Ícone do site Diário do Transporte

Sindimoc reivindica, e câmeras de vigilância em ônibus metropolitanos serão testadas na Grande Curitiba

ônibus

Ônibus da Viação Cidade Sorriso, empresa registrou quase um quarto dos assaltos ao sistema de transportes no ano passado. Roubos cresceram 14%. Foram quase dez assaltos por dia em média que causaram prejuízos de mais de R$ 600 mil

A instalação de câmeras de segurança no interior dos ônibus era a principal reivindicação dos trabalhadores diante da violência crescente

ALEXANDRE PELEGI

Em protesto contra a falta de segurança nos transportes em Curitiba e região metropolitana, motoristas e cobradores têm realizado uma série de atos desde segunda-feira, dia 04.

Após um cobrador ser morto esta semana dentro de um ônibus, e de um motorista ser esfaqueado dentro de um ligeirinho – além de casos de arrastões e assaltos nos últimos dias – uma comissão de segurança foi criada para discutir os pedidos da categoria.

A instalação de câmeras de segurança no interior dos ônibus é a principal reivindicação dos trabalhadores.

Segundo o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), desde julho várias reuniões já foram realizadas, e apenas a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) apresentou uma tentativa de solução para o pedido dos motoristas e cobradores. A Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) ainda avalia a situação, segundo informa o Sindimoc.

A Comec afirma que neste mês os testes dos equipamentos de monitoramento vão começar a ser feitos na RMC. Seis empresas de tecnologia estão testando seus sistemas nos ônibus de diferentes permissionárias, para que o resultado seja analisado posteriormente pelo Comitê Permanente de Segurança no Transporte Coletivo Metropolitano.

Quanto às câmeras nos ônibus de Curitiba, a Urbs informa que analisa a instalação nos coletivos. A empresa municipal relata que o sistema municipal possui 500 câmeras de monitoramento em terminais do transporte coletivo e estações-tubo, conectadas 24 horas ao Centro de Controle de Operação (COC). Os ônibus da frota das linhas urbanas contam com botão de pânico, que ao ser acionado alerta o COC e também as empresas de ônibus.

PARALISAÇÕES:

Ontem, assim como no dia anterior, os motoristas e cobradores fizeram uma paralisação das 9 às 10 horas da manhã. Todos os ônibus que tinham ponto nas praças Rui Barbosa, Carlos Gomes, Praça Osório, Praça Zacarias e Tiradentes, além da Travessa Moreira Garcês e Rua Nestor de Castro, ficaram sem rodar.

Para hoje (6), nova manifestação está marcada entre 15h e 16h, devendo afetar as mesmas linhas.

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) afirmou em nota que membros do Sindimoc estavam “sequestrando os ônibus das empresas para levá-los aos locais de protesto da categoria pela falta de segurança no transporte coletivo”.

Mas a única sugestão que a entidade patronal deu para reduzir a onda de violência foi a utilização do cartão transporte, para reduzir o dinheiro no interior dos veículos.

Em nota, o Sindimoc respondeu ao Setransp, afirmando que o patronato deveria mostrar mais compromisso com a segurança dos trabalhadores e usuários do transporte coletivo. “Mesmo que seus diretores andem em carros blindados, esse problema também é deles. Cada vez mais passageiros têm optado por outros modos de deslocamento, em face aos índices crescentes de criminalidade nos ônibus”.

OUTRAS DEMANDAS

Para agilizar a comunicação de assaltos no interior dos ônibus os trabalhadores do transporte coletivo pediam a criação de um setor de inteligência. Este setor reuniria representantes do Sindimoc, das forças de segurança e das empresas.

O Sindimoc afirma que este pedido já foi aceito, o que permite que os órgãos de segurança pública tenham acesso a relatórios e levantamentos dos locais e das linhas com mais ocorrências de furto, roubo, vandalismo, assédio sexual e fura-catraca.

Os trabalhadores também solicitaram cursos e palestras para motoristas e cobradores para instruí-los a lidar com situações de risco. A Comec informou que estas ações estão sendo agendadas.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

Sair da versão mobile