Usuários de carro estão entre os que mais apoiam prefeito Doria

João Doria e Sérgio Avelleda pouco antes de visitarem fabricante de ônibus

Já entre os que usam ônibus, metrô e trem para se locomover pela cidade, prefeito tem seus piores números de aprovação

ALEXANDRE PELEGI

Não terá sido à toa que o slogan “acelera”, utilizado pelo prefeito João Doria como tema de sua gestão, acabou se confundindo com uma de suas principais promessas de campanha, o aumento da velocidade nas marginais. Por mais que seus assessores queiram separar as duas coisas, tentando explicar que o verbo acelerar tem a ver com uma gestão moderna, distante da letargia do modelo de gestão pública, o cidadão paulistano já identificou que o automóvel ocupa lugar de preferência na atual gestão quando se trata de pensar a política de transporte da cidade.

Esta pelo menos parece ser a percepção do paulistano, segundo mediu o Datafolha, instituto de pesquisa do Grupo Folha de SP.

Segundo a mais recente pesquisa, que avaliou a gestão do atual prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), seu maior índice de aprovação está justamente entre os paulistanos que usam o carro como meio de transporte. Dentre esses, Doria alcança 42% de ótimo ou bom.

Já entre os que usam ônibus e metrô para se locomover pela cidade, o número despenca para 30%. Entre os passageiros dos sofridos trens da CPTM o índice é ainda pior, 25%.

O prefeito encontra pico de aprovação entre os mais ricos, talvez pelo fato de ser esta a parte da população que menos usa transporte público. Dentre os que ganham mais de dez salários mínimos, sua avaliação atinge 54%.

Na outra ponta, justamente no segmento social que depende do transporte público para ir ao trabalho, o prefeito encara seu maior índice de reprovação. Entre os que ganham até dois salários, 34% o consideram ruim ou péssimo.

Enquanto a promessa para os donos de carro foi fácil ser atendida, bastando trocar as placas de limite de velocidade nas marginais, melhorar o transporte público coletivo na cidade está sendo muito mais complicado. Até agora a maior parte das promessas nesta área não se tornou realidade, a começar do edital de licitação dos transportes, que ainda não tem data certa para acontecer.

Vinculado a isso, benefícios como Wi-fi e ar-condicionado em toda a frota, além de modernos e revolucionários meios de pagamento (por biometria ou por celular, conforme vem alardeando o prefeito), continuam na dependência de como será o novo sistema de transporte público coletivo por ônibus na capital, além da concessão do sistema de bilhetagem eletrônica, recentemente aprovada pela Câmara. Sem contar, evidente, com a questão da matriz energética, dependente da alteração do artigo 50 da Lei de Mudanças Climáticas (Lei nº 14.933).

Como única medida de impacto, restou o congelamento da tarifa, que vem estrangulando o orçamento municipal, impactando fortemente pelo lado do subsídio.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado e transportes

3 comentários em Usuários de carro estão entre os que mais apoiam prefeito Doria

  1. Quanto à lei 14933 o atraso é da Câmara, excessivo

  2. Tem muita gente que ainda acha pouco: a velocidade deveria subir em toda a cidade.

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