Empresa Suzantur, que opera com autorização a título precário, fez transferência para reduzir idade média da frota. Licitação do sistema deve ocorrer no início do ano que vem, e contratos, assinados em junho
ADAMO BAZANI
Até que a situação dos transportes do sistema de Vila Luzita, em Santo André, passe por uma definição, o que depende de um processo licitatório, a empresa Suzantur, que opera de forma provisória as 16 linhas da rede tronco-alimentadora, decidiu baixar a idade média dos ônibus em circulação.
Para isso, segundo o diretor da empresa, Claudinei Brogliato, em entrevista ainda em outubro, as linhas passariam a contar com modelos seminovos, ano 2014/2015, que circulavam na cidade vizinha, Mauá.
Nesta semana, o primeiro lote de 16 destes ônibus ex-Mauá passou a circular por Santo André. Entre 20 e 30 ônibus ao todo serão transferidos e vão substituir os modelos mais antigos, ano 2011/2012, que eram da Viação Piracicabana, do litoral sul paulista, e foram trazidos a Santo André em outubro, para a Suzantur começar uma operação emergencial no lugar da Expresso Guarará, que decretou falência. No total, o sistema conta com 81 ônibus da Suzantur. Os mais novos são ano 2017, comprados já para o sistema. Os mais velhos são os articulados ano 2007, que são alugados pela empresa Sambaíba, da Capital Paulista. Pelo valor dos ônibus articulados, estes veículos devem continuar até o final da autorização de operação a título precário, que permite coletivos deste porte com até 12 anos de fabricação. Há estimativa da inclusão de um ônibus articulado zero quilômetro no sistema no início do ano que vem.
Já Mauá, recebe gradativamente uma frota de 100 ônibus zero quilômetro, que são fruto do primeiro pedido de financiamento do País pelo Refrota, linha anunciada pelo Governo Federal em dezembro do ano passado e que conta com recursos do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.
Na quinta-feira da semana passada, 21 de dezembro de 2017, a prefeitura de Santo André realizou audiência pública da licitação do sistema, que geograficamente, representa a maior demanda de passageiros dos ônibus municipais de Santo André: 1,086 milhão de pessoas por mês, sendo que deste total, 792,3 mil são pagantes.
Se não houver nenhum entrave, pelo cronograma da prefeitura, até fevereiro será lançado o edital e, em junho, será assinado o contrato de 20 anos, que vai exigir R$ 123 milhões de investimentos, da empresa vencedora.
Ônibus com motor traseiro, ar-condicionado e wi-fi nas linhas TRs – Troncais estão entre algumas condições para a empresa vencedora operar.
As linhas devem ser reorganizadas e o edital deve prever adaptações casos os projetos de redes de trilhos para o ABC, como a estação Pirelli da CPTM, o Expresso ABC (não o atual semiexpresso da linha 10) e o monotrilho saiam do papel. Promessas de vários anos atrás, nenhum destes projetos tem previsão.
Comprados em 2010, pela Viação Estrela de Mauá, fundada por Baltazar José de Sousa para manter monopólio, ônibus de 15 metros foram assumidos pela Suzantur na cidade. Alguns foram transferidos para Santo André, e agora, serão vendidos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
