Em delação, Funaro diz que pagou propina de Jacob Barata para Eduardo Cunha e Jorge Picciani
Publicado em: 13 de setembro de 2017
De acordo com o doleiro, foram R$ 16 milhões por meio de uma conta na Suíça
ADAMO BAZANI
Em delação premiada, o corretor Lúcio Bolonha Funaro, disse que fez a operação do pagamento de cinco milhões de francos suíços, aproximadamente R$ 16 milhões, de propina destinada para o ex-deputado Eduardo Cunha e para o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani.
De acordo com as declarações oficiais do doleiro em delação homologada pelo ministro Edson Fachin à Operação Lava Jato, os valores foram repassados pelos empresários de ônibus Jacob Barata e Jacob Barata Filho por meio de uma conta na Suíça, a qual operava.
“Em 2014, o colaborador recebeu, a pedido de Eduardo Cunha, uma transferência, em sua conta no Banco Audi, no valor de cinco milhões de francos suíços. Que segundo Eduardo Cunha esses valores eram referentes a um pagamento de valores não declarados feito por Jacob Barata. Que esses valores seriam divididos entre Eduardo Cunha e Jorge Picciani, para serem usados na campanha de 2014” — diz o anexo da delação sobre o tema entregue por Funaro à Procuradoria-Geral da República, segundo a Agência Estado.
Funaro disse que não conhece os empresários de ônibus pessoalmente, mas pelo fato de Picciani não ter conta no exterior, recebeu os valores em sua conta na Suíça a pedido de Eduardo Cunha em nome de uma offshore chamada Tuindorp Enterprises.
Ainda de acordo com o depoimento, o dinheiro recebido no exterior foi transformado em reais e disponibilizado no Brasil. Toda a operacionalização dos valores em dinheiro vivo teria sido feita, de acordo com delator, por um doleiro identificado como Tony.
Lúcio Funaro disse ainda que uma parte do dinheiro destinado a Picciani foi retirada em seu escritório em São Paulo por um contato chamado Milton. O ex-deputado Eduardo Cunha avisou o Funaro sobre a retirada do dinheiro por meio de um aplicativo de mensagens chamado Wickr.
Para provar o que disse, Lúcio Funaro entregou à PGR – Procuradoria-Geral da República, as cópias das mensagens do aplicativo e os extratos da sua conta no Banco Audi, da Suíça, além dos documentos da offshore Tuindorp Enterprises.
Em nota, a defesa de Jorge Picciani afirmou que o deputado não conhece Lúcio Funaro e que também não tem conhecimento de Tony e Milton.
A defesa dos empresários de ônibus não se manifestou ainda sobre a delação.
Jacob Barata Filho foi preso no dia 02 de julho durante a Operação Ponto Final, um desdobramento da Operação Lava Jato que investiga um esquema de propina pago por empresários de ônibus a políticos e agentes públicos em troca de facilitação nas fiscalizações e aumentos de tarifas.
Segundo as investigações, o esquema movimentou mais de R$ 260 milhões entre 2010 e 2016, sendo que o principal beneficiário teria sido o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, com R$ 128 milhões.
Jacob Barata Filho recebeu liberdade após o ministro do STF – Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, conceder dois habeas corpus em apenas 24 horas.
Aa decisão causou polêmica pelo fato de Gilmar Mendes ter sido padrinho de casamento de Beatriz Barata, filha de Jacob Barata Filho, e de parentes da esposa do ministro serem donos de empresas sócias de companhias de ônibus de Barata.
A procuradoria aponta diversos indícios de ligação de Gilmar Mendes com Jacob Barata Filho que iriam além de ser padrinho no casamento.
– Gilmar Mendes e a esposa Guiomar Mendes foram padrinhos de casamento de Beatriz Barata (filha de Jacob Barata) e Francisco Feitosa (do Grupo Vega de Transportes)
– Auto Viação Metropolitana, na qual Jacob Barata Filho tem 2,5% de participação, também tem como sócia a empresa FF Agropecuária que, tem como presidente Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, irmão de Guiomar Feitosa Lima de Albuquerque Lima Mendes, esposa de Gilmar Mendes.
– Relações por meio de advogados comuns entre as duas famílias
– Jacob Barata Filho tem em sua agenda de celular o contato gravado da esposa de Gilmar Mendes, Guiomar Mendes.
– Os contatos entre Jacob Barata e Chico Feitosa são recentes, mesmo depois do divórcio com Beatriz Barata
EMPRESAS LIGADAS AO GRUPO GUANABARA, DE JACOB BARATA- (dados podem ter sofrido alterações)
Ceará
– Em Fortaleza (urbanos):
Via Urbana;
Auto Viação Dragão do Mar;
Viação Metropolitana (ViaMetro);
Viação Fortaleza;
Empresa Vitória (Caucaia)
(Rodoviários)
Expresso Guanabara
Distrito Federal
(Rodoviários):
Rápido Federal
Viação Real Expresso
Minas Gerais
UTIL – União Transporte Interestadual de Luxo
- Juiz de Fora
Viação Brisa
Pará
– Em Belém (urbanos)
Belém Rio Transportes
Transportadora Arsenal
– Em Castanhal( urbanos)
Expresso Modelo
São Paulo
– Em Guarulhos (urbanos):
Guarulhos Transportes
Empresa de Ônibus Guarulhos S/A
Em São José dos Campos (urbanos)
Viação Saens Peña
Rio de Janeiro
– Cidade do Rio de Janeiro (Rodoviários):
Viação Sampaio
– Cidade do Rio de Janeiro (urbanos):
Auto Viação Alpha
Auto Viação Jabour
Auto Viação Tijuca
Empresa de Transportes Braso Lisboa
Fácil Transportes e Turismo
Rodoviária Âncora Matias
Transportes Única Petrópolis
Transportes Estrela
Transurb S/A
Viação Ideal
Viação Normandy do Triângulo (Linhas intermunicipais e municipais do Rio de Janeiro)
Viação Nossa Senhora do Amparo
Viação Nossa Senhora das Graças
Viação Nossa Senhora da Penha (Mesquita)
Viação Pendotiba
Viação Verdun
Portugal
Empresas de ônibus: Vimeca/Lisboa Transportes e Scotturb
Hotéis
Hotéis Fênix
Outras empresas
Concessionárias Guanabara Diesel
Concessionária Ceará Diesel
Banco Guanabara
Libercard
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Sao Paulo precisa de uma força tarefa da policia federal para investigar os contratos de concessoes com empresarios dos transportes .