Entrega da Linha 5 do Metrô atrasa novamente

Prevista para dezembro, obras sofrerão atrasos de mais quatro meses

ALEXANDRE PELEGI

O secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, revelou ao jornal O Estado de SP, conforme publicado na edição desta quarta-feira (14), que a entrega da Linha 5 do Metrô, prevista para dezembro deste ano, sofrerá novo atraso, de pelo menos mais quatro meses.

O motivo alegado agora para mais esta nova postergação, na sucessão de percalços que marcam as obras metroviárias do governo paulista, é a execução das obras entre as futuras Estações Eucaliptos e Moema, somada a disputas administrativas entre empresas que fariam o acabamento das Estações Santa Cruz (ligação com a Linha 1-Azul) e Chácara Klabin (ligação com a Linha 2-Verde).

Segundo a reportagem do Estadão, assinado pelo jornalista Bruno Ribeiro, com colaboração da repórter Juliana Diógenes, Pelissioni explica que entre as estações Eucaliptos e Moema houve um atraso de dois meses em obras das empresas Tiisa e Heleno da Fonseca, que atuam em consórcio, o que acabou afetando as obras de túneis de ventilação de segurança. O Metrô teria multado o consórcio em R$ 4,6 milhões.

O Estadão procurou as empresas para ouvi-las sobre o ocorrido, mas não obteve respostas.

As demais obras do Metrô estão com os prazos em dia, segundo o Secretário informou à matéria do jornal. Isso implica na inauguração prevista para dezembro da Estação Higienópolis Mackenzie, da Linha 4-Amarela, na região central da cidade.

EDITAL DA LINHA 5 FOI LANÇADO EM MARÇO DE 2017, E JÁ FOI SUSPENSO DUAS VEZES

O Governo do Estado de São Paulo lançou no dia 30 de março de 2017, no Palácio dos Bandeirantes, o edital para concessão à iniciativa privada da linha 5 Lilás do Metrô e 17-Ouro do monotrilho, da zona Sul da capital paulista.

A concessão deve ser para a operação integral da linha.

O mesmo grupo que assumir o metrô deve ser responsável pela operação do monotrilho.

A linha 17 Ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi ao custo de R$ 3,9 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Em 2015, o orçamento ficou 41% mais caro somando R$ 5,5 bilhões e a previsão para a entrega de 8 estações até 2018. Em 2010, o custo do quilômetro era de R$ 177 milhões. Em 2015, o custo por quilômetro seria de R$ 310 milhões e no primeiro semestre de 2016 foi para R$ 325 milhões.

O monotrilho, se ficar pronto, não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas.

Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na futura estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD. Segundo o site do próprio Metrô, quando estiver totalmente pronto, este sistema de monotrilho atenderá 417 mil e 500 passageiros por dia.

O valor de outorga de ambos as linhas será definido, mas a estimativa é de que a concessão para operação dos dois ramais por 30 anos seja de aproximadamente R$ 120 milhões. As duas obras custaram mais de R$ 10 bilhões ao poder público.

No dia 18 de abril de 2017, uma comitiva do Governo do Estado de São Paulo desembarcava em Bruxelas, na Bélgica, para divulgar o edital de concessão à iniciativa privada da linha 5 Lilás do Metrô e 17 Ouro do monotrilho. A exibição será para empresas de transportes e infraestrutura, bancos e fundos de investimentos europeus. O objetivo era trazer capital internacional para os dois empreendimentos que serão concedidos a um único grupo vencedor.

No final de setembro, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) decidiu paralisar a licitação de concessão das linhas 5-Lilás e 17-Ouro do Metrô de São Paulo à iniciativa privada apontando indícios de irregularidades no edital.

Em atendimento à decisão, o governo do estado suspendeu o leilão de concessão das duas linhas, que seria realizado no dia 28 de setembro, na Bolsa de Valores de São Paulo, informando que prestaria todos os esclarecimentos ao tribunal.

Este foi o segundo adiamento do leilão da concessão das duas linhas. Em junho, a secretaria já adiara o leilão que estava marcado para 4 de julho a pedido de empresas do setor, que queriam mais tempo para preparar suas propostas.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado de transporte

1 comentário em Entrega da Linha 5 do Metrô atrasa novamente

  1. A incompetência do governo de SP em tocar grandes obras é notável.

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