Mesmo com suspeitas de fraude e propina, Governo do Rio renova com RioCard

Bilhetagem é usada também nos ônibus metropolitanos

Segundo poder público, aditivo é a única alternativa até licitação de nova empresa de bilhetagem

ADAMO BAZANI

O Governo do Rio de Janeiro assinou o sétimo aditivo no valor de R$ 267 milhões do convênio que mantém com a RioCard para bilhetagem eletrônica do sistema de transportes, mesmo com a Operação Ponto Final, que investiga um esquema de propina envolvendo políticos, agentes públicos e empresários de ônibus. Segundo as investigações, este esquema movimentou R$ 260 milhões entre 2010 e 2016.

A assinatura ocorreu no último dia 31, seis dias depois de uma continuação da operação cumprir mandados de busca e apreensão na sede da empresa responsável pela bilhetagem eletrônica. Na ocasião, no dia 25, dois funcionários da RioCard foram presos acusados de esconder provas no escritório da empresa.

Segundo os procuradores da República, a Fetranspor – Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Rio Par e RioCard ,fraudava a bilhetagem eletrônica para desviar e justificar os valores das propinas.

Depoimentos de funcionários das duas instituições revelaram à polícia que existe um banco de dados que mostra a discrepância entre os valores arrecadados e o que era repassado às empresas de ônibus. Essa diferença seria o que se transformaria em propina.

“Ao que tudo indica, se está diante de empresários do setor dos transportes, que supostamente movimentaram, e continuam movimentando, por meio de suas empresas de ônibus e da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), vultosas quantias direcionadas à organização criminosa, com o fito de manter privilégios no referido setor”, relatou o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, que autorizou o cumprimento dos mandados.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/08/25/dois-sao-presos-em-operacao-sobre-bilhetagem-eletronica-no-rio-de-janeiro/

O convênio com a RioCard foi assinado em 2013 e este sétimo aditivo vai durar oito meses.

A Secretaria de Transportes diz que a empresa não vai ser beneficiada com valor de R$ 267 milhões previsto nesta renovação e que a RioCard só vai operar a bilhetagem e repassar os valores referentes aos serviços prestados por empresas de ônibus, pelo Metrô Rio, Supervia e barcas.

Em nota, o a secretaria estadual ainda acrescentou que fará uma licitação para escolher nova empresa e que o rompimento do convênio agora poderia prejudicar os passageiros com a interrupção do Bilhete Único Intermunicipal.

“Até que esse processo seja concluído, o Estado não vislumbra outra alternativa que não seja renovar o convênio para que o Bilhete Único Intermunicipal continue beneficiando os mais de 2 milhões de usuários habilitados atualmente. Informamos, ainda, que foi incluída cláusula contratual com previsão de encerramento antecipado do convênio, tão logo o procedimento licitatório seja finalizado”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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