Anfavea a nega redução de preços de veículos em janeiro

Segundo associação que representa as montadoras, fim de pontuação adicional no IPI não vai significar carros, caminhões e ônibus mais baratos

ADAMO BAZANI

O preço de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus não deve ser reduzido em janeiro do ano que vem com o fim da regra dos 30 pontos adicionais de IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, um pleito da Organização Mundial do Comércio – OMC.

O benefício era concedido aos modelos que se enquadravam nas exigências do Programa Inovar Auto, que deve ser substituído pelo Rota 2030, que vai focar a eficiência energética dos modelos.

A manutenção dos preços, ou mesmo provável aumento, vai ocorrer principalmente para veículos a álcool e gasolina.

Segundo comunicado assinado pelo presidente da Anfavea, Antônio Megale, como quase todas as empresas atenderam ao Inovar-Auto, na prática não houve aumento de IPI e, portanto, agora com o fim da regra não haverá redução do tributo e, consequentemente nem de preço.

Megale também diz, no documento, que não deve haver também redução dos preços dos importados.

Em abril deste ano o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior anunciou o início das discussões do Rota 2030, programa que oferecerá visão de longo prazo e oportunidade de melhoria da competitividade da indústria automobilística brasileira. A motivação era preparar o País para o período pós-Inovar-Auto, política vigente desde 2012 e que se encerra em 31 de dezembro de 2017.

 

Desde então os conceitos destas novas diretrizes dominam a pauta do setor. Mais recentemente, com a condenação do Inovar-Auto pela OMC, que enxerga alguns mecanismos do programa como ferramentas protecionistas, um tema específico veio à tona: o fim dos 30 pontos adicionais de IPI. Com ele, surgiu uma informação completamente equivocada de que haveria quase que uma redução automática dos preços dos veículos a partir de janeiro de 2018.

 

Para aclarar este desentendimento, precisamos voltar no tempo para explicar o que aconteceu no início do Inovar-Auto. Em 2011, antes da criação do regime automotivo, as alíquotas de IPI eram as seguintes: 7% para veículos até 1.000 cilindradas, 11% e 13% para veículos flex e gasolina, respectivamente, naqueles acima de 1.000 e até 2.000 cilindradas, e de 18% para os flex e 25% para os gasolina acima de 2.000 cilindradas.

 

Com a implantação do Inovar-Auto, todas estas alíquotas foram acrescidas de 30 pontos porcentuais de IPI, saltando, na ordem, para 37%, 41%, 43%, 48% e 55%. Para abater este acréscimo, as empresas deveriam se habilitar ao programa e cumprir exigências como melhoria de eficiência energética, etapas fabris nacionais e aquisição de insumos locais – estes dois últimos quesitos foram os principais alvos da OMC, ou seja, fomos punidos por gerar empregos e renda.

 

Como todos os fabricantes locais se habilitaram e evitaram esse acréscimo de 30 pontos, na prática o IPI dos veículos destas empresas nunca subiu. Portanto, não há motivos para acreditar na redução deste imposto e, por consequência, no preço dos veículos.

 

No caso das importadoras sem produção local, eles também poderiam se habilitar se cumprissem algumas exigências. Porém, com a importação limitada a 4.800 veículos por ano. Em outras palavras, os importados dentro da cota não tiveram o imposto elevado e também não há razões para acreditar em redução de preços.

 

Fique bem claro que a definição de preço é uma estratégia individual das empresas. O que esclareço aqui é que não haverá, na prática, redução do IPI e consequente redução imediata de preço.

 

Em tempos de pós-verdade, notícias errôneas espalham-se com velocidade de rastilho de pólvora. A inverdade, no entanto, consolida-se na cabeça das pessoas e começa a causar pequenas confusões no mercado. Daí a razão desta explicação.

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Anfavea a nega redução de preços de veículos em janeiro

  1. Amigos, boa noite.

    Nem precisa negar.

    A única coisa que não acontece no Barsil é redução de preço.

    Só se reduz, qualidade, quantidade.

    O chocolate agora tem só 100 g; era 170, foi para 150, 130 e agora 100g

    Logo logo só vem a embalagem.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    MUDA BARSIL

    Att,

    Paulo Gil

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