Camargo Corrêa assume que atuou em cartel de obras de metrô e monotrilho de sete estados brasileiros

Empreiteira fecha acordo de leniência e assume irregularidades cometidas em importantes obras de transporte público  durante vários anos

ALEXANDRE PELEGI

Em mais um desdobramento das investigações da Operação Lava Jato, a construtora Camargo Corrêa fechou um acordo de leniência com o Cade – Conselho Administrativo de Defesa Econômica e o Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP). Pelo acordo, que prevê a colaboração de executivos e ex-executivos, a empresa passou a relatar casos de suposto cartel em licitações de transporte público, principalmente envolvendo obras de metrô e monotrilho. O cartel se espalhou por sete estados e no Distrito Federal.

A Camargo Correia relatou irregularidades em pelo menos 21 processos licitatórios entre 1998 e 2014. De acordo com o Cade, o cartel envolveu nove empresas, em ações combinadas que teriam ocorrido nos estados de São Paulo, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.

Em comunicado o Cade explicou a extensão dos braços do cartel:

Entre elas, seis obras teriam sido atingidas no período de 1998 a 2005: metrô de Fortaleza; metrô de Salvador; Linha 3 do metrô do Rio de Janeiro; Linha 4 – Amarela do metrô de São Paulo; e duas obras para a Linha 2 – Verde de São Paulo”.

No caso de São Paulo, executivos ligados à Camargo Corrêa relataram que, entre 1998 e 2005, o cartel assumiu as obras da Linha 4 – Amarela (que deveria ter sido entregue em 2014, mas ainda não foi concluída), além de duas obras da Linha 2- Verde. Em todos esses anos o estado esteve governado pelo PSDB.

Como se não bastasse, os executivos da Companhia afirmam que houve tentativa de combinação fraudulenta entre 2010 e 2014 para a Linha 15 – Prata (Expresso Tiradentes) e Linha 17 – Ouro, do monotrilho de São Paulo; e para a Linha 15 – Branca (Trecho Vila Prudente/Dutra) e Linha 6, todas do metrô de São Paulo.

A Secretaria de Negócios Metropolitanos, assim que o caso foi divulgado, informou:

O Metrô de São Paulo é o maior interessado na apuração das denúncias de formação de cartel ou de conduta irregular de agentes públicos e, assim, continua à disposição das autoridades”.

Já a Camargo Corrêa afirmou ter sido a primeira construtora a firmar acordos de leniência, e que reafirma “seu compromisso de manter investigações internas em bases permanentes e colaborar com as autoridades reportando quaisquer condutas ilícitas que venham eventualmente a ser descobertas”.

Alegando “cláusulas de confidencialidade”, a Companhia afirmou não poder fazer ainda qualquer comentário sobre os termos do acordo.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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