Sindicato de motoristas e cobradores de Curitiba diz que suspendeu paralisações de ônibus por causa de ameaças das empresas

Foto: Adamo Bazani

Com a decisão, cronograma de paralisações deixa de valer, mas ato público no dia 20 de setembro é mantido

ALEXANDRE PELEGI

Conforme noticiamos nesta terça-feira (12), os motoristas e cobradores de Curitiba suspenderam a paralisação programada para ontem à tarde. O movimento faz parte de um cronograma de protestos contra a violência nos sistema de transportes coletivos de Curitiba e região metropolitana, que finalizaria no dia 20 deste mês num ato na Praça Rui Barbosa, seguido de passeata.

Depois de cruzar os braços por três dias, em paralisações de uma hora, o Sindimoc – Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana informou depois que decidiu interromper todos os atos programados. A explicação é de que os trabalhadores estavam recebendo ameaças de demissão e desconto de salário por parte das empresas.

O presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, que já vinha criticando a postura dos empresários, contrários às manifestações, declarou: “Como se não bastasse o ladrão, agora tem o patrão colocando a faca no pescoço dos trabalhadores”.

Anderson alega que a categoria, que já estava acuada pela violência crescente, passou a temer agora as ameaças de descontos e demissões. O plano do Sindimoc era que as paralisações acontecessem diariamente até o dia 19. A decisão, agora, é de encerrar todos protestos, com os ônibus voltando a circular normalmente.

Apenas o ato marcado para o dia 20 de setembro continua valendo. O sindicato anunciou que vai focar seus esforços para mobilizar os trabalhadores a participarem desse protesto, que também deve parar os ônibus de Curitiba.

O Setransp, que representa as empresas de ônibus, divulgou nota à imprensa, onde afirma que as acusações de ameaça de demissão é “tão óbvia quanto falsa” e que as empresas se solidarizam com motoristas e cobradores que são vítimas de crimes.

Veja a íntegra da nota do Setransp:

Nota Oficial do Setransp

Ao perceber que sua estratégia de paralisações abusivas e inconsequentes já estava colocando a população contra o seu movimento, o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) busca agora uma saída honrosa dessa arapuca em que se meteu, representada por paralisações diárias, longo período e com consequentes prejuízos à população e ao comércio. A artimanha consiste em acusar as empresas de ônibus de ameaça de demissão. É um caminho tão óbvio quanto falso.

As empresas deixam claro, mais uma vez e até por também serem vítimas dos crimes, que são solidárias ao Sindimoc e a população de Curitiba e Região Metropolitana em relação aos episódios de violência ocorridos no transporte coletivo. No entanto, consideram que uma série de paralisações apenas prejudicaria ainda mais o passageiro, como de fato aconteceu, e por isso buscaram, pela via legal, a continuidade do serviço.

As operadoras esclarecem, ainda, que estão participando ativamente na busca de soluções para esse problema. Só nesta terça-feira (12) tiveram reuniões, junto com a Urbs, com três empresas interessadas em instalar câmeras nos ônibus, e informam que esse assunto está sendo avaliado junto com outras medidas, como, por exemplo, fazer com que o botão do pânico, presente nos ônibus e nas estações-tubo, dispare um alerta diretamente nos centros de controle da Guarda Municipal e da Polícia Militar.

As empresas de ônibus também integram o Comitê de Segurança no Transporte Coletivo na tentativa de conter a violência, junto com todos os entes que formam o sistema, entre eles o próprio Sindimoc, com quem, aliás, já debate o assunto há anos. Por isso, surge a dúvida: se já está participando do comitê, que é o fórum apropriado para encontrar soluções, será que o Sindimoc optou por esse cronograma de paralisações por causa única e exclusivamente da falta de segurança? Ou também pode ter a ver com a perda do Fundo Assistencial? No fim, os protestos, em vez de apontar soluções, apenas mostraram o sindicalismo de greve que tomou conta do Sindimoc.


Em nota publicada no site da entidade, Sindimoc explica os motivos da suspensão das paralisações, e reitera pauta de reivindicações contra a violência no sistema de transportes

Sob ameaça de empresários, trabalhadores suspendem paralisações e mudam estratégia

Diante da coação das empresas, ameaças de descontos nos salários e de demissões, motoristas e cobradores estão suspendendo o cronograma de paralisações e mudando estratégia de mobilização por mais segurança.

“Como se não bastasse o ladrão, agora tem o patrão colocando a faca no pescoço dos trabalhadores”, lamenta Anderson Teixeira, presidente do Sindimoc.

A partir de amanhã, o Sindimoc vai estar convidando trabalhadores diariamente nas garagens para o protesto por segurança marcado para 20 de setembro, às 15h00, na Rui Barbosa.

Dirigentes do Sindimoc também vão estar convocado a população para ato do dia 20 nos horários e locais em que estavam previstas as paralisações.

“Vamos focar o dia 20. Chamar os usuários, os trabalhadores e promover um grande ato, que sensibilize as autoridades para esse problema que hoje afeta 1,5 milhão de pessoas na nossa região”, finaliza Anderson Teixeira.

As três principais reivindicações são:

– Câmeras de segurança com monitoramento online 24 horas, integrado aos órgãos de segurança pública (igual em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e em Belo Horizonte, Minas Gerais, onde sistema garantiu redução de 90% dos arrastões)

– Criação da Delegacia Especializada em Crimes no Transporte Coletivo

– Mais viaturas da Guarda Municipal dedicadas exclusivamente ao patrulhamento do transporte coletivo

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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