Após anos de atrasos e encurtamento de traçado, monotrilho do Morumbi dará prejuízo

Foto: Sergio Mazzi

Metrô de SP calcula um custo de operação de R$ 6,71 por passageiro, valor que estaria muito acima do preço atual da tarifa da rede, de R$ 3,80

ALEXANDRE PELEGI

Matéria publicada pela Folha de SP de hoje afirma que o Governo de São Paulo já sabe que a operação do monotrilho da CPTM que ligará o Morumbi ao aeroporto de Congonhas será deficitária. De acordo com o jornal, os custos para manter os trens circulando “serão muito maiores do que a receita das bilheterias”.

O monotrilho, também chamado de Linha 17-ouro, está previsto para dezembro de 2019, e tem demanda estimada de 185 mil usuários/dia, com oito estações dispostas ao longo de seus 7,7 quilômetros de extensão.

A Folha afirma que o Metrô de SP calcula um custo de operação de R$ 6,71 por passageiro, valor que estaria muito acima do preço atual da tarifa da rede, de R$ 3,80. O Governo estadual, para efeito de comparação, paga R$ 4,03 por usuário à concessionária da linha 4-amarela.

Segundo a matéria, “o futuro prejuízo do monotrilho” está sendo a justificativa do governo paulista para tê-lo incluído no pacote de concessão à iniciativa privada junto com a linha 5-lilás. A Folha afirma na matéria que a Linha 5-lilás poderá ser lucrativa, o que mitigaria as perdas de receita para o futuro concessionário. Na linguagem de mercado, para ficar com o filé o investidor deverá levar algum osso.

LICITAÇÃO DA CONCESSÃO DAS LINHAS 5 E 17 ESTÁ SUSPENSA DESDE SETEMBRO:

Lançado no dia 30 de março deste ano a licitação da concessão das linhas 5 e 17 está suspensa desde setembro, após ter sido questionada pelo Tribunal de Contas do Estado. O contrato tem lance mínimo de R$ 189 milhões e faturamento bruto estimado de R$ 10,8 bilhões em 20 anos. O leilão estava marcado para o dia 4 de julho, sem data para ocorrer.

A linha 17, ou simplesmente monotrilho, em construção desde 2012, estava prevista para ser entregue para a Copa do Mundo de 2014. O trajeto original previa 18 estações ao longo de 17,7 quilômetros, e ligava a estação Jabaquara, na ponta da linha 1-azul, à futura linha São Paulo Morumbi, na linha 4, conectando ainda com a linha 5-lilás e a linha 9-esmeralda da CPTM.

Um ramal levaria à estação Congonhas, com uma passagem subterrânea ao aeroporto por baixo da av. Washington Luís. A estimativa era de 450 mil passageiros/dia.

Anos de atraso, e após a obra ter sido abandonada pela empreiteira, levaram o governo paulista a realizar novo contrato e a encurtar o tamanho da linha. Se a linha diminuiu, o mesmo parece não ter ocorrido com o déficit, afirma a Folha de SP. “Estações com grande potencial de passageiros, como Paraisópolis, foram excluídas”, escreve o jornal.

Emiliano Affonso, do sindicato dos Engenheiros de São Paulo, afirmou ao jornal: “A linha 17 tinha sido desenvolvida de forma estratégica, ligando áreas muito povoadas e sem emprego com áreas pouco povoadas e com muito emprego. A redução do trajeto dela pode ter sido decisivo para o desequilíbrio financeiro da linha”.

O jornal afirma também que o valor investido na construção do monotrilho (linha 17) chega por enquanto a R$ 1,67 bilhão, de um total estimado em R$ 3,58 bilhões. O prejuízo para a operação desse monotrilho quando ele estiver pronto foi informado pelo Metrô ao TCE após pedido de explicações sobre a junção das linhas 5 e 17 num mesmo pacote de concessão.

O TCE também questiona a união da operação de duas linhas com tecnologias diferentes – uma é metrô e outra, monotrilho.

Para o secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, segundo afirmou à Folha de São Paulo, não é mais possível pensar nas duas linhas dissociadas. Ele disse que provará no TCE que a concessão das duas linhas em conjunto é a melhor modelagem.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Dará prejuízo não.

    Já está dando prejuízo ao contribuinte desde o dia da assinatura desse contrato.

    A única saída para esse trambolho, se houver viabilidade técnica do ponto de vista da engenharia, em transformar esse mico em buzão aéreo, igual ao expresso Tiradentes.

    Considerando que o que tem de concreto na linha azul na sua parte aérea (Armênia Santana) e que os Aerotrens tem mais do que o dobro de concreto, creio que é viável sim.

    Claro que com algumas adaptações.

    Isto será muito melhor do que continuar com esta insanidade que dará prejuízo a todos nós contribuintes.

    Essa de levar o osso junto com o Filet, já não cola mais mais tempo, ninguém quer osso, só querem Filet.

    Gostaria que o CREA se manifestasse nesta questão ao a área técnica do MPSP ou do TCESP.

    Só com um parecer técnica para dirimir esta questão.

    Visualmente os Aerotrens têm muito mais concreto do que o Metro Azul.

    Mas depois da lina 4 amarela passar por baixo do Rio Pinheiros e seu trajeto ser em “S”, nada mais a esperar.

    MUDA BARSIL.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Daniel Duarte disse:

    Não consigo entender esses meios de transportes que não se sustentam, pra mim é um meio de desviar dinheiro do contribuinte, esse é um exemplo, assim como o VLT de Cuiabá e a linha 4 do metrô do Rio.

  3. Daniel Duarte disse:

    Outra obra absurda será o BRT da Av Brasil no Rio, região tomada por favelas, é claro que a maioria ali não vai pagar passagem, sem falar o vandalismo. Ali sim deveria ser metrô enterrado, visto a demanda altíssima da região.

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