Consórcio alega falta de verba e pouco apoio da prefeitura da cidade para manter frota nas ruas
Crise econômica e algumas decisões equivocadas da prefeitura do Rio de Janeiro são motivos mais que suficientes para que o Consórcio BRT preveja cortes em linhas alimentadoras na cidade. Esta, pelo menos, é a opinião da empresa que opera o transporte rodoviário da cidade.
Há 20 dias duas linhas de ônibus já foram tiradas das ruas da Taquara, bairro de Jacarepaguá (Zona Oeste do Rio) – 806 e 832 –, e novos cortes estão por vir. Um dos motivos é a queda de passageiros no sistema, afetado pela concorrência das vans.
Mas o Consórcio BRT cita outros motivos que, aliados à recessão da economia dos últimos anos, têm afetado o sistema de ônibus no Rio, como a decisão da prefeitura de não reajustar a tarifa este ano e a redução de R$ 0,20 no valor da passagem, em setembro. Foram fatores que deterioram a situação das empresas, a ponto de algumas delas, como Santa Maria e Algarve, já terem fechado as portas este ano.
Suzy Balloussier, diretora de Relações Institucionais, em nota à imprensa, informou que “O BRT não tem interesse na extinção de linhas alimentadoras, muito pelo contrário. Por se tratar de um sistema tronco-alimentado, cada vez que uma linha alimentadora deixa de operar, o BRT recebe menos passageiros e a crise se agrava”.
A Secretaria de Transportes do município dá outra interpretação à crise vivida pelo setor. Quanto à redução do preço da tarifa alega que esta foi uma decisão judicial, e que os aumentos realizados nos anos recentes não reverteram em melhorias para a população.
A Secretaria alega ainda que o Consórcio BRT ignora as notificações para apresentar seus dados contábeis auditados, como determinam a legislação e o contrato firmado. Quanto à concorrência das vans na Zona Oeste, a secretaria afirma que isso ocorre devido às falhas no atendimento dos ônibus.
LIBERAÇÃO DE VANS NAS ZONAS OESTE E NORTE: PREFEITURA LIBERA E DEPOIS RECUA
A administração Marcelo Crivella liberou e depois voltou atrás na portaria que liberou a circulação de mais de duas mil vans nas zonas Norte e Oeste da cidade. A medida foi sancionada na segunda-feira (30), e valeria pelos próximos três meses, autorizando que estes veículos fizessem trajetos fora do itinerário ou se sobrepondo às linhas de ônibus.
Esta liberdade de circulação significaria que os veículos ficariam desobrigados de cumprir o trajeto previsto em contrato. Assim elas teriam autorização a fazer até mesmo o caminho das linhas de ônibus. Relembre:
A medida que liberava as vans foi criticada pelo Rio Ônibus, que é o sindicato que reúne as companhias de ônibus da cidade do Rio de Janeiro.
Em nota, a entidade disse que as empresas já enfrentam problemas em relação ao congelamento e redução de tarifas e queda do número de passageiros; e que a liberação das vans poderia causar uma concorrência predatória. Relembre:
https://diariodotransporte.com.br/2017/10/31/prefeitura-do-rio-volta-atras-na-liberacao-de-vans/
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte
