Rodoviários do Rio de Janeiro descartam greve

Ônibus devem funcionar normalmente

Categoria vai fazer as reivindicações salarias e de benefícios atrasados na Justiça

ADAMO BAZANI

Motoristas e demais funcionários dos transportes municipais por ônibus no Rio de Janeiro decidiram em assembleia nesta terça-feira, 02 de janeiro de 2018, não entrar em greve.

De acordo com o Sitraturb, que é o sindicato da categoria, a decisão é esperar a volta do judiciário do recesso e pedir na Justiça aumento nos salários (que estão congelados desde junho de 2016) e pagamentos de 13º salários, cestas básicas, benefícios e salários em atrasos.

BATALHA DE LIMINARES NA VIRADA DO ANO

Os rodoviários chegaram a anunciar greve para o dia 31 de dezembro, mas foram impedidos pela Justiça do Rio de Janeiro poucos dias antes, na sexta-feira, 29 de dezembro. Acatando pedido do Rio Ônibus, o sindicato das empresas, o desembargador Evandro Pereira Valadão Lopes, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região,  proibiu qualquer paralisação de rodoviários do município em todo dia 31 de dezembro de 2017 e até às 10 horas da manhã no dia 1º de janeiro de 2018.

No dia seguinte, dia 30, nova decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região atendeu aos reclamos dos rodoviários, que têm sido motivo para seguidas paralisações: os atrasos nos salários e do 13º, além das férias e da ausência de reajuste da categoria. Novamente em medida liminar, e desta vez atendendo a um pedido do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio (Sintraturb Rio), o desembargador plantonista Gustavo Tadeu Alkmim determinou o arresto de todo dinheiro que seria arrecadado pelas empresas de ônibus do Rio de Janeiro no domingo (31), último dia do ano. Os valores deverão ser destinados exclusivamente para o pagamento dos funcionários.

O magistrado alegou a petição inicial do Sintraturb veio “instruída com documentos que comprovam a situação precária que vive boa parte dos trabalhadores da categoria, o que pode se verificar pelas diversas ações de cobrança demonstrando a falta de pagamento de salários e outras verbas salarias” … “Em suma, o momento vivenciado pelos trabalhadores exige a contrapartida do Poder Judiciário, pois parece evidente a lesão de direito que precisa ser sanada. E considerando a ainda necessária tramitação dos processos individuais, e tendo em vista a possibilidade de novo momento paredista (greve), e ainda se levando em conta que as negociações estão completamente esgotadas, podendo ainda serem intermediadas por estre Tribunal, faz-se necessária medida de urgência capaz de assegurar direitos dos trabalhadores, pois evidente o perigo de dano e risco ao resultado útil do processo”.

As empresas de ônibus, por sua vez, justificam que estão sem condições de oferecer reajuste salarial e algumas em atraso nos pagamentos, por causa o congelamento da tarifa de ônibus pela administração Marcelo Crivella e duas reduções no valor por determinação da Justiça.

O Rio Ônibus, que representa as empresas de ônibus, divulgou nota em que afirmava que a decisão do TRT de arresto da receita do dia 31 “vai agravar ainda mais a crise que atinge, desde o início de 2017, o setor de transporte por ônibus”. Diz ainda: “O cumprimento da liminar vai pressionar as empresas, que já vêm enfrentando dificuldades para pagar em dia os salários de seus funcionários, e também seus fornecedores.”

Duas companhias faliram no ano passado e, desde 2015, oito empresas fecharam as portas.

EMPRESAS DE ÔNIBUS QUE JÁ FECHARAM NO RIO DE JANEIRO:

2017:

– Viação São Silvestre (Consórcio Intersul)

– Transportes Santa Maria

2016:

– Auto Viação Bangu (Consórcio Santa Cruz)

– Algarve (Consórcio Santa Cruz)

2015

– Translitorânea (Consórcio Intersul)

– Rio Rotas (Consórcio Santa Cruz)

– Andorinha (Consórcio Santa Cruz)

– Via Rio (Consórcio Internorte)

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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