Projeto Bus Anjo une voluntários para ajudar pessoas a andar de ônibus em São Paulo

Depois do Bike Anjo, rede de voluntários que surgiu para ensinar as pessoas a andar de bicicleta, proposta junta pessoas dispostas a ensinar outras a utilizar o ônibus para se locomover na cidade

ALEXANDRE PELEGI

Ajudar os outros a andar de ônibus em São Paulo. O que pode parecer um absurdo, para muita gente é não só uma saída importante, como pode até ser algumas vezes a única saída.

Muitas pessoas ficam paradas no ponto sem saber que ônibus pegar ou até mesmo se naquele ponto o ônibus que precisam passa por ali. Muitas questionam o motorista, outras perguntam para quem está parado no mesmo ponto.

Os aplicativos? Pois é, mas e os idosos que têm dificuldade de enxergar a telinha do celular? E o risco de assalto? E o sinal 3G, nem sempre disponível para que se possa consultar a todo instante?

Quantas vezes você já não desistiu de pegar o busão para ir a determinado lugar relativamente próximo, simplesmente por não saber como obter informações simples sobre que ônibus tomar? Ou mesmo sabendo, se enrolou todo com as informações disponíveis?

Absurdo mesmo é a falta de informação a que está submetida a maioria dos usuários no sistema de transporte coletivo da capital. Basta dar uma olha nos principais abrigos da cidade, localizados nas principais avenidas, onde não há quase nenhuma informação disponível. Que ônibus passam por ali? Para onde vão? De onde vêm?

Depois do Bike Anjo, uma rede de voluntários que surgiu para ensinar as pessoas a andar de bicicleta – ou a reapreender a andar na velha magrela –, eis que surge uma proposta similar, que quer juntar pessoas dispostas a ensinar outras a utilizar um velho meio de transporte: a Bus Anjo. A ideia é auxiliar quem não costuma andar de ônibus na cidade, ou até quem se sente inseguro, ou mesmo tem medo de fazer isso, a incorporar o busão na sua rotina diária.

A ideia foi da jornalista e publicitária Chantal Brissac, de 56 anos, uma das integrantes da startup PRO COLETIVO, formada por um grupo de profissionais de áreas diversas que acreditam que é preciso estimular, conscientizar e facilitar ao cidadão o uso do transporte coletivo, bicicleta, pedestrianismo.

No site da PRO COLETIVO, onde o projeto Bus Anjo está instalado, já se pode entender o espírito da iniciativa: “Você quer andar de ônibus e não sabe como começar, que linhas pegar? Nossos voluntários do Bus Anjo têm a missão de acompanhar você nos primeiros trajetos, gentil e gratuitamente”.

O “iniciante” precisa apenas preencher um formulário no site, com seus dados pessoais, informando origem e destino de seu deslocamento, além do horário. Outras informações mais detalhadas podem ser preenchidas como, por exemplo, especificar o motivo da consulta. Para conhecer o projeto, e visualizar o formulário, basta acessar o link: https://www.procoletivo.com.br/bus-anjo

Apesar de não estar explícito no site, Chantal revelou hoje, em entrevista ao jornal Estadão, que o projeto tem como principal público-alvo a população de classe média e de classe alta paulistana que vive em bairros “bem servidos de transporte público”. Ela chega a nominar os bairros Moema, Pinheiros e o centro expandido, “público que costuma andar de ônibus e metrô quando vai viajar para fora do País, tira selfie, mas aqui acha que é feio, sujo, não conhece”, ela compara.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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Comentários

Comentários

  1. Glauber disse:

    Muito boa iniciativa! Mas o absurdo da falta de informação não existe só na capital de SP, e sim em 99% das cidades de nosso país.

  2. O.Juliano disse:

    Embora bem elitista, já é alguma coisa. Além do mais, agendar uma viagem de ônibus pelo site é complicado. Digamos que não temos nada neste sentido, agora haverá, o que já é alguma coisa!

    Poderia expandir o projeto para, nem que fosse por dias limitados, em terminais urbanos, rodoviárias, no próprio aeroporto (mantendo o conceito de classe média para cima), algo do tipo. Reunir um grupo de pessoas voluntárias e fazer ações em dias específicos até mesmo para servir de alerta para a administração pública de como faltam informações essenciais para que qualquer um pegue um ônibus tranquilamente na capital.

    1. Vagner Alexandre Abreu disse:

      Isso mesmo! Vou aproveitar e me inscrever para ser voluntário também. Gosto destas coisas :)

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Uma coisa é certa que o buzão de Sampa é SUJO internamente é, isto ninguém pode negar, favor corrigir o texto.

    Não entendi muito bem o projeto, vou consultar o site.

    Eu não sei fazer, se soubesse já tinha feito, mas vou dar uma sugestão:

    O que precisamos é de um site, um aplicativo, ou uma central telefônica que responda o óbvio.

    Vou utilizar o exemplo do mico que eu passei sábado retrasado.

    Eu estava na estação Oratório do monotrilho e queria ir na Av. Álvaro Ramos, 1700.

    Acessei o site da fiscalizadora impossível, perguntei a um colaborador do metro ele me sugeriu voltar ao monotrilho vila prudente, pegar o metro verde descer na Ana Rosa, pegar o metro azul descer na sé depois pegar o metro vermelho e descer no Belem, pois eu sabia que no metro Belém tem um buzão que passa na Álvaro Ramos, o resto da história vocês já leram num comentário anterior.

    O que precisa fazer é um sistema que permita uma pergunta óbvia e simples e resposta óbvia e simples, informando uma linha de buzão servirá e que vá em linha reta, linha reta (sei que não existe KKKKKKKKKKKKKK).

    Ai segue sugestão:

    Pergunta:

    Quero ir da:_________________ (Av. Anhaia Melo, 3699)

    Para: _____________________ (Av. Alvaro Ramos,1700)

    Resposta. A linha menos pior é a Linha “X” com embarque na Av. Anhaia Melo 4000

    Pronto, só isso não precisa inventar nada além disso.

    O resto é perfumaria, no site da fiscalizadora você fica LOKO.

    ** No meu caso eu sabia que eu, na estação oratório do metro estava próximo a av. Alvaro Ramos 1700, mas por desinformação minha eu dancei.

    Sem contar que o buzão que eu peguei parava a cada 300 m e fez um ziguezague caranguejado enoooooooooooorme

    Tem o site da fiscalizadora, mas ele não ajuda é muito complicado.

    Creio que um bom desenvolvedor de software consegue desvendar esse mistério e dar a solução num app “BUZÃO NA RETA”

    Att,

    Paulo Gil

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