Apesar das adversidades, Marcopolo mantém crescimento no trimestre

Empresa divulga os resultados do 3º trimestre de 2017, que demonstram que não só resistiu a uma situação de crise inesperada, como agiu com celeridade para se recuperar diante dela

ALEXANDRE PELEGI

Foi no dia 3 de setembro, um domingo. A notícia pegou de surpresa a todos os que acompanham a história da Marcopolo: um incêndio destruía parcialmente no final da tarde a unidade na fábrica de Plásticos de Ana Rech da Marcopolo em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.

O incêndio forçou a Marcopolo a paralisar a produção na unidade por duas semanas e, por uma semana, na unidade Planalto, responsáveis por mais de 60% da produção da empresa no Brasil.

Foram dias de tensão e resiliência, em que o corpo diretivo da empresa teve de tomar decisões rápidas diante de uma situação de crise. De um lado, o corpo de funcionários, de outro os acionistas e o mercado, com compromissos a serem cumpridos.

Relembre as notícias que demos na sequência:

https://diariodotransporte.com.br/2017/09/03/assista-video-incendio-atinge-unidade-da-marcopolo-em-caxias-do-sul/

https://diariodotransporte.com.br/2017/09/04/marcopolo-deve-ficar-parada-por-uma-semana-para-avaliar-estragos-do-incendio-e-se-recuperar/

A Marcopolo é a única encarroçadora de ônibus brasileira com ações no Ibovespa. E mesmo diante de uma situação de crise financeira no país, somada a uma paralisação forçada de uma de suas unidades por causa do incêndio, suas ações subiram logo no início daquela semana.

No início das atividades da Bovespa, o Marcopolo PN chegou a registrar queda de 2,52%, mas o foi revertido quando a empresa demonstrou transparência ao comunicar à imprensa e aos investidores sobre o prazo de suspensão das atividades para recuperação.

Apesar da paralisação ocorrida entre os dias 4 e 18 de setembro, a produção no trimestre alcançou 2.151 unidades, 1,4% acima das 2.122 unidades produzidas no terceiro trimestre de 2016.

No dia 18 de setembro, a fábrica Ana Rech retomou a produção, com seis ônibus urbanos/dia. Uma semana depois, ampliou para 12 unidades/dia, com mais seis ônibus rodoviários, e no dia 9 de outubro, alcançou o volume produtivo normal, que era, antes do incêndio, de 18 veículos por dia.

RESULTADOS FINANCEIROS DEMONSTRAM ACERTOS DA ESTRATÉGIA DE TRANSPARÊNCIA E CELERIDADE NA REAÇÃO:

Agora a Marcopolo divulga os resultados financeiros relativos ao terceiro trimestre deste ano, que demonstram que a empresa não só soube resistir a uma situação de crise inesperada, como agiu com celeridade para se recuperar diante dela.

A Marcopolo registrou crescimento de 4% em sua receita líquida – R$ 736,8 milhões, crescimento mensurado em relação ao mesmo período do ano passado.

No acumulado dos nove meses do ano, a fabricante ampliou sua receita em 15,7%, alcançando R$ 2,032 bilhões, contra R$ 1,756 bilhão, no mesmo período de 2016.

Quando se olha para o trimestre, o lucro bruto da Marcopolo atingiu R$ 112,3 milhões, contra R$ 77,8 milhões do terceiro trimestre de 2016, com aumento de 44,3%.

No acumulado do ano, o lucro bruto foi de R$ 283,7 milhões, contra R$ 236,4 milhões, com crescimento de 20,0%.

Para Francisco Gomes Neto, diretor-geral da Marcopolo, a explicação para tal desempenho somente pode ser explicada pelas ações adotadas imediatamente após o incêndio ocorrido e pelo empenho e dedicação dos colaboradores, e apoio de parceiros e fornecedores. Foram eles que permitiram minimizar os impactos na produção e no atendimento dos pedidos dos clientes. “A adoção do plano de retomada, associado à utilização da metodologia LEAN, contribuiu para uma recuperação mais rápida do inicialmente previsto, com menor custo e maior eficiência”.

“É preciso destacar a compreensão e confiança dos clientes, que mantiveram seus pedidos mesmo com entregas postergadas. Durante todo o período, mantivemos um volume consistente de pedidos, tanto para o mercado nacional quanto para exportação, e, assim, ingressamos no quarto trimestre com a carteira fechada até o final do ano”, salienta Francisco Gomes Neto.

OUTROS DESTAQUES DO RESULTADO DA MARCOPOLO NO 3º TRIMESTRE:

Outro destaque do terceiro trimestre foi a receita doméstica, com crescimento de 89,2% na comparação trimestral, impulsionada especialmente pelo maior faturamento de rodoviários, 270,1% superior ao do mesmo período de 2016. O dado demonstra a gradual recuperação do mercado brasileiro.

O segmento alcançou a produção de 508 unidades, volume 109,9% superior ao do mesmo período de 2016, apesar da menor produção em setembro em razão da paralisação.

No segmento de ônibus urbanos, mesmo ainda estando abaixo do ritmo normal, este também já mostra sinais de melhora. O processo de renovação de frotas está sendo retomado e o programa federal Refrota, que experimentou entraves burocráticos, começou a destravar os pedidos de financiamento, mesmo que de forma morosa. As vendas do novo modelo Torino S têm-se mostrado promissoras, com bons volumes sendo comercializados em diversas regiões do País.

ACUMULADO DO ANO: A Marcopolo manteve seu crescimento e produziu, no Brasil, 5.916 unidades, contra 4.879 registradas nos primeiros nove meses de 2016 (maior 21,3%).

Em todo o mundo, fabricou 7.480 unidades contra 6.114, em 2016, com aumento de 22,3%. A unidade de negócios Volare apresentou bom desempenho e aumentou sua produção em 42,2% no consolidado do ano em relação a 2016 (1.290 unidades contra 907). Já as exportações seguem trazendo bons resultados, com perspectivas positivas para o encerramento do ano.

VENDAS NO EXTERIOR: As unidades da Marcopolo que alcançaram os melhores resultados foram as controladas Polomex (México) e Volgren (Austrália), e as coligadas Metalpar/Metalsur (Argentina) e TMML (Índia).

A Polomex registrou crescimento em sua produção de 38,1% no período de janeiro a setembro de 2017, com 983 unidades fabricadas, contra 713, no mesmo período de 2016.

Já a Volgren alcançou, no terceiro trimestre, crescimento de 52,6% no lucro líquido, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A operação indiana da TMML apresentou crescimento de 14,3%, com 4.183 unidades produzidas nos nove meses de 2017, contra 3.661 unidades no mesmo período do ano anterior. As operações da Argentina também cresceram, com 654 unidades fabricadas no ano, contra 591, de 2016 (aumento de 10,6%).

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

6 comentários em Apesar das adversidades, Marcopolo mantém crescimento no trimestre

  1. Amigos, boa noite.

    Parabéns Marcopolo.

    Produzir 18 buzões/dia é sinal de competência.

    Parabéns mesmo a todos os colaboradores.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Nào consegui entender o título da matéria.
    Apesar das “diversidades”. Que diversidades?
    Foram “diversos” problemas?É isso?

  3. blogpontodeonibus // 9 de novembro de 2017 às 06:56 // Responder

    Príncipe, na verdade nós dois erramos. O site porque não revisou a autocorreção, sendo que o correto era “adversidades” e você em sua interpretação do título, mas o texto, se lido, torna o assunto compreensível. Obrigado pelo comentário.

  4. Sim. De fato. O texto explica os desafios vencidos pela Marcopolo. Valeu pela matéria. Muito boa.

  5. Em que pese a surpreendente capacidade de enfrentar as adversidades e mostrar que a Marcopolo é uma empresa de primeira classe, os resultados no mercado externo divulgados no RI da empresa se mostraram muito piores que o divulgado neste blog. A informação correta eve ser cuidadosamente checada!

    • alepelegi@gmail.com // 15 de novembro de 2017 às 21:08 // Responder

      Caro leitor, estas informações foram passadas pela Marcopolo ao mercado, pois, como você deve saber , a empresa é de capital aberto. Todavia, estamos dispostos a ter acesso aos números que você julga ser corretos e aparentemente, pelo seu comentário, deve tê-los e pode nos fornecer. Gratos

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: