Licitação dos ônibus na Capital Paulista e melhores perspectivas para o fretamento estão entre os fatores para expectativa de mais negócios
ADAMO BAZANI
A Volare, unidade de ônibus leves da Marcopolo, estima fechar o ano, mesmo em época de retração econômica, com alta de cerca de 20% em relação a 2016.
A previsão é do gerente nacional de vendas da Volare, Sidnei Vargas, em entrevista ao Diário do Transporte, durante o evento Brasil Fret, da ANTTUR – Associação Nacional dos Transportadores de Turismo e Fretamento e o 18º encontro de empresas da Fresp – Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo.
O executivo acredita também que em 2018, a Volare vai registrar números positivos.
“No ano de 2017, a gente planejou um volume de produção e já dá para afirmar que enxergamos um crescimento, com base em 2016, na ordem de 18%, 20% ou 21%, pelos números de negócios que já fizemos e os que a gente vai materializar ainda neste ano. Estamos já sim planejando o ano de 2018 e, neste planejamento, obviamente acompanhando toda a perspectiva de otimismo que começa a surgir, nós também estamos otimistas e projetamos um crescimento na ordem de uns 15% para o ano que vem para nosso segmento” – acredita Sidnei.
O executivo da Volare destacou ainda que alguns segmentos foram mais prejudicados pela crise econômica, como o de fretamento voltado para indústria e para a construção civil. Em 2013, o segmento de fretados representava 60% das vendas e todo portfólio da Volare. Este número caiu para 30% hoje.
Entretanto, algumas atividades relacionadas ao fretamento impediram que a queda fosse maior, como o agronegócio.
“Como se fosse num outro mundo, a gente teve supersafras neste período da crise e, aí, combinado com o fato de órgãos, como o Ministério Público Federal exigindo uma adequação no transporte rural, diante desse crescimento do agronegócio, aumentou também a movimentação de vendas neste segmento de fretamento rural. É como se fosse um subsegmento, um nicho do fretamento. O fretamento rural para nós teve crescimento. O fretamento para a indústria caiu muito, mas isso foi minimizado pelo fato de a gente ter no portfólio um modelo específico para o transporte rural, com bloqueio de diferencial e tração 4X4” – disse.
Entre os mercados destacados para o fretamento rural estão o interior de São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Alagoas, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
ÔNIBUS EM SÃO PAULO:
A exemplo de praticamente todas as fabricantes de chassis e carrocerias, a Volare, que vende ônibus de pequeno porte montados sobre chassis Agrale ou Mercedes-Benz, também está de olho na licitação dos transportes da capital paulista.
Além do volume de ônibus em São Paulo ser muito grande (hoje a frota é de em torno de 15 mil veículos), a cidade acaba sendo uma vitrine para as demais prefeituras. Assim, estar no sistema da capital paulista, pode significar bons negócios para toda a América Latina.
A Volare conseguiu homologação de todos os veículos que pretendia para o sistema gerenciado pela SPTrans, entre eles o elétrico feito em parceria com a chinesa BYD, em Campinas; o Acess (mini ônibus de piso baixo) o W9C (mini ônibus de 9,2 toneladas com chassi Agrale) e o DW9 (mini ônibus na categoria 9 toneladas de chassis Mercedes-Benz).
“Estamos bem atentos a tudo o que acontece no sistema de ônibus da cidade de São Paulo, que sempre foi e é o que inicia as novas tecnologias e inovações no País. E hoje a gente tem todo um portfólio para atender a este segmento urbano. Nós temos quatro produtos hoje homologados pela SPTrans e prontos para serem negociados para São Paulo. Sair a licitação é fundamental para renovação da frota, mesmo porque, até para financiar um ônibus, os bancos e agentes financeiros exigem a legalidade do sistema, o que é muito importante para o analista de crédito” – complementou.
Apesar de haver a expectativa de redução no número de ônibus de pequeno porte, com a troca por modelos mídis, os chamados micrões, ainda assim haverá espaço para os micros e minis, pelo fato de algumas linhas da capital serem operadas em áreas de difícil acesso, que só comportam ônibus pequenos.
A licitação de São Paulo está atrasada há mais de quatro anos. Em 2013, era para ser realizado o certame, mas a prefeitura recuou diante das manifestações contra o valor da tarifa e pelo passe livre. Depois houve entraves burocráticos, como em relação a bloqueios pelo TCM -Tribunal de Contas do Município, que viu irregularidades nos editais lançados ainda pela administração do ex prefeito Fernando Haddad.
Segundo a gestão do atual prefeito, João Doria, falta agora a Câmara Municipal definir um cronograma de substituição de ônibus diesel por modelos menos poluentes, alterando um artigo da Lei de Mudanças Climáticas para que a prefeitura finalmente lance novos editais.
OUÇA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
