TJ nega ilegalidade e greve de ônibus na Grande Vitória continua
Publicado em: 28 de dezembro de 2017
Percentual de frota foi mantido por desembargador
ADAMO BAZANI
O desembargador Marcello Mancilha, do TRT – Tribunal Regional do Trabalho negou o pedido de ilegalidade e suspensão da greve dos motoristas e cobradores de ônibus da Grande Vitória, que nesta quinta-feira, 28, completa três dias, afetando em torno de 600 mil passageiros diariamente.
Na decisão, o desembargador afirmou que atender ao pedido formulado pelo GV Bus, sindicato das empresas de ônibus, seria o mesmo que “proibir a greve”, o que fere um direito constitucional.
O juiz ainda declarou na decisão que as empresas de ônibus não conseguiram provar que houve bloqueios nas garagens e descumprimento de frota mínima determinada na segunda-feira da semana passada.
Os percentuais de cumprimento de frota foram mantidos pelo magistrado: 70% dos ônibus em circulação nos horários de pico (das 6h às 9h e das 17h às 20h) e 50% nas demais horas.
Os trabalhadores querem reajuste salarial entre 7% e 10%, mas aceitam negociar percentuais em torno de 5%. Na última audiência de conciliação, a categoria rejeitou proposta de reajuste de 2%.
O índice inicial apresentado pelo GVBus – Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória foi de 1,83%
A entidade patronal chamou o sindicato trabalhista de intransigente, em nota.
“Lamentamos a posição intransigente do sindicato dos trabalhadores, pois eles estão cientes da atual situação das operadoras do Transcol”
As viações também se queixam de dificuldades financeiras
As empresas operadoras do Sistema Transcol ficaram sem qualquer reajuste da tarifa em 2015, e no ano seguinte, o reajuste ficou abaixo do estipulado em contrato. Como agravante, houve queda de 15% no fluxo de passageiros entre 2014 e 2017.
Somado a isso, estão os custos operacionais, que não param de crescer. Somente o diesel acumula valorização de 18,98% entre julho e dezembro desse ano, dados do Valor Econômico. Vale destacar também que só a mão de obra representa 54% do valor necessário para bancar o sistema. Algumas empresas tiveram que recorrer a empréstimos para financiar a atividade.
Os trabalhadores ainda pedem pagamento integral do plano de saúde e reajuste no tíquete alimentação de R$ 4 por dia.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

