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Alckmin justifica pedido de empréstimo para monotrilhos e Rodovia Tamoios

Alckmin falou durante apresentação de reforma do Museu da Língua Portuguesa (Foto: Reprodução/TVGlobo)

Pedido foi enviado à Alesp. Valor de empréstimo de R$ 2,5 bilhões será usado para concluir monotrilhos das linhas 15-Prata e 17-Ouro

ALEXANDRE PELEGI

Como noticiado aqui no dia 2 de dezembro de 2017, o Governador Geraldo Alckmin encaminhou para a Assembleia Legislativa (Alesp), em regime de urgência, um projeto de lei solicitando autorização para contrair empréstimos para obras de dois monotrilhos do metrô (linhas 15 e 17) e obras da rodovia dos Tamoios, no Vale do Paraíba.  O pedido de empréstimo prevê até R$ 325 milhões para a linha 15-prata e R$ 1 bilhão para a linha 17-ouro

Nesta quarta-feira Alckmin justificou o pedido, afirmando que o governo não consegue fazer obras desse porte só com o orçamento do estado.

Alckmin esclareceu que o financiamento estava “previsto há muito tempo”. E afirmou à imprensa: “o financiamento é pra gente concluir três obras: a linha 15, que é a da Zona Leste, até Sapopemba e São Mateus, a linha 17, que é do Aeroporto de Congonhas, e a Rodovia Tamoios, que é a nova rodovia na Serra do Mar”.

Os deputados da Alesp devem decidir até o final do ano se concedem ou não a autorização do empréstimo, que seria feito junto a bancos nacionais e internacionais.

Em abril de 2018, Geraldo Alckmin deve se desincompatibilizar do cargo de governador para se lançar candidato à Presidência da República.

VERBA PARA A LINHA 17-OURO

Para este monotrilho, o valor do empréstimo solicitado por Alckmin foi de R$ 1 bilhão, e será utilizado como “financiamento parcial de projetos, execução de obras civis, aquisição de equipamentos, sistemas e de material rodante”, conforme consta no pedido encaminhado à Alesp.

Alckmin estipula nova data para a entrega da Linha 17: julho de 2019.

O empréstimo, no caso de aprovação da Assembleia, será feito pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). Os recursos serão repassados pelo Tesouro do Estado de São Paulo à Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), segundo explica o Projeto de Lei.

O monotrilho da linha 17-Ouro deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi ao custo de R$ 3,9 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Em 2015, o orçamento ficou 41% mais caro somando R$ 5,5 bilhões e a previsão para a entrega de 8 estações até 2018. Em 2010, o custo do quilômetro era de R$ 177 milhões. Em 2015, o custo por quilômetro seria de R$ 310 milhões e no primeiro semestre de 2016 foi para R$ 325 milhões.

Segundo o TCE – Tribunal de Contas do Estado, o Metrô embarcou em uma aventura quando decidiu construir a Linha 17-Ouro, gastando dinheiro público de forma irresponsável.

LINHA 15-PRATA E TAMOIOS

Para o monotrilho da Linha 15-Prata o texto do Projeto de Lei enviado à Alesp refere-se especificamente para obras do trecho compreendido entre a Vila Prudente e Iguatemi. Atualmente apenas 2,9 quilômetros entre as estações Oratório e Vila Prudente estão em operação comercial desde 10 de agosto de 2015.

Para este monotrilho o governo do estado pede a autorização para um empréstimo de R$ 324 milhões, que teria como destino “o financiamento parcial das obras civis. Segundo o documento enviado à Alesp, o valor garante a execução do projeto e não aumenta a dívida do estado.

Outros R$ 900 milhões foram solicitados para a Parceria Público-Privada (PPP) da Rodovia Tamoios, que pretende fazer a ligação do Vale do Paraíba ao Porto de São Sebastião. O empréstimo visa “o financiamento parcial dos recursos a serem aportados pelo Poder Público” no contrato de concessão assinado em 2014.

JORNALISTA CITA “VISÃO ULTRAPASSA” DE ALCKMIN NA DUPLICAÇÃO DA TAMOIOS:

Em artigo publicado nesta segunda-feira (5) no jornal Folha de SP, o jornalista Leão Serva critica a intenção do Governador em duplicar a Rodovia Tamoios. Sob o título “Ao duplicar Tamoios, Alckmin joga bilhões fora”, o jornalista afirma que os motivos que fazem Alckmin buscar recursos para duplicar a Rodovia dos Tamoios retratam “a visão ultrapassada do líder tucano, materializada no lema ‘governar é fazer estradas’, criado por Washington Luiz, cem anos atrás”.

Chamando a iniciativa de “mentalidade empreiteira”, Serva cita os danos que tais projetos causaram ao Brasil: “somos mais dependentes de transportes sobre pneus (70% das cargas) do que os EUA (30%) (…) e exportamos para diversos países a corrupção baseada na simbiose entre homens públicos dedicados a construções e construtoras dedicadas a obras públicas”.

Ressalvando que o projeto pode ser “honesto” do ponto de vista do gasto público, Leão Serva ressalta que essa relação (entRe homens públicos e construtoras) “resulta em desperdício de dinheiro público”.

Leão Serva afirma que “a duplicação das estradas é apontada como solução para o estresse que atrapalha fins-de-semana e férias de quem vai à praia”. E finaliza: “o aumento do gabarito de estradas não resolve engarrafamentos, ao contrário, engenheiros no mundo todo já sabem (mas nem sempre contam) que o crescimento das estradas é CAUSA e não solução”.

E cita como exemplo em São Paulo a ampliação da Marginal do Tietê, “inaugurada em 2010 ao custo de R$ 1,5 bilhão, que em cinco anos estava congestionada de novo, mesmo tendo coincidido com a abertura do Rodoanel”.

O jornalista conclui seu artigo com uma pergunta: “porque um governante desperdiça tanto dinheiro em vez de investir em necessidades realmente urgentes de toda a população?”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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