Instituto Moreira Salles: uma viagem pela cultura e história pelos meios de transportes
Publicado em: 1 de outubro de 2017
Com um dos mais ricos acervos culturais do país, sede recém-inaugurada em São Paulo guarda relíquias sobre o desenvolvimento da mobilidade urbana na capital paulista
ADAMO BAZANI
Os transportes coletivos são diretamente ligados ao desenvolvimento urbano, econômico e social das cidades.
Ônibus, trens, metrô e, ao longo da história, bondes, carruagens e até mesmo animais, na verdade são instrumentos de cidadania, já que permitem o acesso dos cidadãos a direitos básicos como educação, saúde, lazer, trabalho e renda.
Já é conhecida no setor a seguinte frase: “Não dá para pensar a cidades sem transportes!”
Só que, na prática, é possível dizer mais: “Não dá para imaginar o ser humano sem transporte”, já que uma das suas principais características é se socializar e buscar novos conhecimentos, ampliando suas atuações. Para isso, se deslocar é fundamental, independentemente de distâncias ou modais de transportes.
Assim, a memória dos ônibus, trens, metrô e bondes não conta apenas como as cidades cresceram, mas como as pessoas se relacionam ao longo do tempo: suas vestimentas, suas posturas, hábitos e retratos.
Um bom exemplo que mostra esta realidade ao longo do tempo é o vasto acervo cultural e fotográfico do Instituto Moreira Salles, cuja nova sede foi inaugurada recentemente, no dia 20 de setembro de 2017, na Avenida Paulista.
No nono andar, há um espaço dedicado à memória da cidade de São Paulo. São centenas de fotos que mostram o cotidiano da cidade em diferentes épocas e, como o transporte não só faz parte da imagem desse cotidiano, mas também influencia nele, é claro que neste acervo é possível ter acesso à parte da história da mobilidade desde o início do século passado, quando a Capital Paulista tinha características e hábitos que mesclavam parte da cultura ainda predominantemente rural no Brasil com os ares de metrópole que aos poucos eram assumidos pela São Paulo que crescia num ritmo nunca antes presenciado.
Uma das imagens bem emblemáticas desta realidade é a que mostra modernos bondes elétricos (para a época) com bois e carroças. A foto foi feita pelo feita pelo etnólogo e antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, na época professor de sociologia da recém-criada Universidade de São Paulo (USP), em 1937, na Rua da Liberdade, no centro da cidade. Em outra imagem, cavalo, bonde e jardineira (ônibus simples feito de madeira) conviviam bem no mesmo espaço.
As fotos demonstram também o desenvolvimento dos transportes, desde os primeiros anos de operação da linha férrea Santos-Jundiaí, a primeira do estado de São Paulo, até os ônibus mais modernos.
No espaço há mesas com telas pelas quais o visitante pode “passear” por uma São Paulo mais elegante, de outras épocas. Ao lado de cada foto, há a localização num mapa da paisagem fotografada. Em algumas imagens, é possível verificar como eram os locais na data da foto e como são hoje em dia
Também é possível escolher as fotos por localidades, autores e temas tudo ao toque na tela. Entre os temas, “Transportes” é um dos destaques.
O Instituto Moreira Salles fica na Avenida Paulista, 2424, em São Paulo.
O horário de funcionamento é de terças a domingos (exceto quintas), das 10h às 20h. Às quintas, das 10h às 22h. O IMS Paulista funciona em feriados, exceto quando caem às segundas.
A entrada é gratuita e é possível fotografar o acervo.
Confira somente algumas das fotos – (divisão por autores):
Anônimos/Sem Identificação do Autor (créditos de acervo e texto)

Jardineiras faziam parte do cotidiano de São Paulo nos anos 1940. Ao fundo, um modelo maior com a inscrição “Fábrica”

Rústicas e de vários tamanhos, jardineiras legavam o centro da cidade a regiões onde os trilhos dos bondes não chegavam
Chico Albuquerque

No prédio em construção,, propaganda da linha Rio-São Paulo da Viação Cometa, no detalhe da Vista do Viaduto do Chá do Edifício Conde Prates em Construção no ano de 1954
Claude Lévi Strauss

Vale do Anhangabaú em 1937. Edifício Martinelli, hoje sede da prefeitura de São Paulo, ainda em construção
Domingos de Miranda Ribeiro

Detalhe de ônibus no Vale do Anhangabaú em 1965 – Um monobloco O-321 quebrado, com a tampa do motor levantada, atrapalha o tráfego

Vista da praça Antônio Prado, a partir do Vale do Anhangabaú, com prédio do Banespa ao fundo, em 1965

Detalhe de ônibus mais moderno para a época e de mais antigo (branco) na Vista da praça Antônio Prado, a partir do Vale do Anhangabaú, com prédio do Banespa ao fundo, em 1965
Guilherme Gaensly

Túnel da Grota Funda, na direção da Baixada Santista, em 1907. Foi um dos trechos mais difíceis na construção da linha de trens Santos – Jundaí

Visão mais geral doTúnel da Grota Funda, na direção da Baixada Santista, em 1907. Foi um dos trechos mais difíceis na construção da linha de trens Santos – Jundaí
Hans Gunter Flieg

Ônibus importados dos EUA pela Viação Cometa, para fazer a linha São Paulo – Rio de Janeiro, durante a inauguração da Rodovia Presidente Dutra em 1951

Detalhe dos pneus Pirelli em Ônibus importados dos EUA pela Viação Cometa, para fazer a linha São Paulo – Rio de Janeiro, durante a inauguração da Rodovia Presidente Dutra em 1951
Hildelgard Rosenthal

Cobrador de ônibus em 1940. Não havia roletas. Profissional ia em pé cobrando. Os passageiros compravam fichinhas. Cada cor representava um trecho da linha e tinha preço diferente

Bonde na Praça do Correio em 1940. Veículo orgulhosamente ostentava a frase: “São Paulo é a maior cidade da industrial da América Latina”

Detalhe de Jardineira e bonde na praça da Sé de 1940. É possível ler faixa chamando a população para a inauguração do estádio do Pacaembu
Juca Martins

Esplanada do Teatro Municipal em 1993, com ônibus Caio Gabriela e Gol “quadradinho” da CET passando na rua
Marcel Gauteroth
Marc Ferrez

Detalhe de trens “Locobreque” na Ponte da Grota Funda, nas proximidades de Santos, em 1867. Além do próprio motor, cabos de aço tracionavam estas composições. Era o sistema funicular. O trecho entre Paranapiacaba, em Santo André, e Santos, tinha cinco patamares com inclinação de 8%. Era muito comum estes cabos se romperem, o que resultava em tragédias pela perda de controle dos trens. em, 1956, o maquinista Romão Justo Filho conseguiu um feito inédito. O cabo se rompeu e o maquinista foi controlando a composição que seguia para Santos com a torcia do Corinthians. Romão freava aos poucos a máquina e conseguiu parar. O nome de Romão Justo Filho está em placas de bronze no museu ferroviário no Brás.
COMO CHEGAR AO INSTITUTO MOREIRA SALLES:
Linhas de ônibus
No ponto da Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, bem em frente ao IMS:
669A-10 Terminal Princesa Isabel
917H-10 Terminal Pirituba
875A-10 Perdizes
N506-11 Metrô Vila Madalena
175P-10 Metrô Santana
874T-10 Lapa
805L-10 Aclimação
874C-10 Metrô – Trianon – Masp
917M-10 Morro Grande
975A-10 Vila Brasilândia
875H-10 Term. Lapa
875P-10 Metrô Barra Funda
877T-10 Vila Anastácio
No ponto Paulista Bairro/Centro, na Rua da Consolação com Avenida Paulista, a 2 minutos de caminhada do IMS:
178L-10 Lauzane Paulista
N801-11 Terminal Parque Dom Pedro II
7545-10 Praça Ramos de Azevedo
702C-10 Metrô Belém
778R-10 Terminal Princesa Isabel
7272-10 Praça Ramos de Azevedo
8700-10 Praça Ramos de Azevedo
702U-10 Terminal Parque Dom Pedro II
7458-10 Estação da Luz
8705-10 Anhangabaú
7903-10 Praça Ramos de Azevedo
701A-10 Parque Edu Chaves
909T-10 Terminal Parque Dom Pedro II
7267-10 Praça Ramos de Azevedo
7282-10 Praça Ramos de Azevedo
7411-10 Praça da Sé
8700-21 Praça Ramos de Azevedo
7281-10 Praça Ramos de Azevedo
Metrô
As estações Consolação (Linha 2 – Verde), na Avenida Paulista, e Paulista (Linha 4 – Amarela), na Rua da Consolação, ficam a menos de 5 minutos a pé do IMS Paulista.
Ciclovia
A ciclovia da Avenida Paulista passa pela frente do IMS, localizado quase na esquina com a Consolação. O centro cultural oferece um bicicletário, aberto das 10h às 20h.
Estacionamento
O IMS Paulista não oferece estacionamento, apenas um bicicletário gratuito, que funciona das 10h às 20h.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes












































Amigos, boa tarde.
Adamo, parabéns e obrigado por esta valiosíssima informação sobre o Instituto Moreira Sales.
Fotos sensacionais, obrigado aos autores.
Obrigado por publicar as fotos aumentada, consegui ler que aquele Caio era da Viação Bola Branca.
Muiiiiiiiiiiiiito legal.
Este será meu próximo passeio, sem dúvida.
Att,
Paulo Gil
“Buzão e Emoção é a Paixão”
Muito bom Adamo
Ví muitas situações das quais estive presente
Naquela época se aproveitava os veículos até seu limite máximo.
Assim, ví nas fotos onibus de carroceria Nicola com frente Caio.
Ví também com muita saudade os Twin Coach tanto da CMTC como os da Viação Cometa.
Outro que deixou saudades foi o Alfa Romeu Cicca de motor trazeiro.
Lindas fotos
Irei visitar com certeza
obrigado
Quem viveu nestes cenários de pura nostalgia, observa detalhes minuciosos de uma São Paulo tão linda, cheia de charme e elegância. Fotos de tempos maravilhosos onde tudo era encanto e beleza. Parabéns Adamo e I.M.Sales.
OLA PESSOAL
É UMA ÓTIMA INICIATIVA ESSA EXPOSIÇÃO POIS RESGATA UM POUCO DA HISTORIA DE SÃO PAULO, E DO BRASIL, QUE HOJE SÃO MUITO DESVALORIZADAS E DETURPADAS..
PARABENS AOS IDEALIZADORES.
PARABENS TAMBEM A REPORTAGEM.
EU VIVI ESSA ÉPOCA, E A PARTIR DE 1950, USEI MUITO ESSES ONIBUS E BONDES, POIS TINHA QUE ATRAVESSAR A CIDADE, DE SUL A OESTE, POIS EU MORAVA NO ITAIM-BIBI, E ESTUDAVA NA ESCOLA TECNICA FEDERAL, NA RUA APA, NA SANTA CECILIA.
DEPOIS,, POR TODOS OS MOTIVOS, CONTINUEI USANDO ESSES VEICULOS.
— DUAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
1) A SEDE DA PREFEITURA DE SÃO PAULO NÃO ESTA NO EDIFICIO MARTINELLI.
ESTA NO EDIFICIO MATARAZZO, NO VIADUTO DO CHA, ESQUINA DA RUA LIBERO BADARÓ, E FRENTE A PRAÇA DO PATRIARCA.
APENAS ALGUMAS REPARTIÇOES DA PREFEITURA, É QUE FUNCIONAM NO MARTINELLI.
2) O ONIBUS ALFA-ROMEO CICCA, COM CARROCERIA CAIO, DE 1950, QUE APARECE NA FOTO, TINHA O MOTOR TRANSVERSAL, DA MESMA MANEIRA QUE OS ATUAIS AUTOMOVEIS FIAT.
3) VOCES DEVEM COLOCAR OS TEXTOS EM BAIXO DAS FOTOS, NA COR PRETA, PARA FAZER CONTRASTE, E FACILITAR A LEITURA,
AGRADEÇO ATENÇÃO
O Alfa Romeu Cicca tinha motor transversal colocado na trazeira do veículo
Maravilhosa esta matéria, principalmente as imagens do grande antropólogo Claude Lévi Strauss.