EMTU, SPTrans, ViaQuatro e Metrô da Bahia assinam manifesto para Mobilidade Sustentável

Corredor Diadema-Brooklin deveria ser eletrificado. Hoje apenas alguns veículos menos poluentes circulam, como híbridos, mas a maioria é a diesel, como ônibus da foto. Não há mais previsão para eletrificação

Apesar disso, ações práticas para transportes menos poluentes ainda deixam a desejar

ADAMO BAZANI

O passo é importante, mas não pode ficar apenas na intenção ou na ação meramente protocolar.

A EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que gerencia os ônibus intermunicipais metropolitanos no Estado de São Paulo, a SPTrans- São Paulo Transporte, gestora dos transportes na Capital Paulista, a ViaQuatro, empresa privada que opera a Linha 4-Amarela (Butantã/Luz) do Metrô de São Paulo e o Metrô da Bahia assinaram o Manifesto pela Mobilidade Sustável na 15ª Assembleia da UITP da América Latina, que ocorreu no início deste mês em Buenos Aires, na Argentina.

De acordo com nota da EMTU, as empresas que assinaram o Manifesto comprometeram-se a:

  • Afirmarem o  compromisso de colaborar com instituições locais, regionais, nacionais e internacionais para assegurar a implementação efetiva do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas;
  • Apoiarem plenamente a implementação progressiva da Agenda Urbana Nova, bem como todos os objetivos de desenvolvimento sustentáveis ​​das Nações Unidas;
  • Empenharem-se  em demonstrar inovação e liderança por meio de: ações de planejamento de políticas e estratégias de mobilidade;  apoio para cidades na concepção de planos de mobilidade urbana sustentáveis;  desenvolvimento e uso de dados, inovações tecnológicas e digitalização no setor de transportes públicos, entre outras ações.

Ainda na nota, a gerenciadora do Governo do Estado de São Paulo ainda destaca ações, principalmente relacionadas ao desenvolvimento tecnológico de gestão dos sistemas e informação ao passageiro.

O núcleo de Parcerias + Inovação da EMTU participou do evento, apresentando a palestra “Inovação Metropolitana em Transportes – O público em movimento”, na qual mostrou aos participantes os trabalhos com enfoques tecnológicos realizados no Brasil, como a 1ª Hackatona Metropolitana, além dos projetos em desenvolvimento no [E] LAB – Experimentos em Transporte e o sistema de Dados Abertos.

A EMTU está alinhada ao processo de inovação mundial e acredita que por meio de ideias criativas poderá contribuir ainda mais para a melhoria do Transporte Público Metropolitano.

Seguindo esta premissa, promove hackatonas – com o apoio da União Internacional do Transporte Público (UITP) , Fundação Youth for Public Transport (Y4PT) e da startups – dedicadas ao Transporte Público Metropolitano e focadas em sustentabilidade, acessibilidade e mobilidade intermodal.  A empresa foi a primeira a realizar uma hackatona de transporte metropolitano na América Latina.

 O Núcleo de Parcerias + Inovação da EMTU, responsável pela construção e implantação de política corporativa de inovação, atua dentro do conceito de gestão horizontal e conta com a participação do Colegiado de Inovação,  formado por funcionários de diversas áreas da empresa. O dia a dia do  LAB – Experimentos em Transportes, laboratório criado exclusivamente para pesquisas, prototipagens e desenvolvimento dos projetos apresentados em hackatonas, também é gerenciado pela área de inovação.

No entanto, quando o assunto é transporte menos poluente, até mesmo para cumprir o Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, assumido no manifesto, as gestoras de serviços de ônibus ainda não têm muito do que falar.

No caso da EMTU, desde 2009, são testados modelos de ônibus elétricos que funcionam com células de hidrogênio. Mas todos os quatro veículos deste modelo estão encostados na garagem da empresa operadora Metra, de São Bernardo do Campo, sem ainda estimativa de uso comercial. O projeto custou US$ 16 milhões, a maior parte de recursos internacionais. Em resposta à matéria sobre o tema, em fevereiro deste ano, a gerenciadora considerou o programa de ônibus a hidrogênio “vitorioso” e disse que este tipo de veículo não expande no Brasil por falta de fornecedores nacionais e incentivos governamentais:

Apesar de testar e verificar a viabilidade técnica, a empresa não tem a responsabilidade de manter a frota ou multiplica-la. O plano de expansão da frota de veículos movidos a hidrogênio depende da implantação de uma rede nacional de fornecedores de peças e componentes e também de mecanismos de incentivos governamentais para que as empresas operadoras do transporte público possam se interessar pelo programa.
O projeto Ônibus movido a Célula de Hidrogênio tinha vigência até 31/03/2016 e circulou no Corredor ABD até início de junho de 2016. Para não interromper um programa tão vitorioso, a EMTU/SP já vinha, muito antes dessa data, prospectando novas parcerias para possibilitar a continuidade operacional dos ônibus e da estação em função de não haver mais compromissos entre os parceiros de projeto. –
Relembre a matéria em: https://diariodotransporte.com.br/2017/02/23/emtu-diz-que-projeto-de-onibus-a-hidrogenio-e-vitorioso-e-fala-do-gas-natural/

A licitação dos transportes metropolitanos da Grande São Paulo, cujas propostas devem ser abertas no dia 21 de novembro deste ano, não traz metas para a redução de poluição pelos ônibus, cronogramas de substituição de frota por modelos menos poluentes ou alguma forma de incentivo operacional para ônibus que dependem de tecnologias alternativas ao óleo diesel.

Os contratos oriundos desta nova licitação serão de 15 anos.

Os novos corredores metropolitanos, que estão com os cronogramas atrasados, em especial por questões financeiras ou contratuais, não contemplam também atendimentos com ônibus não poluentes. Na verdade, muitos destes novos corredores, ainda nenhum completo, receberam sequer ônibus de motor traseiro, que são mais confortáveis que os modelos de propulsor na frente.

Até mesmo a eletrificação da extensão do Corredor ABD, entre Diadema, no ABC, e Brooklin, na zona Sul de São Paulo, é incerta.

Em reportagem do antigo Diário do Grande ABC, de março de 2009, a promessa da EMTU era que a empresa que faria a eletrificação seria definida até junho daquele ano – Relembre:  “A EMTU promete lançar até junho o edital para escolher a empresa que fará a eletrificação do caminho dos trólebus”. http://www.dgabc.com.br/Noticia/260103/emtu-define-corredor-de-trolebus-diadema-brooklin

Mas em matéria de junho de 2010, o Governo do Estado de São Paulo já não dava mais nenhuma previsão para o trecho ser eletrificado. Relembre:

Após 24 anos de promessas de governadores tucanos como Mario Covas e José Serra, a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) vai finalmente entregar à população o corredor de ônibus Diadema-Brooklin (zona sul de SP) no próximo dia 31 de julho.
Mas as faixas exclusivas, criadas nos anos 80 para serem ocupadas por trólebus, terão apenas ônibus movidos a diesel rodando ao longo de seus 12 km.
Segundo a EMTU, existe um projeto de eletrificação da via, mas não há prazo algum para que saia do papel. – http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2006201013.htm

Já na Capital Paulista, do ponto de vista de informação para o passageiro, apesar de o Mobilab, laboratório de tecnologia de mobilidade da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, ainda não há uma plataforma unificada para todos os passageiros com informações em tempo real e confiáveis de todo o sistema. Há aplicativos particulares, como Moovit, do Google Maps, Aplicativo Coletivo da Scipopulis, CittaMobi, entre outros. O sistema “Olho Vivo”, da SPTrans, apesar de ser fonte de consulta, apresenta falhas e não é de fácil navegação.

Sobre os ônibus menos poluentes, a Ecofrota – veículos com tecnologias alternativas ao diesel, se acanhou e hoje corresponde a apenas 1,4% dos quase 15 mil veículos municipais de transportes coletivos.  A Lei de Mudanças Climáticas que, em 2009, determinava troca anual de 10% da frota de ônibus diesel por tecnologias menos poluentes até que em 2018 nenhum veículo dependesse do derivado de petróleo, não será cumprida. Na Câmara Municipal de São Paulo são discutidos projetos para alterar o artigo desta lei e propor um cronograma de redução de emissões, como é previsto num projeto de lei assinado pelos vereadores Milton Leite e Gilberto Natalini, ou cronograma de inserção de frota menos poluente, como é proposto em projeto do vereador Caio Miranda.

A licitação dos transportes da cidade, que está atrasada há quatro anos, só será definida depois de uma nova redação do artigo da Lei de Mudanças Climáticas. A pressa é grande já que a prefeitura de São Paulo não pode fazer novos aditivos aos contratos que venceram em 2013, ano que deveria ter sido realizada a licitação.

Ao menos, diferentemente da licitação da EMTU e da proposta de licitação do ex-prefeito, Fernando Haddad, e do ex-secretário de transportes, Jilmar Tatto, a licitação dos ônibus da capital paulista deve ter alguma meta para os coletivos poluírem menos. Basta ver se realmente serão metas que compatibilizem melhoria da qualidade do ar com o financiamento das novas tecnologias no sistema ou se será apenas uma ação de marketing.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

5 comentários em EMTU, SPTrans, ViaQuatro e Metrô da Bahia assinam manifesto para Mobilidade Sustentável

  1. Saudades de nossos governantes dos anos cinquenta

    • Jair, boa noite.

      Lembrando de alguns prefeitos.

      Prestes Maia, Faria Lima e Olavo Setúbal.

      Abçs,

      Paulo Gil

      • Todos esses que voce lembrou são nota 10. Para o transporte publico em especial lembro também de Adhemar de Barros (nos anos 40 (implantou os troleibus e nos anos 50 comprou os ACF Brill) e Janio Quadros em seu primeiro mandato nos anos 50, que comprou 50 trolebus Werding entre outras ações de implantação de redes eletricas e sua excelente manutenção (as alavancas não escapavam dos fios).
        Mas Prestes Maia no final dos anos 50 inicio dos anos 60 iniciou a fabricação de troleibus no Brasil feito na CMTC bem como a recuperação dos trolebus importados em 1947 com reformas completas inclusive com a troca das carrocerias pelo modelo fabricado pela CMTC
        Faria Lima continuou a fabricação dos troleibus e ampliou a fabricação das carrocerias passando a substituir as carrocerias dos Mercedes 0-321 passando a Chama-las de Monika variando os modelos I,II,III, IV e V encarroçando também os modelos FNM e Scania Vabis . Ampliou a frota da CMTC em mais de 500 veículos.
        Olavo Setubal teve uma administração marcante pela modernidade implantando o primeiro corredor de troleibus de S.Paulo (Paes de Barros) e comprado uma frota de 200 troleibus e 2.000 monoblocos da Mercedes. Deixou pronto um plano de implantação dos corredores de onibus que os prefeitos seguintes puderam implantar;
        Daí pra frente tudo foi mesmice inclusive com o fechamento da CMTC que tinha virado cabide de emprego e antro de corrupção.
        Que bom lembrar desses bons momentos em São Paulo.
        Abraços

      • Jair, boa noite.

        Você sabe tudo heim.

        Quando eu era garoto lembro bem quando a CMTC implantou a linha Parque Continental – Anhangabaú e rodavam os Monikas Scanias, eram simplesmente um show, o ronco e aquele longo e baixo capô do motor dianteiro, forrado de PVC (corvin) azul e testurizado.

        A compra dos 2000 monoblocos O-362 eu lembro como se fosse hoje e eu os utilizava para ir da Ana Rosa até a Av. Paulista, para tomar os legítimos Viação Castro do Sr. Santão.

        Lembro bem do carro 2438 que um dia ao abrir a janela o vidro estilhaçou na minha mão e eu fiquei com o puxador na mão.

        Fiquei apavorado, pois foi sem querer e nem sei o que houve, falei com o piloto e ele falou pra mim.

        “Não se preocupe, ta tudo bem, não se preocupe”

        Bons tempos aqueles.

        Abçs,

        Paulo Gil

  2. Amigos, boa noite.

    Depois da síndrome da fiscalizadora, agora a síndrome da Inovação.

    Só umas perguntinhas.

    E porque a EAOSA ainda roda ??

    Cade a licitação da área 5 do ABC ?

    Cadê as outras estações da linha 4 Amarela ??

    Por que não põe a estação vila Sonia pra funcionar ao invés de estações da burguesia ??

    Cadê a licitação de Sampa ??

    Metro da Bahia demorou mais de 20 anos para construir.

    Façam-me o favor, vamos trabalhar, façam o necessário e não o extraordinário.

    Muita conversa fiada.

    Att,

    Paulo Gil

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