔNIBUS EM SÃO LUÍS ACONTECEU EM MARÇO DE 2016

Em São Luís, o último reajuste na tarifa de ônibus aconteceu em março de 2016. As negociações para o aumento da passagem na capital maranhense estão paralisadas desde agosto de 2017.

Representantes do SET, Sindicato das Empresas, entregaram à Prefeitura de São Luís uma planilha de gastos que demonstra queda na arrecadação, com destaque para o custo do diesel, que impactou fortemente os custos de operação.

Algumas empresas de ônibus de São Luís afirmam que hoje a defasagem entre o valor cobrado nas tarifas e os custos de operação do sistema já chega a 50%.

Imperatriz, a segunda cidade mais populosa do Maranhão, com mais de 270 mil habitantes, reajustou a tarifa no dia 6 deste mês  em 16%. A Prefeitura de São Luís, até o momento, não se manifestou sobre o assunto.

EMPRESAS DO SETOR SE QUEIXAM DE ATRASO NO REAJUSTE

Quatro empresas venceram a licitação do transporte público de São Luís, finalizada em julho de 2016: os consórcios Central, Via SL e Upaon-Açu, além da Viação Primor.

O Sindicado das empresas reclama do atraso na decisão para a revisão tarifária, que está prevista no edital de licitação do transporte público em seu item 3.1, referente à “manutenção do equilíbrio econômico-financeiro da concessão”. Os empresários afirmam que está assegurado à concessionária o reajuste anual da tarifa de remuneração, a ser concedido “por ato do poder concedente”.

O último caso de ameaça de paralisação de ônibus em São Luís por causa de descompromisso salarial foi registrado em novembro de 2017. Na ocasião, uma decisão judicial impediu o movimento. Outras paralisações foram cogitadas em janeiro e junho. Além da questão salarial, outra razão comumente utilizada em anos anteriores pelos rodoviários para greve foi a insegurança, devido ao número de casos de assaltos. Até o momento, o STTREMA não informou o levantamento de assaltos em 2017.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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