Greve de ônibus na Grande Vitória entra no terceiro dia

Há divergências entre as versões de empresas e sindicato dos trabalhadores sobre frota mínima e bloqueio de garagens

Justiça deve julgar hoje legalidade da paralisação

ADAMO BAZANI

Motoristas e cobradores de ônibus de Vitória e região metropolitana continuam a greve que atinge diariamente em torno de 600 mil pessoas.

Desde o início da manhã, passageiros relatam dificuldades para se deslocar.

A greve começou na última terça-feira, 26.

Nesta quinta-feira, 28, o Tribunal Regional do Trabalho julga a greve.

O GV BUS, sindicato das empresas de ônibus, entrou com pedido de ilegalidade alegando que não foi cumprida a frota mínima de 70% dos ônibus em circulação nos horários de pico (das 6h às 9h e das 17h às 20h) e 50% nas demais horas. As companhias de ônibus ainda relatam que houve bloqueios nas garagens, o que também foi proibido pela justiça.

O Sindrodoviários diz que não houve descumprimento da frota mínima e nega ter incitado bloqueios na saídas dos ônibus.

Os trabalhadores querem reajuste salarial entre 7% e 10%, mas aceitam negociar percentuais em torno de 5%. Na última audiência de conciliação, a categoria rejeitou proposta de reajuste de 2%.

O índice inicial apresentado pelo GVBus – Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória foi de 1,83%

A entidade patronal chamou o sindicato trabalhista de intransigente, em nota.

“Lamentamos a posição intransigente do sindicato dos trabalhadores, pois eles estão cientes da atual situação das operadoras do Transcol”

As viações também se queixam de dificuldades financeiras

As empresas operadoras do Sistema Transcol ficaram sem qualquer reajuste da tarifa em 2015, e no ano seguinte, o reajuste ficou abaixo do estipulado em contrato. Como agravante, houve queda de 15% no fluxo de passageiros entre 2014 e 2017.

Somado a isso, estão os custos operacionais, que não param de crescer. Somente o diesel acumula valorização de 18,98% entre julho e dezembro desse ano, dados do Valor Econômico. Vale destacar também que só a mão de obra representa 54% do valor necessário para bancar o sistema. Algumas empresas tiveram que recorrer a empréstimos para financiar a atividade.

Os trabalhadores ainda pedem pagamento integral do plano de saúde e reajuste no tíquete alimentação de R$ 4 por dia.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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