ABC firma parceria com cidade italiana que tem ônibus elétrico, VLT e que impede carros no centro

Publicado em: 23 de outubro de 2017

Ônibus sobre trilho do VLT. Em algumas vias, ônibus e bondes dividem a mesma parada para embarque e desembarque de passageiros.

Turim também oferece carros elétricos compartilhados e rede de compartilhamento de bicicletas, além de proibir carros em áreas da região central

ADAMO BAZANI

O Consórcio Intermunicipal ABC anunciou nesta segunda-feira, 23 de agosto de 2017, que a UE – União Europeia escolheu a cidade de Turim, na Itália, para ser parceiro dos municípios da região na elaboração de projetos de mobilidade urbana, mudanças climáticas e drenagem.

Segundo a entidade que reúne as prefeituras do ABC Paulista, a parceria faz parte do “ Programa Internacional de Cooperação Urbana (IUC), promovido pela União Europeia, e que prevê a capacitação técnica entre municípios do continente europeu e da América Latina, além do Caribe.”

O programa terá duração de dois anos.

O ABC, que fica na região metropolitana de São Paulo, tem 2,7 milhões de habitantes e é formado pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Turim tem aproximadamente 900 mil habitantes e é a capital e maior cidade da região do Piemonte, sendo a quarta maior cidade do país, ficando atrás apenas de Roma, Milão e Nápoles.

O início da parceria será formalizado entre os dias 9 e 10 de novembro em Bruxelas, na Bélgica. O anúncio nesta segunda-feira foi feito pelo chefe do programa, Manuel Fuentes.

Em relação à mobilidade e mudanças climáticas, as cidades do ABC devem aprender, na parceria, a privilegiar ônibus, redes sobre trilhos e transportes não motorizados.

De acordo com o site do governo local de Turim, algumas vias da região central, em especial do centro histórico, são proibidas para carros. Só estão liberados veículos de moradores.

Quem quiser acessar estas regiões deve fazer uso do transporte público ou de bicicletas.

Bicicletas fazem parte de política de mobilidade

Turim possui um programa de compartilhamento de bicicletas, que começou em 6 de junho de 2010. Hoje são mais de 110 estações e, para usar, o cidadão deve ter um cartão que também pode ser usado para pagar tarifa do transporte público.

Bondes modernos, os VLTs, se integram com ônibus

A cidade é servida por metrô, VLTs – Veículos Leves sobre Trilhos (bondes modernos) e ônibus.

Os meios de transporte diferentes convivem no espaço urbano e se complementam.

Em algumas vias, ônibus e bonde dividem a mesma parada para embarque e desembarque de passageiros.

No último dia 02 de outubro de 2017, entrou em circulação uma frota nova de ônibus 100% elétricos, que não emitem nenhum tipo de poluição durante as operações.

Frota de ônibus elétricos vai crescer em Turim.

Foram colocados em operação 23 ônibus com bateria de 12 metros de comprimento. O governo local pensa em micro-ônibus elétricos para serviços de menor demanda.

Os ônibus elétricos passaram a operar rotas que ligam as áreas mais afastadas ao centro e substituem os VLTs da linha 6. Para a substituição, o intervalo da linha caiu de até 20 minutos para 12 minutos. De acordo com o jornal Torino Reppublica, o VLT não estava dimensionado corretamente para o trajeto. As autoridades entenderam que a ligação deveria ser feita por ônibus e os bondes foram transferidos para outras ligações:

Outras mudanças deste tipo devem ser feitas. O objetivo é reformular a rede de transporte escolhendo os meios de transportes mais adequados para cada tipo de demanda.

Mas, segundo a imprensa italiana, nem tudo são flores no transporte público de Turim.

No dia da apresentação destes ônibus elétricos, os principais jornais de Turim destacaram que o GTT – Gruppo Torinese Trasporti, a maior operadora de ônibus e bondes da cidade, estava com dificuldades financeiras por atrasos nos repasses do poder público que subsidia parte dos serviços. É o que revelou, por exemplo, o 24 Ore.

Turim também tem uma rede de ônibus que funcionam somente de madrugada, atendendo a áreas hospitalares ou de lazer noturno. Algumas destas linhas operam nos mesmos trajetos de metrô e VLTs.

Além da proibição de carros no centro histórico, em algumas áreas da cidade também é cobrada uma taxa dos motoristas que optam ir de veículo próprio. A taxa é cobrada por hora e funciona como uma espécie de pedágio urbano.

Quem usa carro compartilhado, não paga pedágio urbano

A cidade também passou a contar em 2002 com um sistema de compartilhamento de carros. Atualmente, três empresas prestam este serviço: Car2Go (Smart), Aproveite (Fiat 500) e BlueTorino (BlueCar).

Quem aluga carro tem vantagens como não pagar pedágio urbano e poder usar faixas de ônibus.

Na nota enviada pelo Consórcio Intermunicipal ABC, o presidente da entidade e prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, comemorou a parceria com a União Europeia. “Recebo com bastante alegria esta oficialização, uma vez que Turim tem características semelhantes à nossa região, principalmente no que diz respeito à produção industrial. A cidade é uma das maiores da Itália, com desafios próximos à nossa realidade. Será um ganho representativo e à altura do Grande ABC”, destacou Orlando Morando.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Gláucio oliveira disse:

    Mas que ótima matéria e esperançosa para mobilidade e preservação do meio ambiente. Por ter trem e corredor metra e a empresa que tem testado e aproveitado as novidades de transporte limpo tem tudo para dar certo. Junto com a matéria da piracicabana da baixada santista 2 gols de placa do diário do transporte. Parabéns

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa dia.

    Mais um desperdício do dinheiro do contribuinte brasileiro.

    Para fazer isso não precisa de parceria internacional.

    Basta fazer o que tem de fazer atendendo as especificidades locais, as demandas e ter DINÂMICA.

    Como pensar em VLT em S. B. Campo se la alaga tudo.

    E para proibir carros de circular no centro de qulquer cidade não precisa de parceria internacional, é só fechar.

    Primeiro a obrigação depois a devoção.

    Uma ação prioritária que o ABCD tem de fazer, fazendo parcerias com Universidades, em especial a FEI é a criação de um sistema de KIT TÚNEIS, ou outra forma mais técnica para acabar com os cruzamentos do corredor da Metra.

    Isso sim seria uma ação com órimo resultados.

    Hoje com o avanço da engenharia civil, das peças pré moldadas de concreto e das máquinas, eliminar um cruzamento é a coisa mais fácil do mundo, até porque em muuuuuuuiiiiiiitos casos pode-se aproveitar a topografia do terreno do cruzamento.

    Bom fica ai mais uma sugestão a lá Paulo Gil, os Kit Túneis.

    Att,

    Paulo Gil

  3. Sergio Misael disse:

    Gostei dos dois comentários! Gláucio é o típico otimista. Já o Paulo Gil, ironiza, porém apresenta as soluções que, julga melhores. E estas, não sei porque, “cargas d’água”, ninguém aplica. E nós, vamos ficando por aqui, sem cobrar ninguém e a espera de um milagre!!!

  4. Paulo Gil disse:

    Sergio Misael, boa noite.

    Obrigado.

    Não aplicam porque ninguém quer dar solução, só querem ter faturamento$$$$.

    Por que o metro 4 Amarelo passa embaixo do Rio Pinheiro$ ???

    Nem precisa responder.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Se você não assistiu o vídeo do VLT de Santos que o Adamo compartilhou assista e você irá ver que comédia, sem contar a segurança ZERO, um trenzinho amador de tudo, misturado nos cruzamentos, com a faxineira, com os meliantes e com os pedestres.

    Primário, ma$$$$$$$$$$$…

    Forte abraço!

    Att,

    Paulo Gil

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