Artesp lança prévia de edital para nova consulta pública da licitação das linhas de rodoviários intermunicipais.

Certame deveria ter sido concluído no ano passado. Empresas de ônibus, como a Cometa, contestaram judicialmente divisão de lotes

ADAMO BAZANI

A licitação que visa reorganizar as linhas de ônibus rodoviários do Estado de São Paulo está perto de sair do papel.

A Artesp – Agência de Transporte do Estado de São Paulo vai publicar nesta segunda-feira, 25, uma prévia do edital para um novo período de consulta pública.

O Diário do Transporte antecipa alguns pontos básicos

Segundo a Agência, o sistema de linhas intermunicipais registra hoje 152,8 milhões passageiros por ano em 645 municípios paulistas. Hoje a operação é feita por cerca de 100 empresas de ônibus, muitas das quais com contratos de permissões assinados há mais de 30 anos.

A licitação foi lançada na metade de 2016, mas as empresas de ônibus contestaram pontos do edital proposto. Companhias como a Viação Cometa chegaram a entrar com ações judiciais contra o certame.

O novo período de consulta pública foi uma determinação do TCE – Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que barrou o certame.

O modelo continuará sendo pela divisão do sistema em cinco lotes. Esta divisão foi um dos principais pontos contestados pelas empresas de ônibus.

Os contratos de concessão serão de 15 anos e, neste período, as empresas terão de investir R$ 3,6 bilhões. A idade média dos ônibus deverá ser de cinco anos. Os veículos terão de oferecer wi-fi e sistema de bilhetagem eletrônica embarcada.

 

LOTES OPERACIONAIS:

Cada lote vai ser encabeçado por cidades de alta concentração populacional e exigirá um pagamento de outorga mínima que varia de região para região:

Lote 1: Área de Operação Jundiaí e Campinas

Outorga mínima: R$ 55.412.700,00

Os investimentos na operação e aquisição de frota e equipamentos estão previstos em R$ 647,1 milhões ao longo do contrato.

Lote 2: Área de Operação Piracicaba

Outorga mínima: R$ 17.674.700,00

Os investimentos na operação e aquisição de frota e equipamentos estão previstos em R$ 308,2 milhões ao longo do contrato.

Lote 3: Área de Operação São José do Rio Preto e Ribeirão Preto

(Neste caso, inclusive as ligações referentes à Região Metropolitana de Ribeirão Preto).

Outorga mínima: R$ 42.305.400,00

Os investimentos na operação e aquisição de frota e equipamentos estão previstos em R$ 1 bilhão ao longo do contrato.

Lote 4: Área de Operação Bauru e Sorocaba

Outorga mínima: R$ 30.466.500,00

Os investimentos na operação e aquisição de frota e equipamentos estão previstos em R$ 958 milhões ao longo do contrato.

Lote 5: Área de Operação Baixada Santista e Vale do Paraíba

Outorga mínima: R$ 43.063.500,00

Os investimentos na operação e aquisição de frota e equipamentos estão previstos em R$ 672 milhões ao longo do contrato.

 

Segundo a Artesp, os valores de outorga poderão ser pagos à vista após a divulgação dos resultados até a data da assinatura do contrato ou dividida em três parcelas a serem pagas até o segundo ano do contrato com correções monetárias conforme previsto em edital.

Todas as áreas operacionais devem ser conectadas à capital e todos os municípios devem ser interligados não havendo “áreas de buraco” na malha de linhas.

Cada o lote operacional terá um polo.  Todo centro de município deve ter, no mínimo, duas partidas diárias para o polo ao qual está subordinado.

“Todos os atendimentos atuais serão mantidos e novas necessidades identificadas serão incorporadas ao Sistema com a agilidade que a população precisa, demanda que o atual decreto que regulamente o setor não permite atender.” – informa a Artesp.

Entre as obrigações das empresas de ônibus estão:

– Reduzir a idade média da frota para cinco anos

– Ônibus com ar-condicionado e sanitário também para média distância

– Wi-Fi gratuito para todos os ônibus, independentemente de distância o padrão.

– Sistema de Bilhetagem Eletrônica embarcada.

– Atendimento automatizado aos passageiros nos terminais para todas as linhas

– As empresas terão de possui certificações como ISO/ABNT de seus Sistemas de Gestão da Qualidade e de Gestão Ambiental, com renovações ao longo do prazo do contrato.

– As empresas de ônibus terão de atender a índices de qualidade que serão determinados pela Artesp. Haverá multas em caso de descumprimento.

REGRAS:

As empresas podem participar sozinhas ou reunidas em consórcio. Vence quem oferecer o maior valor de outorga e atender os quesitos operacionais, financeiros e técnicos exigidos pelo novo edital.

Não há limite de empresas que podem compor os consórcios.

Cada empresa ou consórcio só poderá operar apenas um lote, mas pode oferecer propostas para mais de um.

A prévia do edital dirá que uma empresa não pode participar em mais de um consórcio, mas não deixa claro o impedimento de empresas diferentes do mesmo grupo em mais de um consórcio.

Empresas estrangeiras também poderão participar.

A licitação envolve linhas suburbanas e rodoviárias, com exceção das linhas das regiões metropolitanas do Estado gerenciadas pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos.


CONSULTA PÚBLICA:

A nova consulta pública vai até às 18 horas do dia 25 de outubro de 2017. As sugestões podem ser enviadas a partir desta segunda, 25, pelo e-mail: novasconcessoes@artesp.sp.gov.br.

As sugestões também podem ser entregues em CD e protocoladas até 25 de outubro, que cai neste ano numa quarta-feira, na sede da Artesp: Rua Iguatemi, 105, térreo, Itaim Bibi. São Paulo – SP – Aos cuidados da Diretoria de Procedimentos e Logística.

Todas as sugestões devem ter identificação com nome, RG, CPG, telefone  e e-mail do autor.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. mauricio de souza disse:

    duvido que algum empresario terá coragem de enfrentar umas barbaridade como esta vai pagar para trabalhar

  2. MarcoV disse:

    Absurdo mesmo. Em que mundo vivem os que redigiram o edital? O ideal seria não aparecer nenhuma empresa interessada e deixar a ARTESP explicar à população o porquê de ter ficado sem meio de transporte público.

  3. LUIZ CARLOS DIRENZI disse:

    Amigo Adamo escreva ai, mais uma vez, essa licitação não sairá do papel, pois o lobe dos grandes grupos é muito forte. Por outro lado a ARTESP também parece não ter forças para sustentar suas decisões. Pior é que a Licitação não sai, tudo fica como esta, não se pode criar novas linhas e ainda estão encurtando ou cancelando as existentes. Um dia ainda vão se arrepender de ter acabado com dos trens de passageiros que contavam praticamente do Estado com seus ramais.

  4. Gláucio oliveira disse:

    Sou a favor da licitação e as empresas tem tido muito lucro. E so ver a concentração do setor como grupo comporte com + de 6 mil bus. A passagem do interestadual é + barata que do intermunicipal. A passagem para paraty rj custa menos que a de ubatuba sp. Fui para região de são José do rio preto final de semana de carro com 5 pessoas gastei $ 90 de combustível e $ 40 pedágio. Se fosse de bus ficaria $ 650 com horário as 7.30 h e o outro 13.30 h. Tão de brincadeira! !!

  5. MARIO EDSON FRASSETTO disse:

    Isso é uma vergonha a maior interessada que é a população não entende nada o que foi publicado. O melhor seria a livre concorrência deixando as empresas disputar o consumidor

  6. Adalberto Franco disse:

    Triste ver o governo proibindo o trabalhador autônomo a exemplo os das van aquele que tem um única van .paga milhões para esse governo corrupto . Que nos proíbe de sustentar a família..

  7. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Só para relembrar.

    Nós os contribuintes pagos os seus salários para trabalharem.

    Se for para o contribuinte ter de trabalhar para vocês, deixem de nos cobrar impostos e outros.

    Façam o seu trabalho e de preferência bem feito e da primeira vez.

    Licitação para o buzão já era, NÃO dá mais.

    Lembrando também da máxima:

    EMERGENCIAL = PIZZA COM BORDA RECHEADA DE LUCRO.

    MUDA BARSIL.

    Att,

    Paulo Gil

  8. Élio J. B. Camargo disse:

    Ádamo, isto é organizar o transporte de passageiros no estado ou implantar legalmente um oligopólio no estado, com a distribuição de 5 capitanias regionais, por quem pagar mais?
    Qual é o interesse de concentrar esses serviços? Podem desfilar uma série de desculpas, mas o fato é que a os usuários pagarão por preços e qualidade monopolizados. Porque cobrar outorga? Para sustentar um repartição que teoricamente vai administrar esse grande monopólio?
    Não venham dizer que uma agência vai substituir concorrência. Está na hora de estabelecer sistemas concorrenciais, não estabelecer e proteger grandes grupos econômicos, em detrimento da população.
    Não há justificativa para isso, quando 100 empresas deixarão de atuar, em favorecimento de 5 grupos. Não precisamos de capitalismo monopolista, precisamos de capitalismo de mercado! Apenas isso.

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