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ENTREVISTA: Rio Grande do Sul terá programa estadual para implantação de ônibus não poluentes

Maria Paula Merlotti diz que transportes públicos podem induzir tecnologias limpas em toda a indústria automotiva.

Fabricantes de carrocerias e chassis do Estado devem ser envolvidas em novos projetos

ADAMO BAZANI

Uma das queixas da indústria de veículos menos poluentes e de instituições que defendem inovação e meio ambiente é em relação à falta de interesse de boa parte do poder público em diferentes níveis.

Fabricantes e especialistas relatam falta de iniciativas públicas, que, quando ocorrem, é apenas depois de pressões da sociedade.

Mas no Rio Grande do Sul, é o próprio governo estadual que vai procurar induzir o desenvolvimento de tecnologias menos poluentes na mobilidade urbana, transportes de cargas e na logística.

Quem explica, em entrevista ao Diário do Transporte é a coordenadora executiva do setor automotivo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Maria Paula Melloti.

“Nós temos um setor automotivo e metalomecânico muito forte e toda esta inovação de energias limpas e renováveis é muito importante para nosso desenvolvimento sustentável”,  disse durante visita ao VE – Salão Latino Americano do Veículo Elétrico, que ocorre até sábado, em São Paulo. A executiva quis conhecer novas tecnologias dos veículos expostos, além de acompanhar as novas soluções de peças e equipamentos e assistir aos congressos que são realizados paralelamente à feira.

O governo estadual elabora o “Programa Gaúcho de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação na área de Mobilidade Urbana, Logística e Transporte – MULT”.

Maria Merlotti explicou que o governo do Rio Grande do Sul quer dar apoio às prefeituras e empresas para o desenvolvimento e implantação de tecnologias menos poluentes nos transportes, incluindo os ônibus.

Para isso, o poder público quer parcerias com universidades e deve atuar na capacitação de empresas e dos próprios municípios.

A regulamentação para as tecnologias limpas e a atração de novos investimentos também serão novas frentes.

A coordenadora explicou que a indústria de ônibus no Estado deve ser também chamada para integrar a iniciativa.

“Nós somos o estado número 1 em produção de carrocerias de ônibus. A Agrale tem também um projeto de chassis do Volare que é muito bom e roda todo o Brasil. Somos também o segundo polo metalomecânico de todo o País. É fundamental que nossa indústria local esteja atenta a estas novas tecnologias da mobilidade” – contou Maria Paula Merlotti.

No Rio Grande do Sul, há a fabricante de chassi de ônibus Agrale e as encarroçadoras de ônibus Marcopolo, Volare e Neobus (todas do mesmo grupo), além da Comil.

Juntamente com a chinesa instalada em Campinas, BYD, a Volare tem um projeto de micro-ônibus elétrico, com uma unidade operando em Santos, e a Marcopolo, em parceria com a nacional Eletra, de São Bernardo do Campo, testa um ônibus com baterias carregadas com eletricidade gerada numa estação de captação de energia solar na Universidade Federal de Santa Catarina.

OUÇA A ENTREVISTA:

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Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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