Projeto aprovado em 2º turno pela Câmara determina fechamento do Minhocão aos sábados e nas férias
Publicado em: 14 de dezembro de 2017
Elevado passará a fechar mais cedo durante a semana, às 20h; falta ainda sanção do prefeito João Doria
ALEXANDRE PELEGI
O Projeto de Lei, que cria o Parque Minhocão no Elevado Presidente João Goulart e propõe o fechamento da via para carros em determinados períodos, foi aprovado nesta quarta-feira (13) em segunda votação pelo plenário da Câmara Municipal de SP.
A Câmara havia aprovado o PL em primeira votação em setembro deste ano. O projeto prevê a desativação gradual do Minhocão, principal ligação por carros entre as regiões leste e oeste da cidade.
De autoria do vereador José Police Neto (PSD), a proposta determina que o viaduto passará a fechar para automóveis 30 dias após a entrada em vigor da lei, que ainda precisa ser sancionada pelo prefeito João Doria. O prefeito tem prazo de 30 dias e pode aprovar o projeto na íntegra, vetar parte do texto ou até mesmo vetar o PL por completo.
A proposta prevê impedir a circulação de carros no local aos sábados, durante todo o dia. Após 90 dias da vigência da Lei, o Elevado passará a fechar mais cedo durante a semana: às 20h, diferente de hoje, que fecha às 21h30. Após seis meses, o fechamento do Minhocão ocorrerá durante todos os meses de férias escolares – janeiro e julho.
O texto prevê ainda que caberá à Prefeitura promover eventos culturais, esportivos e de lazer na via. A prefeitura também está obrigada a fazer alterações na estrutura para garantir a segurança do local.
Outro dado importante do PL aprovado ontem diz respeito ao prazo de dois anos para que a Prefeitura apresente um Projeto de Intervenção Urbanístico (PIU) para a área ao redor do parque. O PIU deverá incluir ainda instrumentos de controle e captura da valorização imobiliária decorrente das intervenções que serão feitas na região. Para tanto, a prefeitura deverá constitui e nomear um conselho gestor do parque Minhocão.
Em entrevista ao Diário do Transporte o vereador José Police Neto considerou a aprovação do PL uma “grande vitória para a cidade”. Police realça que a determinação já consta do Plano Diretor, e que a única coisa que os demais autores do PL fizeram foi colocar a ideia em prática. “São cinco anos de debate aqui na Câmara. A sociedade está pronta para transformar esse monte de concreto em um parque definitivo”, afirma Police.
O Plano Diretor do município determinou o desmonte do Minhocão em 20 anos, medida que ainda depende de uma séria de fatores, como os custos da intervenção, ainda não calculados.
MINHOCÃO: UMA CICATRIZ URBANA
O Minhocão, oficialmente chamado de elevado Presidente João Goulart, é uma cicatriz na paisagem urbana de São Paulo. Construído às pressas, mirando apenas nos proprietários de automóveis, ele reflete bem uma visão distorcida de transporte que durante décadas, e até hoje, persiste nas cidades brasileiras.
Prefeito à época, Paulo Maluf tratou o projeto como um dos grandes destaques de seu “jeito de governar”, à base de grandes obras viárias. Nomeado prefeito pelo regime militar, Maluf desdenhou das opiniões contrárias ao projeto. O minhocão, quando foi anunciado pelo prefeito no finalzinho dos anos 1960 (vídeo acima), já estava ultrapassado como solução viária nas principais cidades do mundo.
Se de um lado o elevado agradou aos proprietários de automóveis, de outro destruiu não só a paisagem urbana, como ignorou seus danosos efeitos sobre a qualidade de vida de milhares de paulistanos que moravam no entorno. O elevado, construído sobre as avenidas São João e General Olímpio da Silveira (além da Amaral Gurgel), ficou pronto em 14 meses, no início de janeiro de 1971.
Maluf o chamaria então de “a maior obra de concreto armado da América Latina”.
A Prefeitura de São Paulo, para a inauguração do gigante de cimento, fez publicar convite nos principais jornais paulistanos. Para homenagear seus padrinhos de poder, Maluf escolheu chamar sua obra faraônica de elevado Costa e Silva, “uma das grandes figuras da Revolução de 1964”.

O inferno urbano provocado pela intervenção tresloucada de um prefeito biônico passou a funcionar todos os dias da semana, 24 horas por dia. Somente em 1976, após inúmeras reclamações dos moradores da região, o Minhocão passou a ser fechado na madrugada, entre meia noite e cinco horas da manhã. Em 1989 a prefeitura puxou o horário de fechamento para as 21:30, impedindo a circulação de automóveis aos domingos.
Alexandre Pelegi, jornalistas especializado em transportes


Amigos, bom dia.
O efeito negativo que o “Minhocão” provocou já cicatrizou, foi amortizado ou nunca recuperado pelos proprietários dos imóveis diretamente atingidos, até porque a grande maioria já deve ter falecido.
Hoje ele é parte integrante da mobilidade de Sampa e fechá-lo, sem uma alternativa, é algo insano, apesar de ser populista.
Qual alternativa de mobilidade será dada a população se o “Minhocão” for fechado ??
Afinal, pra que mexer numa coisa que funciona.
Se o transformasse num BRT elétrico, entendo que ai sim beneficiaria muitas pessoas e seria mantida a mobilidade de Sampa, mas simplesmente fechar, NÃO.
A questão é polêmica e merece no mínimo um plebiscito, não pode ser definida esta questão em determinadas câmeras ou assembleias.
Att,
Paulo Gil
Concordo plenamente com voce.
Sem plebiscito
Até que enfim vão aprovar esse projeto e aumentar a possibilidade de lazer para quem mora no entorno.
Quanto aos carros, eles podem usar a avenida Rio Branco e a Marques de São Vicente para chegar na Zona Oeste, sem contar o metrô que cobre toda a extensão do minhocão.