BNDES diz que estuda financiar melhorias no sistema de transportes de São Paulo em 2018
Publicado em: 4 de janeiro de 2018
No ano passado, total de desembolsos para a mobilidade urbana caiu em todo o País
ADAMO BAZANI
O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social anunciou nesta quinta-feira, 04 de janeiro de 2018, que os financiamentos em infraestrutura pela instituição podem atingir R$ 54 bilhões no biênio 2018- 2019.
Segundo projeções da Diretoria de Infraestrutura do banco, em nota, a “maior parte – cerca de 60% do total – virá de investimentos em energia (geração, transmissão e distribuição), setor onde o BNDES tem dado prioridade a projetos de fontes renováveis, especialmente solar e eólica. Essa previsão foi feita a partir de projetos já enquadrados ou em análise no Banco, que somam R$ 35,9 bilhões, acrescidos de uma projeção de cerca de R$ 18 bilhões de novos financiamentos a partir dos leilões de energia.”
Somente em 2018, o BNDES deve desembolsar R$ 23 bilhões para infraestrutura, dos quais R$ 14 bilhões para o setor de energia e R$ 9 bilhões para saneamento, transportes e logística.
A mobilidade deve receber recursos. Entre os projetos de financiamento, por exemplo, estão melhorias no sistema de transportes por ônibus da cidade de São Paulo, com projetos de corredores, e o BRT – Bus Rapid Transit de Vitória, no Espírito Santo.
Os projetos para estas duas capitais já estão em análise, segundo o banco.
Ainda de acordo com a informação do BNDES, em 2017, o total de desembolsos (quando o dinheiro de fato chega ao projeto) cresceu 13% em relação a 2016. Na nota, o BNDES diz que estre crescimento foi puxado pelo setor de energia. Em relação à mobilidade, houve queda de liberação de recursos na ordem de 23%.
“No ano de 2017, a área de Infraestrutura do BNDES registrou um crescimento significativo em relação a 2016. As contratações de projetos cresceram 26%, de R$ 15,16 bilhões (2016) para R$ 19,45 bilhões (2017), enquanto os desembolsos aumentaram 13%, de R$ 17,54 bilhões (2016) para R$ 19,83 bilhões (2017).
Esse crescimento foi puxado pelos projetos de energia: as contratações cresceram 52%, enquanto os desembolsos aumentaram 69%. O aumento compensou a redução nas áreas de saneamento, logística e mobilidade urbana, onde as contratações caíram 44% e os desembolsos, 23%. A queda deveu-se à soma de diferentes fatores, como os problemas enfrentados por projetos que tinham sócios envolvidos na Operação Lava Jato e a redução nos leilões de concessões de rodovias e aeroportos nos anos anteriores.” – prossegue a nota
Apesar do crescimento das liberações de verbas para infraestrutura, de uma maneira geral, os desembolsos do BNDES em 2017 devem cair em relação a 2016. O setor de infraestrutura representa entre 30% e 40% em dos recursos liberados pelo banco habitualmente.
Entre janeiro e novembro de 2017, o BNDES desembolsou cerca de R$ 60 bilhões, valor 20% menor que o total liberado no mesmo período em 2016. O balanço completo do banco deve ser divulgado no próximo dia 30.
O BNDES tem uma dívida de mais de R$ 400 bilhões com o Tesouro Nacional e tem de devolver parcelas para abater este débito. Em 2017, já devolveu cerca de R$ 50 bilhões. Em 2018, o governo Michel Temer quer R$ 130 bilhões, mas o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, disse que não terá condições de restituir este valor.
Apesar deste débito, a diretora de Infraestrutura do BNDES, Marilene Ramos, diz estar otimista em relação a 2018 e 2019. Segundo a executiva, os setores de energia, rodovias, ferrovias e hidrovias devem receber maiores recursos.
“Somente na área de energia, deveremos ter nesses dois anos cerca de R$ 32,6 bilhões em novos financiamentos do BNDES. Mas outras áreas também terão crescimento expressivo, especialmente nos setores de logística, com rodovias e ferrovias, e de hidrovias. Apesar da crise econômica, começamos 2018 com muito trabalho e muitos projetos para apoiar”, disse na nota divulgada pelo banco, a diretora de Infraestrutura do BNDES, Marilene Ramos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


