Impasse sobre remuneração de trólebus é um dos motivos para promessa de 60 ônibus elétricos de Doria não avançar

Mesmo com impasse, veículos estão sendo produzidos

Valor da depreciação foi reduzido e empresa diz que não pode realizar grandes investimentos antes de ajuste.

ADAMO BAZANI

Como já mostrou o Diário do Transporte, ainda não há nenhuma definição para que a cidade de São Paulo receba a frota de 60 ônibus 100% elétricos à bateria, que não emitem nenhum tipo de poluente durante a operação. A promessa foi feita pelo prefeito de São Paulo, João Doria, em 14 de julho.

Na ocasião, Doria apresentou o único ônibus fabricado com uma carroceria nacional, já finalizado e entregue, e disse que até 31 de julho o veículo estaria operando entre a zona Leste de São Paulo e o centro pela empresa do subsistema estrutural, Ambiental Transportes.

Mas até agora, nem a compra dos 60 ônibus, que fariam parte de um projeto de estações de energia solar para geração de energia elétrica na garagem, e nem o ônibus transportando passageiros em 31 de julho, aconteceram.

Sobre a única unidade finalizada e entregue pela marca chinesa BYD, feita em Campinas, com a carroceria Caio, de Botucatu, ainda falta que seja concluída a fase final de homologação do veículo, em especial da carroceira.

Já sobre a compra, a questão é mais complexa.

O Diário do Transporte apurou que ainda faltam detalhes sobre a remuneração para a empresa operar os ônibus elétricos, que são de 1,5 vez a 2 vezes mais caros que similares a diesel, mas que também agora há um outro entrave: a empresa Ambiental quer que seja restabelecida a remuneração sobre a depreciação dos trólebus adquiridos entre 2011 e 2012 na gestão do prefeito Gilberto Kassab. Ao todo, a renovação envolveu 100 trólebus.

Já na gestão Fernando Haddad, os valores sobre a depreciação foram reduzidos.

A Ambiental tenta restabelecer o patamar da época de Kassab. Sem o ajuste, alega que não tem condições de realizar grandes novos investimentos.

Mesmo com o impasse, a fábrica do chassi, baterias e equipamentos BYD e a encarroçadora Caio continuam produzindo para a encomenda, com outra unidade em fase final.

O Diário do Transporte novamente entrou em contato com a gerenciadora do sistema de ônibus da cidade, SPTrans- São Paulo Transporte, que não negou o impasse, mas limitou-se, mais uma vez  a dizer que ainda continuam as negociações para que a compra seja realizada de fato.

“A SPTrans informa que continuam as tratativas para inclusão de 60 ônibus elétricos no sistema municipal de transportes junto à Ambiental.” – diz a íntegra da nota.

IMPASSE TAMBÉM NA CÂMARA:

O secretário de Mobilidade e Transportes da cidade de São Paulo, Sergio Avelleda, cobra agilidade dos vereadores para a definição de um novo artigo da Lei de Mudanças Climáticas (14.933, de 5 de junho de 2009) que determine um cronograma atualizado para a colocação na cidade de ônibus menos poluentes. Em 2009, a lei previa troca anual de 10% da frota de forma gradativa, até que em 2018 nenhum ônibus dependesse somente de óleo diesel. A pouco mais de dois meses para 2018, apenas 212 veículos (ou 1,4% da frota de ônibus municipais, que reúne quase 15 mil coletivos) atenderiam a lei de 2009.

Sem a definição, não há como lançar o edital de licitação do sistema de ônibus da cidade, que já está há mais de quatro anos atrasada.

Não é mais possível fazer mais aditivos contratuais com as empresas de ônibus do subsistema estrutural e as renovações dos contratos emergenciais com as empresas do subsistema local (ex-cooperativas).

Ocorre que desde o ano passado, há impasses na Câmara Municipal sobre o tema.

O presidente da Casa, vereador Milton Leite, apresentou neste ano um projeto de lei, PL 300, propondo a substituição do artigo 50 da Lei de Mudanças Climáticas, que traz a determinação sobre a frota.

A primeira versão, que privilegiava o biodiesel, foi criticada, assim como os novos substitutivos.

O mais recente, feito em conjunto com o ex-secretário do Verde e do Meio Ambiente de Doria, Gilberto Natalini, prevê redução de 40% para CO2 (dióxido de carbono), de 70% para NOx (óxidos de nitrogênio) e de 80% para MP (materiais particulados) até 2027. A eliminação do combustível fóssil se daria daqui a 20 anos, em 2037.

A proposta também não é consenso.

Entidades de defesa do meio ambiente querem metas mais rígidas até 2027 e a antecipação do fim do CO2 na frota paulistana de ônibus até 2032, com tolerância de cinco anos para micro-ônibus.

Além disso, o vereador Caio Miranda, com outra proposta, sugere um cronograma de implantação gradativa de ônibus com baixas emissões para evitar que somente metas de redução de poluição possam ser distorcidas ou alcançadas com remanejamentos da frota a diesel.

Os micro-ônibus também são problemas. Já há desenvolvidos modelos de ônibus padrons e grandes elétricos com bateria, trólebus, híbridos, a gás natural e etanol, por exemplo, mas não ônibus de pequeno porte. Há somente um modelo disponível no mercado, feito em parceria entre BYD e Volare.

Do ponto de vista tecnológico, não é tão difícil desenvolver um micro-ônibus menos poluente, mas, proporcionalmente, ele é mais caro que os ônibus de porte comum e grandes. A remuneração por estes veículos teria de ser mais alta.

Na última audiência pública sobre o tema na Câmara Municipal, este foi um dos principais assuntos. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/09/18/micro-onibus-e-duvida-para-transportes-menos-poluentes-em-sao-paulo/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

3 comentários em Impasse sobre remuneração de trólebus é um dos motivos para promessa de 60 ônibus elétricos de Doria não avançar

  1. Amigos, boa noite.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    A R$ 3,80 buzão verde não roda nem na lua.

    Matemática pura, essa eu acertei outro dia.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    Mas uma coisa está provada, quem impaca o buzão de Sampa é o puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuder..

    MUDA BARSIL, ACORDA SAMPA.

    Ou melhor:

    RENUNCIEM, é no mínimo elegante.

    Mas sabemos que elegância não é o forte do puuuuuuuuuuuuuuder.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Afinal são 60 ou 6000 ônibus, se eles não conseguem investir na compra de 60 ônibus pede pra sair, e por este motivo que ainda rodão ônibus com mas de 10 anos, sendo que um ônibus com 5 anos já e considerado velho imaginem com 10 anos ou mais, neste pais tudo tem que dar lucro, so quem fica com o prejuízo e o povo pobre, este governo esta retirando linhas que não dão lucro as empresas, agora a finalidade do transporte publico e dar lucro, tem até linha que saí de ferias em dezembro, você conta isso em Portugal eles pensam que e piada.

    • Elvis, boa noite.

      A questão não é esta.

      Conseguir investir eles conseguem.

      Simplesmente ninguém vai colocar para operar um buzão verde que custa 1,5 a 2 vezes mais o custo de um buzão a Diesel, para receber sobre uma tarifa de R$ 3,80.

      Ai é prejuízo na certa, portanto…

      E empresas existem para ter lucro, isto é uma constante “k”.

      Se estatizar fica pior, veja a Carris de Porto Alegre que está por um fio do fim.

      Este é o nosso BARSIL.

      MUDA BARSIL.

      Abçs.

      Paulo Gil

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